¿Cómo meditar sin ser Hippie?

22/02/2021 19:42

Andrés Leonardo Salas Garcés,
Bolsista PET – Letras
Letras Libras

Existe un parásito en nuestra mente que si no llegas a tratarla podrá incluso matarte. No hay cura para esto, solo tratamientos para controlarla, químicos que se inyectan directamente en tu cerebro que evitaran que se expanda. Pero de igual forma te cepillas los dientes ¿no es así? Un simple acto de higiene corporal que mejorará tu calidad de vida. Sabrás que tus dientes son muy importantes, pero no como tu mente. Este es el filtro por el cuál percibimos nuestra realidad, cuídala y cuidará de ti, descuídala y podrá destruirte. Para una mente en calma, hasta el cuarto más oscuro tiene un cielo azul, para una mente en caos hasta el cuarto con un cielo azul puede invocar demonios, ¿cuántos problemas ocurren únicamente en el interior de tu mente? ¿cuántas cosas te aterran y nunca ocurrirán? ¿cuántos momentos de días hermosos los pierdes por atender a los oscuros contenidos de tu mente? Como una vez dijo el Buda: “¿Quién es tu enemigo? La mente es tu enemigo. Nadie puede lastimarte más que tu propia mente.” Pero también dijo: “¿Quién es tu amigo? La mente es tu amigo. Nadie puede ayudarte más que tu propia mente entrenada.”

Uno de los problemas que tiene la mente es que nunca puede quedarse quieta, si prestamos atención a nuestros pensamientos podemos darnos cuenta de que pasamos la mayoría del tiempo pensando en el futuro sobre cosas que queremos, situaciones hipotéticas, ilusiones. También en el pasado, qué pasaría si mejor hubiese hecho esto y no aquello, recordado, arrepintiéndote, remordimientos, momentos felices, etc. Pero casi nunca pasamos tiempo aquí, el presente, donde tu vida real está ocurriendo.

Entonces, la mente puede ser tu mejor amiga, pero habita en una realidad falsa fabricada de lenguaje, con tu atención rota y dispersa por un ecosistema digital cada vez más hostil para el libre albedrío ¿Qué podemos hacer entonces? La respuesta es muy simple, nada. No hay que hacer nada todos los días durante 15 minutos, o podemos empezar por 10 minutos. Todos los días nos vamos a sentar y vamos a hacer nada, no pensar, no sentir, simplemente prestarle atención a la experiencia consciente.

Fonte: Imagen de Internet*

¿Qué es meditar?

La meditación no es fácil, ni tampoco relajante como lo muestran en las imágenes de Google, en tu mente, lugar de miedos y esperanzas, está lleno de pensamientos que preferirías no mirar, muchos arrepentimientos, muchas inseguridades, temores por el futuro, odios profundos y opiniones negativas de gente cercana… no es fácil ponerle atención a tu mente y mucho menos relajante. Pero nada que sea fácil vale la pena.

Meditar trae muchos beneficios, pero no mencionaré en este apartado, ya podrás buscarlos por tu cuenta después, porque meditar no es un medio para alcanzar un fin, puede que sean buenas las consecuencias, pero la verdadera consecuencia es la meditación misma. Porque si lo haces buscando un beneficio y en media hora no te sientes como un dios, te sentirás decepcionado y dejarás de intentarlo.

Comencemos

–        Escoge un lado de tu casa donde puedas estar cómodo.

–        Escoge una hora donde no tengas nada que hacer.

–        Coloca un temporizador para que no pienses en el tiempo.

–        Siéntate con la espalda recta sin tocar el espaldar de la silla (apenas lo suficientemente incómodo para que logres prestar atención)

–        Cierra los ojos, también podrás hacerlo con los ojos abiertos, pero sin un panorama que te distraiga

–        Escanea tu cuerpo durante unos 30 segundos, de la cabeza a los pies.

–        Escucha los sonidos a tu alrededor como si escucharas música, con atención y curiosidad.

–        Y cuando te sientas listo, ponle atención a tu respiración, siente por donde pasa el aire, no tienes que respirar de una forma diferente ni nada, solo presta atención. La respiración será tu ancla al presente porque siempre está ahí.

–        Evita pensamientos futuros o pasados, si estos llegan acéptalos y déjalos ir, y regresa a la respiración.

–        Uno de los trucos para ayudar a callar tu mente es darle una tarea, y lo que puedes hacer es contar tus respiraciones. Cuenta hasta 10 y comienza de nuevo.

–        Y listo.

No hay nada que lograr, nada que obtener, solo prestar atención.

Referencias:

http://migala.mx/

 

* Descripción de la imagen: una gota cayendo en el agua con pequeñas ondas, fondo anaranjado como un atardecer

Tags: comunicaPET

comunicaPET: “saberes compartilhados durante a pandemia”

17/12/2020 14:47

Você sabia que o Programa de Educação Tutorial dos Cursos de Letras da Universidade Federal de Santa Catarina é um espaço pedagógico privilegiado no âmbito universitário? Ao reunir estudantes dos diferentes cursos de Letras (Português, Espanhol, Alemão, Inglês, Francês, Italiano e Libras), o PET-Letras proporciona aos seus integrantes, assim como à comunidade acadêmica, experiências e discussões diversas, estimulando a abordagem e a exploração dos mais variados temas que perpassam à formação dos estudantes de Letras.

Durante o ano de 2020 — tão marcado pela pandemia e, por sua vez, pelas atividades remotas — o Programa decidiu por em prática a integração de seus projetos estruturantes (PET-Mídias, PET-Grupos, PET-Eventos, PET-Gestão e PET-Idiomas) por meio de uma ação específica denominada: comunicaPET. O objetivo dessa ação de extensão é compartilhar conhecimentos gerais e experiências com a comunidade, interna e externa à UFSC, por meio da publicação de breves reflexões sobre os mais variados assuntos. Além disso, o comunicaPET estimula o processo de produção textual e de criatividade dos petianos e petianas, levando ao aperfeiçoamento e ampliação de sua formação em Letras.

Fonte: produzido pelo grupo*

A primeira publicação do comunicaPET foi no dia oito de maio de 2020, inaugurando um novo projeto em meio à pandemia do coronavírus. Cada publicação passa por um processo de concepção, redação, revisão e aperfeiçoamento antes de ser compartilhada com o público. Toda a equipe está envolvida com essas produções que também estão disponíveis em áudio no Spotify, sendo, portanto, mais acessíveis aos nossos diferentes públicos. Todas as imagens utilizadas nas matérias do comunicaPET também contam com a disponibilização de sua descrição textual, demarcando o compromisso do PET-Letras com o respeito às diferenças. Assim que publicadas em nosso site, as matérias são divulgadas em nossas redes sociais: Instagram e Facebook. Hoje, o comunicaPET já soma mais de cinquenta publicações que você pode acessar clicando nos títulos a seguir:

 

comunicaPET 53 “Sabotagem sem massagem, na mensagem: Slam, resistência!”

comunicaPET 52 Você já ouviu falar no Instituto Península?

comunicaPET 51 Comunicação não violenta: uma forma empática de se relacionar

comunicaPET 50 Filmes como Resposta aos Dilemas Linguísticos do Castelhano

comunicaPET 49 A cidade onde não estamos: representatividade de pessoas com deficiência

comunicaPET 48 Ócio: vida de preguiça ou de descanso?

comunicaPET 47 “Os problemas nas aulas on-line e propostas de solução”: assinado, uma professora.

comunicaPET 46 Você conhece o alfabeto IPA?

comunicaPET 45 Banho de sol: ao amanhecer ou após o almoço?

comunicaPET 44 Língua e memória: ‘eine Hommage an meinen Vater’

comunicaPET 43 Pandemia ameaça ainda mais as línguas indígenas

comunicaPET 42 Veganismo e Vegetarianismo: o que é? O que come? Mas nem peixe?

comunicaPET 41 Você já ouviu falar sobre Sadhguru? Se não, chegou a hora!

comunicaPET 40 La memoria y algunos principios para aprender

comunicaPET 39 Quais são as suas referências lésbicas?

comunicaPET 38 “Inspiration porn” e o que você tem a ver com isso

comunicaPET 37 Mulheres negras para se aplaudir!

comunicaPET 36 Audre Lorde e a importância da identidade

comunicaPET 35 Gratidão aos Amigos de Quatro Patas

comunicaPET 34 Talvez começar a meditar seja realmente o que você precisa

comunicaPET 33 Eu espero que você esteja bem

comunicaPET 32 Podcast: o que é, para que serve e como ouvir?

comunicaPET 31 Ajude as comunidades indígenas a sobreviverem à pandemia!

comunicaPET 30 Você conhece ou já consultou algum glossário em Libras?

comunicaPET 29 ¿Depresión y ansiedad? ¿Qué es ser feliz?

comunicaPET 28 Já se Perguntou Sobre a Sua Existência?

comunicaPET 27 As artes marciais e a formação do humano: uma aproximação

comunicaPET 26 “The first pride was a riot”: em tribute a Stonewall e ao mês do orgulho LGBT

comunicaPET 25 Você conhece as motivações, os significados e as consequências do que fala?

comunicaPET 24 Pranayamas: O que são? Para que servem?

comunicaPET 23 Dedico este texto aos não tão amantes da literatura

comunicaPET 22 Que tal um livro antirracista para esta quarentena?

comunicaPET 21 Quem tem medo do racismo?

comunicaPET 20 A poesia italiana de Antonia Pozzi: uma dica de leitura

comunicaPET 19 A vida e a obra de Oscar Wilde: quem ele foi e quem ele representa hoje?

comunicaPET 18 Como você anda cultivando sua finitude?

comunicaPET 17 Sobre salvar vidas e alimentar almas

comunicaPET 16 O fenômeno atual do “fascismo” e seus elementos em algumas palavras soltas

comunicaPET 15 Tradução, legendagem e promoção da acessibilidade

comunicaPET 14 As tecnologias, o ensino a distância e seus desafios

comunicaPET 13 A História Secreta (1992) e O que te pertence (2016): leituras recomendadas

comunicaPET 12 As vantagens do Yoga para a vida cotidiana

comunicaPET 11 Memória virtual conta histórias de vítimas da Covid-19 no Brasil

comunicaPET 10 Um canto pela Latino-América: música e resistência

comunicaPET 09 Imagens em forma de texto: você sabe o porquê da descrição?

comunicaPET 08 O PET-Letras apoia o adiamento do ENEM 2020

comunicaPET 07 Você conhece Grace Nichols e sua obra?

comunicaPET 06 HQs para desfrutar durante e após a quarentena

comunicaPET 05 Poesia na contemporaneidade e a possibilidade de interação autor-leitor

comunicaPET 04 O xadrez como suporte ao desenvolvimento e ao conhecimento de si e do outro

comunicaPET 03 O lugar-comum nos cursos de italiano: o que se sabe do outro?

comunicaPET 02 How to study English during the quarantine? Dicas para estudar Inglês em casa.

comunicaPET 01 Você sabia que a Libras faz parte do dia a dia do PET-Letras?

 

*Descrição: colagens das imagens de divulgação dos cinquenta primeiros comunicaPET, lado a lado, formando um mosaico de imagens. Ao centro de modo sobreposto está a logo do PET-Letras em preto.

OBSERVAÇÃO: todas as imagens usadas acima estão textualmente descritas nas postagens do Instagram.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tags: comunicaPET

“Sabotagem sem massagem, na mensagem: Slam, resistência!”

17/12/2020 14:28

Felipe Mateus dos Santos,
Bolsista PET – Letras
Letras Português

O título deste texto faz menção ao grito ecoado pelo apresentador e pelo público de um dos Slams mais famosos de São Paulo — o “Slam Resistência” — e mostra um pouco do caráter e do conteúdo das produções artísticas apresentadas ali. Essas competições, também consideradas por muitos como um “esporte da poesia falada”, trazem em sua essência a voz de identidade e resistência dos poetas contemporâneos e reivindicam cultura jovem, popular e periférica.

Esse movimento artístico surgiu na década de 1980 em Chicago, nos Estados Unidos, e, de acordo com um documentário chamado: Slam: Voz de Levante, Marc Kelly Smith foi o primeiro organizador desse evento que reúne diversos artistas. Segundo ele, o Slam utilizou a lógica da competição — como acontece nas batalhas de rima da cultura Hip Hop —  como forma de chamar atenção para o texto e a performance dos artistas.

O Slam é semelhante a um sarau, porém com algumas regras simples de organização e funcionamento:

– poesias de autoria própria, decoradas ou não, de até três minutos;
– proibido a utilização de figurinos, cenários ou instrumento musical;
– escolha aleatória de cinco jurados na plateia, responsáveis por dar notas de zero a dez;
– ganha a competição aquele ou aquela que tiver a maior nota.

Em cada competição, nas apresentações de Slam, o poeta é performático e só conta com o recurso de sua voz e de seu corpo. Os campeonatos com o foco nas poesias seguem etapas ao longo do ano. Portanto, de fevereiro a novembro, temos três rodadas e o vencedor, escolhido pelos cinco jurados da plateia, o qual recebe como prêmio livros e participa do Campeonato Brasileiro de Slam (Slam Br). Nesta etapa, o vencedor ganha a oportunidade de competir na Copa do Mundo de Slam, a qual é realizada todo ano na França no mês de dezembro.

Aqui no Brasil, os Slams foram introduzidos no ano 2008 por Roberta Estrela D’Alva, uma das slammers (poetisa) brasileiras mais conhecida pela mídia e que conquistou o terceiro lugar na Copa do Mundo de Poesia Slam 2011, em Paris. Ela proporcionou que os Slams brasileiros começassem através do ZAP! Slam (Zona Autônoma da Palavra) na cidade de São Paulo, dando assim, espaço para outros movimentos do gênero em  diversos outros lugares do país, como é o caso do Slam da Guilhermina, do Slam Paz em Guerra, do Slam do Caruaru, e dentre muitos outros campeonatos de Slams espalhados pelo país. Atualmente, apenas no estado de São Paulo, são registrados por volta de 50 eventos Slams. O movimento difundiu-se de maneira muito ampla pelo Brasil e, na estimativa geral realizada em 2018, cerca de 150 comunidades de Slam foram registradas no país todo, tendo pelo menos um evento Slam acontecendo em cada estado brasileiro, de acordo com um artigo escrito por  Igor Gomes Xavier para o Programa Profs Educação.

Fonte: Facebook/Slam Resistência, 2017*

Importante ressaltar, também, que a disseminação dessa competição poética foi e é tão grande, que hoje é possível perceber seu impacto no ambiente escolar. Algumas escolas do Estado de São Paulo fazem seu próprio Slam e levam seus vencedores às etapas seguintes, até que os finalistas participem do Slam Interescolar: Das ruas para as escolas, das escolas para as ruas. Essa modalidade do Slam é organizada, desde 2014, pelo coletivo Slam da Guilhermina — o maior Slam da Zona Leste de São Paulo. E não é exagero dizer que a presença do Slam nas escolas talvez seja um dos maiores incentivos que os alunos recebem para se tornarem leitores ativos, escritores, e cidadãos críticos e politizados.

Outro Slam que muito chama atenção, porém, infelizmente, ainda é pouco conhecido, é o Slam do Corpo, que tem como lema “novo jeito de falar, novo jeito de ouvir. O Slam do Corpo é o primeiro Slam de surdos e ouvintes em nosso país, os poemas são performados na Língua Brasileira de Sinais e em português simultaneamente, criando assim, um encontro muito produtivo para as duas línguas e culturas. De acordo com o evento, os poetas se apresentam seguindo as seguintes regras:

– os poemas devem ser autorais
– não podem passar de 3 minutos de duração
– não podem ter apoio de qualquer objeto de cena
– os jurados são escolhidos na hora e eleitos pelo próprio público.

Além do Slam do Corpo, outros eventos também são protagonizados por e para um público específico, como é o caso do Slam das Minas (apenas mulheres podem batalhar), do Slam Marginália (apenas travestis, pessoas trans e gênero-dissidentes podem batalhar), do Slam des Surdes (apenas pessoas surdas batalham, não havendo intérprete), mostrando assim a importância desses espaços e contextos culturais para exercício da cidadania estabelecidos através da palavra e do corpo.

Os Slams são espaços de poesia e resistência, empoderamento e impulsionamento pessoal, de superação de barreiras, além de ser um espaço político e social, levantando bandeiras de causas negras, indígenas, LGBTQIA+, feministas, de pessoas com deficiência, anticapitalista, ambiental, dentre outras causas tão importantes e vivenciadas dia após dia em nossa sociedade. É um espaço para encontrar seus pares, para entender a sua própria vivência e também a vivência do outro. E, acima de tudo, a existência do Slam por si só é um belo poema.

 

*Fotodescrição: Foto de uma mulher negra de cabelos presos no estilo dread, com um braço esticado ao lado e a outra mão apoiada no peito. Ela está de perfil, com a cabeça levemente inclinada para cima, tem os olhos fechados e a boca aberta, em posição de fala. Ela usa uma blusa roxa de alças finas e um colar no pescoço. Ao fundo vê-se pessoas sentadas lado a lado no chão e sobre uma estrutura construída no local.

 

 

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Você já ouviu falar no Instituto Península?

09/12/2020 15:43

Andréia Gomes Araújo,
Bolsista PET-Letras
Letras – Português

Pensando nos profissionais da educação, o Instituto Península fez uma pesquisa muito interessante intitulada: “Sentimento e percepção dos professores brasileiros nos diferentes estágios do coronavírus no Brasil” com o objetivo de compreender o desfecho desse novo cenário para o professores. A pesquisa vai muito além de querer saber as dificuldades do professor com relação ao uso/ manuseio das plataformas, pois busca compreender, também, a percepção que os professores têm desse momento sem precedentes, bem como conhecer as suas reflexões sobre a prática docente a partir da nova vivência pela qual passa a educação.

A pesquisa já alcançou mais de 7 mil professores das redes municipais, estaduais e particulares, desde o ensino infantil ao médio, de todas as regiões do país, por questionários e/ ou entrevistas diretas. No estágio inicial (até duas semanas após a suspensão das aulas), as pesquisas apontaram que 7 em cada 10 professores mudaram muito a rotina ou toda ela, 60% aproveitaram para se aprimorar — fazer cursos e especialização — e apenas ⅓  deles disseram que a escola priorizou o suporte a distância aos alunos. Disto, infere-se que o descaso em relação à educação se acentuou ainda mais nessa crise. Uma das maiores preocupações dos profissionais estava na saúde dos seus familiares e na disseminação de informações de combate ao vírus. Professores que atuam na rede privada se mostraram mais preparados para o ensino remoto em comparação aos professores da escola pública, tanto que, enquanto instituições federais, estaduais e municipais começavam a paralisar as aulas presenciais, as particulares se preparavam para continuar o ensino de forma remota.

No estágio intermediário — entre 2 a 6 semanas após as suspensão das aulas presenciais —, segunda fase da pesquisa, os pesquisadores procuraram saber como os professores estavam se sentido na maior parte do tempo, veja abaixo o resultado:

Imagem 01: Escalas de emoções desenvolvida por Marc Bracket, Ph.D, do Yale Center for Emotional Intelligence*
Fonte: “Pesquisa de Sentimentos e percepção dos professores brasileiros nos diferentes estágio do coronavírus no Brasil” Instituto Península, 2020.

Como podemos perceber, na escala de emoções em relação ao como os professores se sentiam ou se sentem, a maior parte deles ficaram, respectivamente, ansiosos, estressados, sobrecarregados e frustrados. E, segundo eles, o que explica todos esses sentimentos é:  a falta de experiência com ensino remoto; a falta de suporte psicológico e de treinamento; e a infraestrutura de trabalho limitada. Veja, antes da suspensão das aulas, 88% dos professores nunca tinha dado aula de forma remota, por isso 83,4% se sentiram nada ou pouco preparados.

Imagem 02: Sentimento em relação ao ensino remoto**
Fonte: “Pesquisa de Sentimentos e percepção dos professores brasileiros nos diferentes estágio do coronavírus no Brasil” Instituto Península, 2020.

Tudo isso mostra como ainda estamos andando na contramão da tecnologia e como as pessoas que nos governam não correspondem às expectativas de desenvolvimento social e tecnológico no que diz respeito a uma educação de qualidade e globalizada.

 

*descrição: Quadro com resultados de uma pesquisa: O quadro tem o fundo branco, no topo uma das perguntas da pesquisa “Como os professores têm se sentido?”, logo abaixo da pergunta a informação, Etapa: todas as etapas, Rede: todas as redes. No fundo branco temos sobrepostos quatro quadrados unidos (do lado direito, pensado que você está de frente para tela), com as cores de cima para baixo da esquerda para direita: vermelho com a seguinte informação:  ansiosos 67%, estressados 34%, sobrecarregados 35%, frustrados 27%. azul com a seguinte informação: entediados 36%, cansados 38%, solitários 19%, depressivos 17%. amarelo com a seguinte informação: alegres 9%, felizes 8%, entusiasmados 6%. verde com a seguinte informação: calmos 23%, satisfeitos 7%, realizados 3% do lado esquerdo tenho as mesmas informações, nele está escrito de cima para baixo “nas últimas semanas principalmente: ansiosos 67%, entediados 36%, cansados 38%, estressados 34%, sobrecarregados 35%, frustrados 25%. Na parte inferior no canto a logo do Instituto península que carrega o próprio nome.

**descrição: Quadro com resultados de uma pesquisa: O quadro tem o fundo branco, no topo uma das perguntas da pesquisa “como se sentem em relação ao ensino remoto?” logo abaixo da pergunta a informação, Etapa: todas as etapas, Rede: todas as redes. No fundo branco temos do lado esquerdo um quadro cinza com a seguinte informação: Antes da paralisação das aulas presenciais, 88% dos professores nunca tinha dado aula à distância de forma remota. Do lado direito um gráfico, uma coluna na cor cinza indica que 27,3% sentem-se nada preparado, coluna na cor azul claro indica  que 56,1% dos professores sentem-se pouco preparado, coluna azul petróleo indica que 13,0% sentem-se muito preparado e a coluna na cor preta indica que 3,6% sentem-se totalmente preparados. Um quadro abaixo tem a seguinte informação: Dessa forma, a grande maioria dos professores (83,4%) se sente nada ou pouco preparados para ensinar de forma remota Na parte inferior no canto a logo do Instituto península que carrega o próprio nome.

Tags: comunicaPET

Revista Preguiça do PET-Letras – 2ª edição

04/12/2020 15:39

A revista (des)acadêmica do PET Letras proporciona a interação social e criativa dos alunos dos diversos cursos de graduação da universidade.

A segunda edição conta com produções literárias de estudantes dos cursos de Letras da UFSC, além das ilustrações e colagem de duas artistas mais que especiais!

Após três anos, a Preguiça retorna de cara nova, organizada e produzida integralmente por mulheres.

Agora deixa de preguiça e vem conhecer essa edição lindona!

Boa leitura!

 

*Ilustração por Lara Norões Albuquerque

PDF DA REVISTA AQUI

 

#fotodescrição: Sequência de ilustrações em forma similar a de aquarela de três rostos do bicho-preguiça, da esquerda para a direita as ilustrações passam de tons mais escuros para tons mais claros, todas em escala de cinza.

Comunicação não violenta: uma forma empática de se relacionar

30/11/2020 19:12

Mayumi Motta Esmeraldino,
Bolsista PET-Letras
Letras Francês

Você já ouviu falar em Comunicação não violenta? Sabe como funciona e para que serve?

A CNV (Comunicação não violenta) foi desenvolvida pelo psicólogo norte americano Marshall Rosenberg, que após crescer em uma realidade inamistosa queria entender como pessoas que passaram por situações hostis conseguiam desenvolver relações afetuosas. Trata-se de uma metodologia comunicacional baseada na observação de si e do outro, que leva a conexões mais profundas, motiva o indivíduo a ter maior compaixão e o auxilia no desenvolvimento da empatia.

Fonte: imagem da internet*

Com a utilização da CNV é possível desenvolver relações mais afetuosas, se libertar das falhas de comunicação, ser claro sem ofender, resolver conflitos de maneira amorosa e ainda distinguir emoções de sentimentos. As comunicações ficam mais fluidas, a divergência se perde e nossas falas passam a um lugar de maior conivência com os nossos valores, gerando relações mais significativas e verdadeiras.

A CNV se desenvolve em quatro passos não mecânicos, que nos ajudam a organizar e entender nossas ideias, sentimentos e necessidades para comunicar. São eles a observação, sentimentos, necessidades e pedido.

(1) Observação: o primeiro passo da CNV é observar de maneira mais neutra possível o que está acontecendo em determinada situação, o que incomoda ou não em nós e no outro, sem criar julgamentos. O julgamento nos afasta de uma escuta empática, desvalidando o outro e consequentemente nos coloca em uma linguagem de defesa, o que pode gerar conflito.

(2) Sentimentos: o segundo passo da CNV, após observar de maneira neutra, é a distinção do que é emoção e do que é sentimento. A partir disso, identificamos quais sentimentos estão sendo gerados em nós e no outro com determinada situação. É importante que esses sentimentos sejam nomeados para que possam ser expressados. Mágoa, medo, raiva, felicidade etc.

(3) Necessidades: o terceiro passo é onde encontramos a empatia. Ao conseguirmos entender a necessidade do outro, que está intrinsicamente ligada aos sentimentos gerados, conseguimos também nos colocar no lugar dele, nos igualamos e então a empatia é criada. Da mesma forma, podemos perceber as nossas próprias necessidades. Rosenberg afirma que por trás de todo comportamento agressivo existe uma necessidade não atendida. Quando expressamos o que necessitamos deixando explícito os sentimentos ligados ao que queremos, com compaixão e empatia, as probabilidades de sermos atendidos é muito maior.

Um exemplo que Rosenberg dá em seu livro, intitulado Comunicação Não Violenta, exemplifica de forma simples estes três primeiros passos.

Roberto, quando eu vejo duas bolas de meias sujas debaixo da mesinha e mais três perto da TV (observação), fico irritada (sentimento), porque preciso de mais ordem no espaço que usamos em comum (necessidade). (ROSENBERG, 2003, p. 26).

(4) Pedido: o pedido possivelmente é o passo mais difícil, pois precisa ser específico. Do contrário, os passos anteriores não surtirão os efeitos desejados. Rosenberg sugere que nesse passo se usa uma linguagem positiva, em forma de afirmação e que se evite solicitações vagas.

Você poderia colocar suas meias no seu quarto ou na lavadora? (ROSENBERG, 2003, p. 26).

A CNV é uma forma de reavaliarmos a nossa forma de falar e de escutar, de criar uma ponte para comunicações mais eficazes, de inclusão do diferente e, ainda, de autoconhecimento. Reconhecer o que sentimos, o que necessitamos e fazer pedidos, nos tira do piloto automático, tornando-se assim um grande desafio, mas que pode ser um agente transformador para uma sociedade mais evoluída. A CNV pode ser aplicada nas relações afetivas, familiares, no trabalho e até mesmo com desconhecidos, basta que se esteja aberto a se aprofundar em si e no outro.

Agora que você já conhece a CNV, vamos praticá-la!

Referência: 
ROSENBERG, Marshall. Comunicação Não Violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. 2. ed. São Paulo: Ágora, 2003.

* descrição da imagem: desenho texturizado do perfil de duas pessoas destacadas em cinza de frente uma para a outra diante de um fundo rosa pastel.  À esquerda há uma pessoa que tem, dentro de sua cabeça, uma nuvem azul caindo gotas de chuva e dois raios amarelos saindo dessa nuvem. Ela toca a pessoa da direita colocando a mão sobre o ombro dela. A pessoa da direita tem,  dentro de sua cabeça, uma nuvem azul menor com menos gotas de chuva e um sol resplandecente amarelo saindo de trás da nuvem para sua direita.

 

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Filmes como Resposta aos Dilemas Linguísticos do Castelhano

25/11/2020 17:01

 Sarah Ortega,
Bolsita PET-Letras
Letras Espanhol

A aprendizagem de um novo idioma é, na maioria dos casos, um grande desafio. Lidar com todas as frustrações, que esse lento e complexo processo de estudo requer, exige um considerável jogo de cintura. Afinal, aprender uma nova sintaxe, novos sons fonéticos (nas línguas orais), superar uma limitação expressiva, não é uma tarefa fácil.

Contudo, não cortemos as asas desses seres corajosos aspirantes a bilíngues ou poliglotas. Apesar dos pesares, aprender uma língua poderá ser um momento de crescimento pessoal, profissional e de divertimento. Sendo assim, por que não apimentar essa labuta com uma aprendizagem mais descontraída?

Reflitamos sobre o uso de produções cinematográficas na aprendizagem de línguas. Filmes, séries ou curtas-metragens podem oferecer uma grande ajuda por darem conta de abarcar múltiplos fatores que afetam a língua: a compreensão oral/ gestual, ritmo/ prosódia, conhecimento das expressões em uso num determinado contexto, como os falantes se relacionam, as comidas, vestimentas…  Por meio dessas produções, há um vasto universo de conhecimentos linguísticos, culturais e históricos que podem ser trabalhados.

Tomo como exemplo o idioma castelhano:
Existe uma grande reflexão acerca dos usos dos pronomes de segunda pessoa — Tú, vos, usted — que variam conforme contextos de formalidade e informalidade, dependendo do país o emprego de um não é tão comum ou a lógica de uso pode se inverter. Tal dilema é muito bem trabalhado em alguns filmes em que aparecem diversas reflexões acerca desse uso da segunda pessoa e do que se pode inferir.

Talvez pareça um clichê ter como primeiro exemplo a série espanhola “La casa de papel”, mas há uma cena, em específico, que expressa com perfeição meu ponto sobre uma das reflexões linguísticas acerca da segunda pessoa. Neste caso peninsular: a mudança de Usted (formal) para Tú (informal), condiz a uma aproximação dos falantes, que estão se envolvendo amorosamente.

Fonte: imagens 1 e 2 de “La casa de papel” (lado a lado)*

Como segundo exemplo, trago a recente série do Netflix “Alguien tiene que morir

Fonte: imagens 3, 4 e 5 de “Alguien tiene que morir” (unidas em sequência)**

Ainda na região peninsular: a mudança do uso de usted (formal) para tú (informal), pode ser interpretado como uma afronta e resistência decolonial por parte da mulher mexicana mais nova, que seria a nora de uma espanhola elitista e xenófoba. Através do contexto, compreende-se que a persistência do uso “Tú” pela nora na terceira imagem é uma forma de tratar de igual por igual, em outras palavras, romper com a hierarquia e estabelecer uma relação simétrica.

Por fim, a possibilidade de ensino por meio de filmes é tremenda, não excluo aqui a relevância dos livros didáticos, obras literárias ou dicionários, mas uma tentativa de abarcar textos não tão presentes no estudo/ensino de idiomas. Sendo assim, que tal dar um tempo na gramática e ver um filme no idioma que deseja aprender? Talvez, não solucione algumas dúvidas que outras ferramentas podem sanar, mas estou certa de que não sairá perdendo – em quesitos linguísticos!

Descrição das imagens:

* Imagem 01: Printscreen cena da série “La casa de papel”. Na imagem de fundo fosco, estão presentes dois personagens, um deles o Professor – possui cabelo castanho liso, usa óculos, tem barba e veste uma camisa branca, gravata e blazer cinzas. Em segundo, está Raquel, uma mulher de cabelo longo, liso e castanho claro, na cena veste um blazer preto. Ambos estão posicionados de perfil e muito próximos. Há no print uma legenda de letras brancas escrito em espanhol, que corresponde a fala de Raquel: “Ya va siendo hora de dejar de tratarnos de usted, ?no crees?”

*Imagem 02: Printscreen da continuação da cena descrita na primeira imagem, Professor e Raquel, igualmente posicionados, há uma legenda indicando a fala do Professor para Raquel com letras roxas que dizem: “Yo creo que es momento de tutearnos, sí.”

**Imagem 03: Printscreen da série “Alguien tiene que morir”. Há um fundo fosco em que podemos distinguir um abajur aceso. Focado em uma velha senhora, cabelos lisos e presos, usa brincos de ouro e sobre seu blazer preto há um broche de uma pena, também de ouro. A imagem possui legenda em dizeres brancos que indicam a fala da senhora: “¿Ya no me tratas de usted?”

**Imagem 04: Printscreen de continuação da cena, a velha continua sua fala: “Pero, ¿qué se puede esperar de una mexicana cualquiera?”

**Imagem 05: Printscreen de continuação da cena, agora a imagem mostra a figura de uma mulher sentada em uma cadeira. A mulher tem cabelos lisos e castanhos que vão até seus ombros, veste um grande sobretudo marrom. Há legenda indicando sua fala em dizeres brancos: “No se puede confiar en alguien como tú”.

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I Jornada de Educação e Diversidade do PET Letras UFSC: por uma educação anticapacitista

19/11/2020 21:08

Entendendo que a educação de qualidade é um direito de todos, é urgente que se considerem em nossos debates sobre o assunto também os vários atravessamentos que interferem e compõe esse processo, como gênero e sexualidade, raça e etnia, etc., já que nós, professores e estudantes, somos todos parte da diversidade humana. Nessa perspectiva, a I Jornada de Educação e Diversidade do PET Letras UFSC: por uma educação anticapacitista surge da necessidade de se promover discussões que não só considerem a diversidade e as diferenças no âmbito da educação, mas também sejam constituídas, dentro das possibilidades, pelos próprios sujeitos. O grupo das pessoas com deficiência compõe uma minoria que precisa estar em constante luta, seja pelo respeito aos seus direitos e acessibilidade para suas atividades diárias, seja pelo mínimo de respeito que lhes é negado de tantas formas todos os dias.

Levando em conta que ainda são poucas  as discussões que tematizem de forma tão aberta as questões  das pessoas com deficiência e sua relação com a docência, que tanto nos toca enquanto cursos de letras, este evento será um importante canal para troca de informações relevantes e experiência entre pessoas com e sem deficiência, pesquisadores, discentes e docentes, ainda mais com seu alcance potencializado por seu formato on-line. Precisamos abrir espaços para que questões como essa sejam visibilizadas e consideradas de forma cuidadosa e responsável, contribuindo para aumentar e fortalecer esse debate dentro e fora da academia.

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PROGRAMAÇÃO:

02 de dezembro
19h00

Palestra de abertura:
Educação e Diversidade: o que é capacitismo?

Adriana Dias
Mestre e Doutora em Antropologia Social pela UNICAMP.

03 de dezembro
14h00

Mesa redonda:
O (anti)capacitismo no âmbito universitário.

Moderador: Daniel Guilherme Gonçalves – PET-Letras UFSC

Acauã Pozzino
Graduando em Letras Espanhol (UERJ)

Saulo Wellington
Graduando em Letras Inglês (UFCG)

João Gabriel Ferreira
Egresso de Letras Libras (UFSC)

19h00

Mesa redonda:
Professores/as por uma educação anticapacitista.

Moderadora: Ana Maria Santiago – PET-Letras UFSC

Luana Tillmann
Professora no Instituto Federal Catarinense

Tarso Germany Dornelles
Professor na rede pública da grande Florianópolis

Luciana Viegas
Professora na rede municipal de São Paulo

Inscrições, clique aqui!

Veja nosso convite em Libras:

A cidade onde não estamos: representatividade de pessoas com deficiência

17/11/2020 15:17

Ana Maria Santiago,
Bolsista de Acessibilidade
Letras – Português

Quantas pessoas com deficiência frequentam os mesmos lugares que você? E os seus círculos de convivência? Quantas são suas colegas, professoras, amigas? Essa pergunta é feita com certa frequência em relação às outras minorias, mas, mesmo assim, geralmente, estamos no final da lista. Dessa lista de minorias, que nem deveria existir. Só que dizer que a opressão contra as pessoas com deficiência é estrutural também significa que existe um lugar que querem que ocupemos para que outros continuem a ocupar o seu lugar de privilégios.

Fonte: imagem da internet*

Voltando à pergunta inicial. Já tem a resposta? Então, por quê? Será que somos poucos? Será que queremos ficar em casa? Na realidade, acho que sabemos que está longe de ser tão simples quanto isso. Por que não estamos em todos esses lugares? Talvez porque nos ensinaram que não deveríamos estar, não é mesmo? Não com uma palavra ou outra, mas sistematicamente por meio de atitudes cotidianas. É possível dizer que nossa presença, por vezes, incomoda. Sabe o porquê disso? Porque somos encarados como “um desafio”; porque nos querem em casa e em alguns instituições específicas; porque acham que não somos responsabilidade de ninguém; porque você, agora mesmo, está duvidando de todas essas coisas.

E a cidade? A cidade, arquitetonicamente planejada, nos diz que não pertencemos a ela. As calçadas, os prédios e as paisagens, enfim, as pedras e todo o concreto gritam que foram feitos para um tipo de pessoa que não somos nós. O ônibus passando impassível e o semáforo silencioso sussurram ou mesmo gritam que precisamos nos adaptar, não o contrário. Contudo, ninguém deveria precisar se adaptar à própria cidade, não é mesmo? Pois é. Motivos práticos não faltam. Além disso, a informação que só chega em um formato, em uma foto ou em três línguas, sendo que nenhuma delas é Libras, por exemplo. O fato é a cidade em que não estamos. Não estamos, por quê?

Quando estamos, somos considerados heróis do “por causa” ou do “apesar”; somos a sua fonte inesgotável de dúvidas previsíveis, até desconfortáveis, às vezes. Só que quando importa, vocês não perguntam. Acreditam que sabem o que é melhor para quem somos. Ah, claro que sabem. Somos um suposto modelo de muitas coisas. Todas erradas. Por trás de tudo o que você acha que sabe sobre nós, não somos. De novo: o que resta? Alguém tentando viver a própria vida.

Todavia, uma vez mais, e a pergunta inicial? Estamos falando de uma estrutura, aquela lá dos privilégios, mas também de tantas outras coisas. Ou seja, não é acidental o fato de você conhecer poucas pessoas com deficiência. Ou se envolver com poucas de nós. Não quer dizer que outros fatores também não interfiram, mas pense. Por que não estamos? Pensei, por um tempo, que com quem nos relacionamos ocupasse um âmbito muito individual, mas as nossas relações também são políticas. E, então, ficam as perguntas: quantas pessoas com deficiência frequentam os mesmos lugares que você? E os seus círculos de convivência? Quantas são suas colegas, professoras, amigas?

*Descrição da imagem: A imagem apresenta uma rua com um pouco de água acumulada no chão onde há quatro pares de calçados alinhados horizontalmente na parte superior da imagem. Diante os calçados, há a projeção das sombras de quatro pessoas jovens sobre o chão molhado. A parte superior direita da imagem está mais iluminada e as luzes vão se tornando mais suaves em direção a parte inferior e o lado esquerdo.

Tags: comunicaPET

Ócio: vida de preguiça ou de descanso?

12/11/2020 19:36

Nicole da Cruz Rabello,
Bolsista PET-Letras
Letras Inglês

Hoje, quero falar um pouco sobre a pressão de sempre ser produtivo e de manter a sua saúde mental no meio de uma pandemia.

Fonte: Imagem da Internet*

No início do ano, quando a pandemia começou, ali pelo mês de março. Muitos se assustaram, pois, diversas atividades, tanto acadêmicas quanto profissionais, tiveram que parar ou ser radicalmente alteradas. Para alguns durou quinze dias, um mês ou mais, para outros já se passaram sete meses. O fato de ninguém estar preparado foi um ponto bem negativo para nossa saúde mental e física. Além disso, alguns precisaram estar em casa por muito tempo sem saber o que fazer para se manter bem e, até mesmo, como ocupar a mente.

Entretanto, com esse movimento de ter que fazer algo, muitos empregos trouxeram aos seus funcionários o home office. Essa categoria de trabalho se tornou muito popular nesta quarentena, porém tem seus prós e contras. Alguns prós seriam: 1) você pode, na maioria das vezes, organizar seu próprio horário de trabalho; 2) há possibilidade de se dormir um pouco mais, já que não há que se locomover de casa até o trabalho; 3) é possível passar mais tempo com a família e investir mais no lazer.

Por outro lado, alguns dos pontos negativos seriam: 1) ter que lidar com a pressão, tanto pessoal quanto do emprego, por produtividade; 2) não poder estabelecer contato presencial face a face com amigos e colegas de trabalho ou da faculdade — assim como somos seres humanos e fomos feitos para estar em sociedade, o fato de não ter mais essa interação humana prejudica o psicológico; 3) necessidade de uma imediata organização e disciplina dos novos hábitos. Para mim, pessoalmente, foi muito difícil manter tudo isso na minha vida durante a quarentena. Creio que para muitos também foi. Digo isso, pois eu sempre tinha o ambiente do trabalho e o ambiente de lazer separados, e, com a pandemia, tudo se misturou em uma coisa só.

Essa pressão social por produtividade pode ser contextualizada e analisada por diversos pontos de vista tanto sociais quanto econômicos. No passado, há muito tempo, conta-se que, em algumas culturas, o ócio não era um problema. Em certas sociedades, as pessoas trabalhavam em um dado ambiente, por um certo período, como, por exemplo, em um campo ou fazenda, e, então, ao anoitecer, iam para suas casas descansar. Contudo, nossa sociedade atual, o sistema nos impõe estar quase que constantemente trabalhando, a casa se mistura com o trabalho, o dia se mistura com a noite e você nem percebe mais isso. Muitas vezes, os horários de lazer se misturam com os horários de se alimentar. E quando se dá conta, se é que você percebe, já está engolido em uma rotina exaustiva, a qual é, muitas vezes, depressiva e/ou gatilho para ansiedade.

Fonte: Imagem da Internet**

Esse texto é uma mistura de desabafo, alerta e reflexão. Esse texto é quase um relato pessoal de como foi para mim lidar com a quarentena. Me deixei levar pelas minhas obrigações e pela pressão de ter que estar fazendo algo produtivo a todo o momento, já que o ócio não é bem visto pela nossa sociedade, sendo tido como preguiça. Segundo o dicionário Michaelis, ócio é “1- Tempo de descanso; 2- Tempo que dura esse descanso. 4- Aversão a qualquer atividade física ou mental. 5- Qualquer ocupação agradável’’.

As definições são ótimas, adorei. Podemos imaginar que o ócio pode ter um significado totalmente diferente do que temos por definição social. Ele pode ser visto como o tempo em que você para e presta atenção em você mesmo, cuida de você, faz uma comida que você gosta ou, simplesmente, não faz nada. E vale destacar que não há nada errado em não estar fazendo nada.

Entretanto, o que isso tudo tem a ver com saúde mental? Então, entrei em um vórtice tão grande de ter que estar produzindo que não conseguia mais me sentar na frente do computador e não ter uma crise de ansiedade, a mão suava, dava dor de barriga, eu não conseguia mais me concentrar. Meu sono estava totalmente desregulado, assim como minha alimentação, quase inexistente.

Esses e outros fatores me levaram a procurar um tratamento psicológico. E está sendo muito bom não me pressionar tanto e continuar apenas vivendo com qualidade e não apenas sobrevivendo. Se você se sentiu contemplado ou pelo menos percebeu alguns aspectos mencionadas que estão presentes em sua vida nesse momento, PARE TUDO. Repense em como está sua rotina, sua alimentação, seu psicológico. Tire um dia de folga e se puder e for possível deixar para amanhã, deixe.

Não se esqueça que nós só vivemos uma vez e que a nossa vida é preciosa demais para nos deixarmos levar por um sistema tão opressor quanto o nosso pode ser. OCIE-SE.

*descrição: imagem de uma praia com um homem branco sentado com os braços cruzados atrás da cabeça, em uma cadeira de praia com roupas sociais em um dia de sol.

**descrição: desenho de um homem correndo, atravessado por um traço diagonal que o coloca em duas situações. Sua metade do lado esquerdo está com roupas sociais e segura uma pasta preta. E sua metade do lado direito usa roupas de verão e o ambiente é o mar com um coqueiro e uma bola.

Tags: comunicaPET