Programa de Educação Tutorial dos Cursos de Letras da Universidade Federal de Santa Catarina
  • Língua de sinais: um direito da criança surda

    Publicado em 06/12/2022 às 06:18

     

    Por Débora Klug e Hanna Boassi

    Letras-Português

    PET-Letras

    Nos momentos iniciais de nossas vidas, nós temos nossos primeiros contatos com o mundo, com as pessoas, objetos, sensações à nossa volta, e é a partir desses contatos que nos constituímos sujeitos no mundo. A relação do ‘eu’ com o ‘outro’ é importante, pois permite o reconhecimento do ‘outro’ e, assim, o próprio autoconhecimento, em um movimento de individualização intrapessoal, por meio do contato intersocial. Não somos nós que afirmamos isso, e sim um psicólogo bielo-russo do século XX, chamado Lev Vygotsky (apud CAPORALI; DIZEU, 2005).

    A interação com o ‘Outro’ e o mundo é sem dúvidas perpassada pela linguagem e pela língua. Importante destacar a diferença entre as duas. Língua é um conjunto de convenções, estruturas, códigos e regras adotadas por um corpo social. E a linguagem é tudo aquilo que envolve significação, que tem valor semiótico, ou seja, que envolve signos. Sendo assim, a língua é um tipo de linguagem.

    Nós vivemos em um mundo em que a língua oral é imperativa e majoritária, o que ocasiona uma super valorização do oralismo, em contraste com uma desvalorização de outras línguas, não orais. No Brasil existe a Libras — Língua Brasileira de Sinais — utilizada pela comunidade surda. Ainda há pessoas que não dão à ela estatuto de língua, sendo considerada apenas uma alternativa à língua oral e só mais um tipo de linguagem. Mas é importante destacar que a Libras é uma língua com estrutura, regras, gramática, sintaxe, morfologia e todas as outras características que são definidoras de toda e qualquer língua, e assim ela deve ser reconhecida. A Libras não é uma alternativa à língua oral, pois ela é a língua natural dos surdos, isso deve ser esclarecido.

    Porém, somente em 2002 a Libras foi oficializada como um meio legal de comunicação no Brasil; é uma conquista recente e apesar de muitos avanços na luta da comunidade surda, ainda há desinformação, preconceitos e conquistas a serem alcançadas.  Um exemplo disso é a escassez de escolas bilíngues no Brasil. De acordo com uma pesquisa do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), feita em 2020, há apenas 64 escolas bilíngues de surdos no Brasil (GOV.BR, 2021) Isso significa que a maioria das crianças surdas brasileiras não têm oportunidade de ter uma educação em sua língua natural, o que é gravíssimo, se considerarmos o que foi dito inicialmente sobre a importância do contato social para a constituição de sujeitos e a importância da língua nesse processo.

    As crianças geralmente entram na escola com aproximadamente quatro anos, essa idade faz parte do que os estudiosos da linguística chamam de período crítico da aquisição da linguagem. O que quer dizer isso? Quer dizer que existe uma janela de tempo em que a criança está mais sensível e mais apta para aprender uma língua. Há controvérsias sobre qual seria essa janela de tempo em termos exatos, mas podemos entender que é dos primeiros anos da criança até o início da puberdade, mais ou menos.

    É preocupante saber que existem crianças surdas sem oportunidade de um aprendizado em sua língua natural no período em que estão mais propícias para tal. A falta dessa oportunidade pode afetar  seu contato com o mundo, sua socialização, e por consequência, sua constituição como sujeito. Sabemos que não é apenas na escola que se aprende uma língua, esse processo já começa antes do período escolar; mas sabemos também que muitas vezes há crianças surdas que não possuem contato com outros surdos sinalizantes, e é na escola que esse contato é possível. Ou seja, às vezes sem a escola a criança surda é impossibilitada de aprender sua língua natural e socializar com outras pessoas utilizando a língua de sinais.

    Descrição da imagem: No canto inferior esquerdo há uma criança negra sorrindo, e acima dela há duas mãos, também negras, sinalizando. Ao lado há mais duas mãos brancas sinalizando, e no canto superior direito há uma criança branca sorrindo. O fundo da imagem é uma cor verde clara lisa.
    Fonte: Imagem da Internet


    Nós entrevistamos* alguns surdos que nos contaram um pouco de como foi o  processo de aquisição da Libras para cada um. Entrevistamos três pessoas surdas, e todos eles tem uma família ouvinte. Dois entrevistados tiveram a oportunidade de estudar desde cedo em uma escola bilíngue, e outro entrevistado estudou em uma escola inclusiva. É importante destacar a diferença entre essas escolas. A escola inclusiva pode colocar à disposição do aluno surdo um intérprete, mas existem escolas sem intérpretes. Essas escolas se dizem inclusivas, pois apenas aceitam crianças surdas nas salas de aula, mas não tem métodos que atendam à necessidade dos surdos, e nem ensinam a língua de sinais. Em contraste, a escola bilíngue é uma escola em que todos os professores sabem Libras, ensinam a língua de sinais e o Português para as crianças. É um ensino duplo, que valoriza a diferença entre as línguas. Todos os envolvidos, professores e alunos, mantém contato com as duas línguas. Para os surdos, o processo de ensino-aprendizagem e o contato social é muito mais privilegiado numa escola bilíngue do que numa escola inclusiva, pois há ferramentas, métodos e pessoas preparadas para o ensino e comunicação em Libras, assim como o ensino do Português.

    Nosso entrevistado Bruno é um surdo que estudou em uma escola inclusiva. Primeiramente, ele adquiriu o Português, ou seja, é um surdo oralizado, que consegue se comunicar de forma oral, já que passou pelo processo de transplante coclear muito cedo, utilizou aparelho auditivo desde os três anos e fez acompanhamento de fonoaudiologia. Sobre o aprendizado de Libras, ele relata:

    Com sete anos eu aprendi Libras, mas foi escondido. Porque a minha mãe não deixava, e a professora também não deixava. A professora forçava, eu tinha que falar, usar a voz, eu não podia aprender Libras, eles achavam que era negativo. E falou muita coisa negativa pra mim sobre a Libras, sobre língua de sinais, e depois eu discuti muito sobre isso, e eu queria aprender Libras. Eu sabia escrever o português eu sabia oralizar bem, era muito capaz. E minha mãe viu e falou ‘ok, mas eu quero ver como vai o seu seu progresso, vou fazer um teste’. Aí eu falei: ‘ah ok’, aí eu continuei aprendendo libras, e eu falei pra ela: ‘Então, eu parei de oralizar? Não, então eu quero continuar aprendendo Libras’. Aí depois eu adquiri rápido a fluência na língua de sinais, tive convívio com outros surdo, isso até hoje.

     
    Quando o questionamos mais sobre como foi aprender Libras escondido, o que o motivou a isso, Bruno explica:

    Foi assim: eu percebi que eu sentia conforto na língua de sinais, e eu percebi que eu não era igual os outros, eu me sentia diferente. Eu sentia muita influência porque eu tinha que ficar oralizando, usando aparelho, e meus amigos não, eu tinha amigos que não oralizavam , só sinalizavam, e eu tinha que me ajustar para me comunicar com eles. Então foi assim, eu aprendi escondido para me comunicar com meus amigos. E eu tinha um professora que controlava muito, eu não podia mexer as mãos, ela me obrigava a ficar com as mãos abaixadas, era muito ruim. Então foi esse aprendizado escondido, até que a minha mãe me liberou para aprender Libras. E eu tive esse contato com outros surdos para aprender. Antes a professora falava que se eu sinalizasse, ela falava pra minha mãe, ficava contando pra minha mãe que eu ficava sinalizando, e eu ficava incomodado. Aí depois com treze anos que ela foi me liberar para aprender Libras de verdade.

    Através de relatos tão importantes como o de Bruno nós podemos perceber como o ensino inclusivo não é tão positivo quanto se propõe a ser, assim como percebemos que o contato com Libras e surdos sinalizantes é importante e muitas vezes desejado pela própria criança, pois ela se sente mais confortável utilizando língua de sinais. Dada essa realidade, não restam dúvidas quanto à importância e necessidade do aprendizado de Libras desde cedo na vida da criança surda, em prol da sua própria qualidade de vida.

    Como dissemos anteriormente, entrevistamos dois surdos que estudaram na escola bilíngue, e deixamos aqui seus relatos sobre a experiência.
    Andreza, outra das entrevistadas, nos conta:

    Desde criança minha família me levou para a escola de surdos, a escola bilíngue, isso é muito importante, porque eu aprendi Português e Libras juntos, então eu consegui evoluir nas duas línguas, consegui me comunicar, foi mais fácil pra mim aprender os dois, e eu agradeço muito a eles, porque o Português para mim foi um desafio, mas a Libras pra mim era mais fácil, conseguir ver os sinais, pra mim era muito mais fácil.

    Também conversamos com o Gustavo, que nos contou como foi a sua experiência na escola bilíngue:

    Então, quando eu nasci e minha mãe descobriu que eu era surdo ela já começou a buscar informação na área, e aí ela descobriu uma escola para surdos, e naquele momento ela já me levou para a escola para surdos, toda a minha família fez essa integração, começou um curso de Libras, esse aprendizado para se comunicar comigo, e na escola eu já fui aprendendo também língua de sinais. A minha família nunca me impôs o Português, nunca foi imposto nada. Eu tive sorte porque a minha família entendeu que a minha primeira língua é a Língua Brasileira de Sinais e a segunda é o Português […] Então, eu sou muito grato à minha escola por ter ofertado curso de Libras à minha família, toda a minha família foi lá, foi muito rápido esse processo. Em casa às vezes era um pouco limitado, e na escola tinha eventos, dia dos pais, dia das mães, várias datas comemorativas, e minha família sempre ia, participava, achava interessante, tinham esse contato com a língua de sinais, então foi muito maravilhoso todo esse momento da minha escola e essa relação, foi muito legal.

    Através do relato da Andreza e do Gustavo podemos perceber como a escola bilíngue é positiva para a formação individual da criança, quando dá oportunidade de a criança ter o contato com a Libras desde cedo – e aprendê-la junto com o Português. Além disso, a escola cumpre um importante papel no incentivo à socialização e à normalização do uso de Libras pela família da criança surda. Por vezes, a criança nasce em uma família que não sabe Libras, e se a escola pode ofertar um curso para a família, isso claramente tem impacto positivo no desenvolvimento da criança para além de aspectos escolares e de ensino formal somente, mas também em aspectos da socialização e contato interpessoal.

    Em síntese, podemos concluir que é extremamente relevante e necessário na formação da criança surda, como um indivíduo na sociedade, ter o contato desde cedo com a Libras, conviver com pessoas que também sinalizam e ter um ensino de acordo com as suas demandas.

    *Entrevistas realizadas nos dias 03 e 09 de novembro, na sala do PET-Letras (Centro de Comunicação e Expressão, UFSC).

    REFERÊNCIAS

     

    CAPORALI, Sueli Aparecida; DIZEU, Liliane Correia Toscano de Brito. A Língua de Sinais constituindo o surdo como sujeito. Educ. Soc., Campinas, vol. 26, n. 91, p. 583-597, maio/ago. 2005. Disponível em: https://www.scielo.br/j/es/a/LScdWL65Vmp8xsdkJ9rNyNk/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 4 dez. 2022.

    GOV.BR. A educação bilíngue se torna modalidade de ensino independente. 2021. Disponível em: https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2021/08/educacao-bilingue-de-surdos-se-torna-modalidade-de-ensino-independente#:~:text=Atualmente%2C%20h%C3%A1%2064%20escolas%20bil%C3%ADngues,Educacionais%20An%C3%ADsio%20Teixeira%20(Inep).  Acesso em: 30 nov. 2022.


  • “Beijo de Línguas”: a imersão cultural do intérprete no Slam

    Publicado em 29/11/2022 às 08:27

    Por Vitória Cristina Amancio

    Letras – Libras

    Estagiária de Acessibilidade

     

    A Libras, Língua Brasileira de Sinais, tem crescido e alcançado cada vez mais pessoas. Num mesmo movimento, a luta do povo surdo tem crescido igualmente, por busca de direitos e espaços na sociedade. Igualmente, tem crescido o movimento da Slam Poetry, popularmente conhecido como Slam,  um gênero de poesia nascido nas periferias norte-americanas e trazido ao Brasil no ano de 2008, por Roberta Estrela D’alva.

    Descrição da imagem: na imagem, um slammer (poeta) com o microfone se apresentando no evento Slam Estrela D’alva para diversas pessoas

     

    Na comunidade surda, porém, o Slam chega um pouco depois, com o Slam do Corpo, idealizado para que pessoas surdas e ouvintes expressem suas poesias, o orgulho de sua língua, e a longa luta por seus direitos e suas identidades – surdas ou não.

    Descrição da imagem: na imagem, uma poeta surda, de cabelos cacheados, pele branca e roupas pretas, apresenta sua poesia em língua de sinais no evento Slam Estrela D’alva.

    Mas afinal, o que é o Slam? São batalhas e competições de poesias faladas, nas quais se materializam dores, angústias, sofrimentos e as resistência e lutas de certas comunidades. Cresceu e cresce em grupos que sofrem com desigualdades e faltas de direitos. A Slam Poetry pode ser encantadora, emocionante, mas acima de tudo, é sempre um protesto.

    As batalhas podem ser tanto sinalizadas – nas línguas gestuais visuais, neste caso, a Libras – quanto realizadas nas orais auditivas, como o português.

    Porém, como essas línguas perpassam uma para a outra? O tradutor-intérprete é crucial neste movimento, para que várias culturas se encontrem, se relacionem, e acima de tudo, conheçam as lutas pelos direitos de vários grupos. Sendo este movimento conjunto apelidado de “Beijo de Línguas”, por um artista surdo, Leo Castilho, quando a performance da poesia envolve as duas línguas.

    Descrição da imagem: na imagem, um poeta de roupas pretas com a logo do PET-Letras apresenta sua poesia, acompanhado por um intérprete de língua de sinais, que veste preto e sinaliza.

    Sendo assim, não deveria o intérprete (Português-Libras) conhecer todas essas lutas? Conhecer todas estas vivências? Transitar entre essas culturas?

    Para interpretar estas vozes, não bastam apenas conhecimentos literários e poéticos, mas também conhecimentos extralinguísticos, que ultrapassam sinais e palavras e alcançam vivências. É essa a tarefa de nós, intérpretes e participantes ativos dos slams.


  • Do arrebatamento das despedidas

    Publicado em 16/11/2022 às 09:41

    Por Sofia Quarezemin

    Letras – Português

    Bolsista PET-Letras UFSC

     

    Poucos dias, duas despedidas; semana difícil para os emepebeseiros.

    Milton Nascimento findou sua carreira neste domingo, 13 de novembro, numa despedida icônica e sensível, agraciada por tantas vozes e tantas célebres lágrimas. A turnê A última sessão de música andou pelo Brasil, pela Europa e pelos Estados Unidos marcando 60 anos de carreira e 80 de vida. Para a tristeza dos manezinhos, não passou pela ilha. Uma obra tão vasta e relevante realmente merecia uma despedida dos palcos tão bonita, “só dos palcos mesmo, da música, jamais”, diz o artista no vídeo de divulgação da turnê.

    Diante da tristeza de ver se encerrar algo tão grandioso, fica a vontade do não-fim, a esperança do mais uma vez, mais uma canção, mas a última sessão de música precisava chegar pela urgente ação do tempo, e chegou em tom de emoção. Não se pode deixar de notar o feito raríssimo que é uma turnê de encerramento. A inteligência e sensibilidade em saber o momento de parar, ou a própria certeza do trabalho concluso, fazem dessa turnê um espetáculo à parte porque se trata do artista consagrando sua própria trajetória. Não um tributo ou uma homenagem de fãs ao músico, mas o contrário: A última sessão de música é, segundo o próprio Bituca, um presente de agradecimento aos fãs, uma ponta de areia, um ponto final cuja generosidade não se mede.

    Para mexer com todos os corações, não fosse suficiente o teor saudosista da despedida, a abertura do show foi dedicada à Gal Costa. A cantora baiana findou em 9 de novembro (por curiosidade, dividindo data de falecimento com Cecília Meireles). Esse encerramento, que não a permitiu encontrar seu momento de parar, é tão curioso que a fez ganhar um show todinho em seu nome. Uma homenagem de um amigo sincero que amava tanto a força estranha de sua voz e que emocionou a todos cantando aquelas duas horas e meia que eram de encontro e também de despedida.

    Imagem: Gal e Milton

    FonteBlog do Cardosinho (2022)

    Descrição de imagem: Trata-se de um retrato onde estão abraçados Gal Costa e Milton Nascimento. Ela usa uma camisa azul, cabelos volumosos e batom vermelho. Ele usa uma camiseta preta, cabelos trançados e uma boina bege. Ambos se olham e sorriem. Ao fundo, céu azul, uma estrada e montanhas.

    Não me adapto à ideia do eterno, mas definitivamente há vozes que não conseguem acabar, porque quem morre de noite nunca mais acorda e quem morre de manhã nunca mais dorme. Quem morre de coração não sabe, mas o peito arde e se abre. Quem morre de dor sabe que só pode aprender uma lição que não vai servir de nada quando se encerrar a travessia. Há vozes que não conseguem acabar. Da notícia repentina da morte de Gal, fica a imensa vontade de gritar seu nome Gal. O nome Gal mais alto, feito de forças estranhas entre flores e estrelas. Uma voz Gal, um corpo tropical, um grito qualquer, uma cólera fa-tal. Essa constante agonia elétrica e bastante brasileira carrega o nome Gal. O imaginário festivo, São João e Carnaval, carregam a voz Gal.


  • Cologne Summer Schools: my experience as an international student

    Publicado em 31/10/2022 às 09:19

    Por Vítor Pluceno Behnck
    Letras – Inglês
    Bolsista PET-Letras UFSC

    Since I was a child, I was always interested in foreign countries and cultures. I remember having a Larousse Encyclopedia (when the internet was not an accessible resource yet) where I would spend hours and hours staring at the countries’ flags and asking myself why the Nepalese flag had such a triangular design. The thing is: I always wanted to figure out the world and what is out there. The fact that when you cross an imaginary line there may be people speaking other languages and living in ways differently than I do always brightened my eyes.

    I discovered that this was more possible than I thought in 2012 when my brother was selected by the Sciences Without Borders program (in Portuguese Ciências Sem Fronteiras – CsF) to study for two years in France with a full scholarship. I was a teenager at that time, and those two years completely changed my ambitions and my perception of how interesting it is to be an internationalized citizen. With the help of the government through public policies for Education, Science, and Innovation, people from the same background that I had were able to become better professionals and academics due to an international mobility experience.

    That was the moment the idea of doing academic mobility started to chase me — or I started to chase it. In High School, I was selected as a semifinalist for the Youth Ambassadors Program from the Embassy of the United States in Brazil — almost there! After that, I started my undergraduate course in English at the Federal University of Santa Catarina in 2019. One year later, in March 2020, the pandemic paralyzed academic activities and my dreams of traveling abroad as a scholarship holder. 

    Two years later, in 2022, it seemed that things were finally coming back to normal. We had vaccines, students were back at the universities, and I was in the final year of my undergraduate course. At that time, I was already dealing with the possibility of not having an international experience during my undergraduate course. The lots of answers telling me “thank you for your application, but no” were already part of my routine. After years of preparation and effort, I finally received a yes: on July 2nd, 2022, I received an e-mail from Cologne Summer Schools (CSS) offering me a full scholarship for a two-and-a-half-week summer school in Cologne, Germany. That was one of the most amazing days of my life.

    One month and a few days later, I was in Germany. There, we had a lot of lectures on Inequality of Opportunity, which was the main topic of summer school. We visited the Haus der Geschichte Bonn (the House of the History of the Federal Republic of Germany), and local breweries in Cologne, and had the nicest time ever in an organ concert in the Cologne Cathedral. One of the most important things that I learned from summer school is that, in the entire world, we all have similar problems — most of them result from inequalities and the privileges of some social groups over others. To fight against inequality and create the conditions for people to aspire is necessary if we want to evolve as a society — otherwise, we will need to deal with the same issues that we face nowadays cyclically.

    As a member of the University of Cologne KölnAlumni WELTWEIT, which is the official network for University of Cologne alumni, I invite you to get to know Cologne Summer Schools (clicking here) and apply to this wonderful program. Being part of CSS certainly change my life and my understanding of who I am, what the world is, and how many good opportunities there are in life. After that, I felt more prepared to tackle the issue of inequality in my country with an internationalized vision, fighting for social justice in a broader conception of it.

    *Photo description: there is a group of students from different nationalities in front of the entrance of the House of the History of the Federal Republic of Germany in Bonn, Germany. Half of them are standing up, and half of them are crouching. The floor is dark and the wall behind them is made of big blocks of concrete, where it is possible to partially see the writings: “Haus der Geschichte der Bundesrepublik Deutschland”.


  • Carolina de Jesus: literatura, língua e resistência

    Publicado em 25/10/2022 às 10:34

    Por Laiara Serafim

    Letras – Português

    Bolsista PET – Letras

     

    Neta de escravos e filha de uma lavadeira analfabeta, Carolina Maria de Jesus (1914-1977) é, atualmente, considerada uma das maiores escritoras do país. Nascida no interior de Minas Gerais, na cidade de Sacramento. Carolina, apesar de ter cursado apenas a primeira e a segunda série do ensino fundamental, logo desenvolveu a paixão pela leitura e pela escrita. Aos 16 anos, Carolina mudou-se com sua família para São Paulo, onde trabalhou como catadora de papel e criou os seus três filhos .

    Buscando um escape do seu cotidiano, Carolina encontrava na escrita o seu refúgio. Assim, foi nos cadernos velhos encontrados no lixo que Carolina começou a escrever, publicando seus primeiros poemas no ano de 1950 pelo jornal O Defensor. No entanto, sua principal obra trata-se do romance Quarto de despejo: diário de uma favelada, que narra relatos e sensações reais do cotidiano de uma mãe solteira, moradora da favela e catadora de papel.

    Descrição da imagem: A imagem é uma foto em preto e branco de Carolina Maria de Jesus. Carolina, uma mulher de pele negra, está escorada em uma parede enquanto olha para a câmera. Sua expressão é séria, mas também doce. Ela veste uma camisa de gola V e usa um lenço na cabeça que cobre todo o seu cabelo que está preso.

    Atualmente, obras da autora, como Quarto de Despejo e Diário de Bitita são leituras obrigatórias dos principais vestibulares do país. Entretanto, por um grande período de tempo, suas obras sofreram um apagamento. Apesar de ter recebido reconhecimento e premiações na época do lançamento de Quarto de despejo, após a publicação, Carolina foi praticamente esquecida pelo mercado editorial, o que a levou a trabalhar novamente como catadora de papel. Postumamente, levou anos para que Carolina começasse a receber algum reconhecimento na academia, por toda a importância histórica e cultural de suas obras.

    Dentre muitos aspectos singulares que marcam as obras de Carolina estão a relevância histórica, por ser uma das primeiras mulheres negras a publicarem livros no Brasil, e a narrativa dura e cruel da vida real de uma mulher preta e favelada no século XIX. Porém, para além dos aspectos sociais, as obras de Carolina também são marcadas por uma subjetividade sensível, que leva o leitor a questionamentos profundos. Dentro de todos esses aspectos está a linguagem utilizada por Carolina, que colocam em xeque, para a crítica especializada e para os leitores e leitoras, o próprio conceito de língua padrão.

    Desde as primeiras publicações de suas obras, a linguagem de Carolina é sempre carregada de polêmicas e discussões dentro da academia, dividindo muitos críticos entre aqueles que defendem a manutenção da linguagem e dos traços de oralidade e aqueles que defendem uma  reforma e correção segundo a norma padrão na escrita de Carolina. Assim, não seria diferente com as novas edições das obras de Carolina Maria de Jesus, da editora Companhia das Letras, publicadas em 2020, que trouxeram à tona algumas polêmicas, ao decidirem, junto ao conselho formado para editar as obras da autora, manter os traços originais das obras. Segundo Luiz Rebinski, em texto escrito para o jornal Rascunho: “[…]Esse foi o gatilho para o início de uma discussão quente que envolve escritores, revisores e críticos de diversas matizes […]. A professora Regina Dalcastagnè, do Departamento de Teoria Literária da Universidade de Brasília (UnB), tem se manifestado nas redes sociais criticando a decisão da editora. Para ela, a manutenção dos erros de grafia tem o efeito de “reduzir Carolina Maria de Jesus à sua baixa escolaridade […]”.

    Entretanto, segundo Conceição Evaristo e  Vera Eunice de Jesus (2020), no prefácio da nova edição de Casa de Alvenaria , “[…] nossa proposta foi deixar a literatura, a escrita de Carolina poder ser, sem as tantas interferências que aconteceram nas publicações passadas e mesmo em algumas mais recentes”. Regina Dalcastagnè também levanta pontos importantes, como a ideia de não reduzir Carolina a sua baixa escolaridade e não compreender as suas obras como sendo apenas sobre os temas da fome e da miséria. Entretanto, é fundamental ressaltar que as obras de Carolina são também reflexos da vida precária e cercada por preconceitos que ela viveu. Acreditar que manter os textos com a sua escrita original seria, de alguma forma, rebaixar a grande autora que foi Carolina Maria de Jesus, é um reflexo de pensamentos elitistas que circundam a literatura e a academia. A linguagem utilizada por Carolina expressa a sua variação linguística e não apaga em nenhum aspecto a subjetividade e a genialidade da sua escrita. Obras literárias são compostas não somente por seu conteúdo literário, mas também por sua estética, forma e linguagem. Assim como Guimarães Rosa, em o Grande Sertão Veredas, uma linguagem própria que se torna característica do livro; Carolina, da sua forma e com sua singularidade, utiliza a sua variação linguística para escrever as suas obras e criar os seus mecanismos de linguagem.

    Por séculos, e até os dias atuais, a língua foi utilizada como um mecanismo de segregação e opressão. Conforme Bagno (1999), o Brasil apresenta uma rica variedade cultural que é manifestada no uso que se faz da língua e, portanto, ocorre no uso uma manifestação das relações de poder, em que, o modo de uso da língua de um determinado grupo dominante é valorizado em detrimento dos demais usos da minorias sociais. Desse modo, as obras de Carolina representam o início de uma quebra com o cenário de segregação e uma resistência aos padrões impostos pelo sistema dominante em defesa do respeito às variações linguísticas pertencentes à população brasileira.

    Por fim, fica a forte de recomendação para a leitura das obras de Carolina Maria de Jesus, nos textos originais e também daqueles que possuem a correção ortográfica, para, assim, ampliarmos o debate sobre variação e preconceito linguístico.

     

    REFERÊNCIAS

    BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. 49. ed. São Paulo: Loyola, 1999.

    OLIVEIRA, Ana Maria Urquiza. A linguagem antirracista no discurso de protesto de Carolina Maria de Jesus –: variação linguística como marca de estilo e identidade. In: SÁ, Edmilson José de (org.). Apenas três…: discussões temáticas em língua, literatura e ensino. Arcoverde: Kandarus, 2021. p. 100-118. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Ana-Luiza-Couto/publication/353669637_A_escrita_ortografica_de_candidatos_do_ENEM_um_estudo_reflexivo/links/6109825a1ca20f6f86fcb1ae/A-escrita-ortografica-de-candidatos-do-ENEM-um-estudo-reflexivo.pdf#page=10. . Acesso em: 14 out. 2022.

    PRADO, Luiz. Carolina Maria de Jesus é referência para quem contesta o poder. Jornal da USP, 2021 Disponível em: https://jornal.usp.br/cultura/carolina-maria-de-jesus-e-referencia-para-quem-contesta-o-poder/. Acesso em: 14 out. 2022.

    REBINSKI, Luiz. Novas edições reacendem polêmicas sobre Carolina Maria de Jesus. Jornal Rascunho, 2021. Disponível em: https://rascunho.com.br/noticias/novas-edicoes-reascendem-polemicas-sobre-carolina-maria-de-jesus.  Acesso em: 16 out. 2022..


  • Quatro musicais sobre momentos históricos

    Publicado em 24/10/2022 às 18:16

    Por Manoela Beatriz dos Santos Raymundo

    Letras – Inglês

    Bolsista PET-Letras

     

    Muitos musicais de teatro ficaram mais famosos com a vinda dos streamings, como Heathers, Dear Evan Hansen, entre outros. Boa parte desses musicais mencionados se passam em contexto escolar, mas alguns – que ficaram famosos – retratam momentos e contextos históricos marcantes e até alguns não muito mencionados atualmente. É a história de alguns deles que passo a contar, brevemente, e a recomendar.

    1 – Six: Six é um musical britânico de 2017, adaptado em 2021 pela Broadway, escrito por Toby Marlow e Lucy Moss, que conta a história das seis esposas de Henrique VIII, rei da Inglaterra de 1509 a 1547. A premissa do show, proposta pelas esposas, é de contar sobre a vida de cada uma. Ao final, o público decidir quem sofreu mais, esta será a líder do grupo.

    Descrição Imagem 1: Um quadrado preto escrito “Six” no centro, com o ponto do I sendo uma coroa dourada. Logo abaixo temos os sobrenomes das seis esposas em ordem: Aragão, Bolena, Seymour, Cleves, Howard e Parr.

    Com uma visão mais contemporânea dos acontecimentos, usando de referências atuais para retratar alguns momentos, Six é o mais curto dos quatro musicais mencionados aqui, com cerca de uma hora de duração, com menos músicas do que boa parte dos musicais. Six ganhou dois Tony Awards em 2022 de Melhor Figurino e Melhor Design de Som, mas por ser um musical recente, ainda não possui muitas premiações.

    2 – Les Misérables: Les Misérables (ou Les Mis) é um musical francês de 1980 composto por Claude-Michel Schönberg, adaptado em 1887 pela Broadway e em 2012 para os cinemas por Tom Hopper. O musical baseia-se no romance de Victor Hugo e se passa nos cenários da revolução do século XIX.

    Diferente de Six, Les Mis não pode ser classificado como uma comédia. Contando uma história mais séria, Les Mis ganhou o Tony de melhor musical em 1987; já o filme ganhou o Oscar em algumas categorias como a de Melhor Atriz Coadjuvante, com Anne Hathaway, tendo sido aclamada pela crítica por  “ser a melhor atriz a interpretar Fantine”. Foi também indicado a melhor filme em 2013, perdendo para Argo.

    Descrição Imagem 2: Fundo roxo escuro com uma menina de cabelo comprido usando uma boina preta no centro (representando Cosette, filha de Fantine), atrás dela uma bandeira. As cores do desenho se assemelham às cores da bandeira da França sendo, da esquerda para a direita, vermelho, brando e azul. Abaixo do desenho tem escrito Les Misérables, seguido abaixo pelo nome dos compositores do musica.

    3 – Hamilton: Adaptado pela Broadway e composto por Lin-Manuel Miranda em 2015, Hamilton conta a história da vida do pai fundador Alexander Hamilton. Este musical retrata os altos e baixos da vida de Alexander, seu período em guerra e fora dela.

    É um musical extenso, estando disponível nas plataformas de streaming online da Disney, e possui vários momentos que relatam a independência dos EUA da Inglaterra. Hamilton foi um recordista, sendo nomeado a dezesseis Tony e ganhando onze, incluindo melhor musical, em 2016.

    Descrição Imagem 3: Um fundo dourado com a metade de cima sendo mais clara que a de baixo. No centro, uma estrela preta, com a ponta de cima sendo trocada pela silhueta de um homem apontando para cima. Sobrepondo a estrela temos escrito Hamilton, Um musical americano.

    4 – Chicago: Chicago é um musical baseado na história de duas mulheres, Velma e Roxie, acusadas de assassinato, respectivamente, pela morte de seu marido e sua irmã –

    depois de ter pego eles juntos, em 1924. A história mostra de uma sátira à justiça criminal e pelo conceito de celebridade criminal que gira em torno delas ao voltarem ao show business pela ajuda do advogado Billy Flynn.

    Descrição Imagem 4: Um fundo vermelho com vários brilhos brancos. No centro temos o nome “Chicago”, virado na vertical de baixo para cima no mesmo tom de vermelho do fundo, mas cercado por um retângulo preto. Em ambos os lados do nome, temos uma mulher, uma com o cabelo comprido e uma curta, vestindo lingeries pretas, ambas mulheres  em escala de cinza.

    Vencedor de seis Tony Awards, Chicago é o segundo musical com mais performances da Broadway, ficando atrás somente de O Fantasma da Ópera. Escrito por Maurine Dallas Watkins, em 1975, e recomposto em 1996, na Broadway, por John Kander e Fred Ebb, Chicago é um dos maiores clássicos dentre os musicais e é um dos favoritos da crítica desde seu lançamento. Há uma versão também premiada do musical para o cinema lançado em 2002, com Renée Zellweger e Catherine Zeta-Jones nos papéis centrais.

    Certamente, esses quatro musicais são apenas um recorte de um amplo universo, que chega até aqueles mais densos, como Dancer in the Dark. O que os diferencia é justamente o apelo histórico e o jogo que fazem entre a realidade dos fatos e a fantasia. São musicais interessantes para aqueles que tem apreço pelos temas históricos e são uma ótima maneira de se aprofundar no mundo dos musicais.


  • Seleção de Voluntários/as/es para o PET

    Publicado em 13/10/2022 às 17:22

     

    O PET-Letras torna público o processo seletivo para preenchimento de até 02 (duas) vagas para estudantes não bolsistas — voluntários(as) — do Programa de Educação Tutorial. Podem se inscrever estudantes dos Cursos de Graduação em Letras da UFSC que tenham disponibilidade de 20 (vinte) horas semanais e que atendam aos requisitos apresentados no edital, que pode ser consultado AQUI.

     

    Resultado da Primeira Etapa

    Izabel Bayerl Bonatto – aprovada

    A entrevista com a candidata será realizada no dia 17 de novembro, às 13h, na sala do PET.


  • PET IDIOMAS | Resultado da seleção e ensalamento

    Publicado em 10/10/2022 às 14:46

    Abaixo você encontra a relação de turmas, horários, salas e ESTUDANTES SELECIONADOS(AS)!

     

    Turma 1 (PRESENCIAL)

    Profa. Susana Echeverria
    Monitora Daniely de Lavega

    CCE Bloco A – Sala 206

    Espanhol (nível 1)

    RESULTADO: CLIQUE AQUI

    Segundas-feiras, das 12h às 13h30minInício dia 10 de outubro
    Turma 2 (PRESENCIAL)
    Profa. María Teresa García-Casillas
    Monitora Franciane Rodrigues
    CCE Bloco A – Sala 227
    Espanhol (nível 2) Turma cancelada
    Turma 3 (ONLINE)
    Profa. Dienifer Leite
    Monitora Laiara Serafim
    Inglês (nível 2)

    RESULTADO: CLIQUE AQUI

    Quartas-feiras, das 14h às 15h30minInício dia 12 de outubro
    Turma 4 (PRESENCIAL)
    Profa. Andreza Batista
    Monitora Vitória Amancio
    CCE Bloco A – Sala 227
    Libras (nível 1) – turma A

    RESULTADO: CLIQUE AQUI

    Terças-feiras, das 14h às 15h30minInício dia 11 de outubro
    Turma 5 (PRESENCIAL)
    Prof. Gustavo Flores
    Monitora Mariane Pordeus
    CCE Bloco A – Sala 227
    Libras (nível 1) – turma B

    RESULTADO: CLIQUE AQUI!

    Quartas-feiras, das 14h às 15h30minInício dia 12 de outubro
    Turma 6 (PRESENCIAL)
    Profa. Angelo Perusso
    Monitora Hanna Boassi
    CCE Bloco A – Sala 206
    Portugês para Estrangeiros (nível 1)  Turma cancelada
    Turma 7 (PRESENCIAL)
    Prof. Sofia Quarezemin
    Monitora Andres Salas
    CCE Bloco A – Sala 206
    Italiano (nível 1) 

    RESULTADO: CLIQUE AQUI

    Terças-feiras, das 16h às 17h30minInício dia 11 de outubro

     

     

    OBS: As turmas 2 (Espanhol nível 2) e 6 (Português para estrangeiros) foram canceladas devido a empecilhos de horário e número insuficiente de inscritos. 
    ATENÇÃO: ESTEJA ATENTO(A) AOS HORÁRIOS. CHEGUE UM POUCO ANTES NO DIA DA PRIMEIRA AULA (AS SALAS ESTÃO INDICADAS ACIMA).

     


  • PET IDIOMAS – Novas turmas

    Publicado em 30/09/2022 às 10:38

     

    Quer aprender uma nova língua ou aperfeiçoar suas habilidades comunicativas?

    Então aproveite essa oportunidade: cursos gratuitos de diferentes línguas!

     

    As inscrições do PET-Idiomas estão abertas das 12h00 do dia 30 de setembro de 2022 às 15h00 do dia 7 de outubro de 2022.

    1) as inscrições somente serão realizadas por meio do sistema de inscrições da UFSC no período indicado acima;

    2) cada candidato poderá se inscrever em SOMENTE UMA TURMA e cada turma terá o máximo de 25 alunos;

    3) os cursos são gratuitos e abertos a todos e a todas e compreendem 15 horas presenciais e 15 horas de desenvolvimento de estudos e aprendizagem extraclasse requeridas pelos professores;

    4) os cursos ocorrerão presencialmente na UFSC ou de forma remota, on-line, através da plataforma WebConf, cujo link será disponibilizado para os alunos no início das aulas;

    5) as vagas serão distribuídas por meio de sorteio e o aluno deverá verificar as listas das turmas que serão disponibilizados neste site no dia 8 de outubro a partir das 18h00;

    6) durante a primeira semana de aulas (ENTRE OS DIAS 10 E 14 DE OUTUBRO), será realizada uma segunda chamada, caso haja desistências (será considerada desistência a ausência à primeira aula, sem justificativa oficialmente registrada);

    7) as aulas têm início previsto para a semana do dia 10 de outubro de 2022 e término até o dia 14 de dezembro de 2022, conforme o cronograma de cada turma;

    8) a matrícula será realizada na primeira aula e o aluno deverá se comprometer a frequentar as aulas e a concluir o curso, sob pena de não mais poder concorrer a vagas em atividades promovidas pelo PET-Letras;

    9) a certificação será concedida mediante 75% de frequência aos encontros e aproveitamento satisfatório, avaliado pelo(a) professor(a).

    10) nesse semestre serão oferecidas turmas de NÍVEL 1 e NÍVEL 2.

    Abaixo você encontra a relação de turmas e horários. Inscreva-se APENAS PARA UMA TURMA!

     

     

    Turma 1 (PRESENCIAL)

    Profa. Susana Echeverria
    Monitora Daniely de Lavega

    CCE Bloco A – 
    Sala 206

    Espanhol (nível 1)

    CLIQUE AQUI!

    Segundas-feiras, das 12h00 às 13h30

    Início dia 10 de outubro

    Turma 2 (PRESENCIAL)
    Profa. María Teresa García-Casillas
    Monitora Franciane Rodrigues
    CCE Bloco A – Sala 227
    Espanhol (nível 2)

    CLIQUE AQUI!

    Quartas-feiras, das 18h30 às 20h00

    Início dia 12 de outubro

    Turma 3 (ONLINE)
    Profa. Dienifer Leite
    Monitora Laiara Serafim
    Inglês (nível 2)

    CLIQUE AQUI!

    Quartas-feiras, das 14h00 às 15h30

    Início dia 12 de outubro

    Turma 4 (PRESENCIAL)
    Profa. Andreza Batista
    Monitora Vitória Amancio
    CCE Bloco A – Sala 227
    Libras (nível 1)

    CLIQUE AQUI!

    Terças-feiras, das 14h00 às 15h30

    Início dia 11 de outubro

    Turma 5 (PRESENCIAL)
    Prof. Gustavo Flores
    Monitora Mariane Pordeus
    CCE Bloco A – Sala 227
    Libras (nível 1)

    CLIQUE AQUI!

    Quartas-feiras, das 14h00 às 15h30

    Início dia 12 de outubro

    Turma 6 (PRESENCIAL)
    Profa. Angelo Perusso
    Monitora Hanna Boassi
    CCE Bloco A – Sala 206
    Portugês para Estrangeiros (nível 1)

    CLIQUE AQUI!

    Terças-feiras, das 12h00 às 13h30

    Início dia 11 de outubro

    Turma 7 (PRESENCIAL)
    Prof. Sofia Quarezemin
    Monitora Andres Salas
    CCE Bloco A – Sala 206
    Italiano (nível 1)

    CLIQUE AQUI!

    Terças-feiras, das 16h00 às 17h30

    Início dia 11 de outubro

     

    ATENÇÃO: A identificação de inscrições duplicadas em mais de uma turma implicará no cancelamento completo da inscrição.

     


  • Rupturas y transcendencias: ¿quiénes son los hijos de la Chingada?

    Publicado em 26/09/2022 às 10:13

    Por Pedro Pedrollo do Santos
    Becario PET Letras
    Letras Español

     

    La historia, que no nos podía decir nada sobre la naturaleza de nuestros sentimientos y de nuestros conflictos, sí nos puede mostrar ahora cómo se realizó la ruptura y cuáles han sido nuestras tentativas para trascender la soledad.

    (El laberinto de la soledad, p.36)

     

    El laberinto de la soledad” (1950) es una de las obras del poeta, escritor y ensayista mexicano Octavio Paz. Ese importante ensayo de la literatura hispanoamericana ha influido en el pensamiento y en la literatura de lengua española. Paz — Premio Nobel de Literatura en 1990 — presenta una visión singular sobre la esencia de la individualidad mexicana y profundiza en las causas históricas responsables por quien son los mexicanos. Haciendo hincapié en la realidad histórica de México, el escritor analiza rasgos de la identidad nacional mexicana: expresiones, actitudes, gestos, ideas, costumbres, tendencias y ganas del pueblo. Desde el punto de vista del autor, la naturaleza y constitución del mexicano es el resultado de un largo proceso de transformación histórica en el que el mestizaje tiene un papel central.

     

    Imagen 1 – Octavio Paz

    Fuente: imagen de internet

    Descripción de la imagen 1: La imagen en blanco y negro muestra a Octavio Paz en una especie de bosque, vestido con un traje y sentado en una silla mientras sostiene un libro abierto.

    Para presentar la obra, elegimos el cuarto ensayo: “Los hijos de la Malinche”. En ese ensayo, Octavio Paz señala que México es impar con cosas buenas y malas tanto en las costumbres y cultura cuanto en la historia y tradición. En sus propias palabras: “Las circunstancias históricas explican nuestro carácter en la medida que nuestro carácter también les explica a ellas. Ambas son lo mismo.” (p. 30). Para él, los mexicanos al igual que su país son únicos con sus propios enigmas, contradicciones, misterios, ambigüedades e imprevisibilidades. Así como en los demás ensayos, en el cuarto ensayo se examina la cultura y el lenguaje mexicano y se demuestra que hasta las “groserías” (en específico la chingada y sus variaciones) tienen un porqué social, cultural e histórico.

    Es importante mencionar que el título del ensayo hace referencia a la Malinche (traductora y amante de Hernán Cortez, la que abrió las puertas a la conquista de México), esa figura abstracta y ambigua tan traicionera o más bien estigmatizada en la cultura: hija de la Chingada, que “es una de las representaciones mexicanas de la Maternidad, como la Llorona o la ‘sufrida madre mexicana’” (p. 31). La Chingada — la madre que traicionó a los hijos — abrió una herida en la sociedad mexicana y, por lo tanto, todos los mexicanos son hijos de la Chingada, al igual que la Malinche. El escritor reflexiona de modo crítico sobre el caso y el hecho de que los mexicanos son hijos de una violación, es decir de la violencia de colonización española.

     

    Descripción de la imagen: La imagen en blanco y negro es una pintura de Malinche, posa con un traje tradicional de su pueblo que es claro con algunas líneas geométricas, lleva un adorno de forma ovalada en la cabeza junto a una pluma, también lleva collares y pulseras.

     

    A partir de esa figura mítica y de las ideas de Rubén Darío sobre la palabra “chingada”, Paz analiza el verbo “chingar” y sus innumerables usos y significados en el México y además en la cultura española y en la hispánica. Según él, conocer el verbo “chingar”, sus usos y variaciones, permite que se esté al tanto de la mexicanidad, pues “La palabra chingar, con todas estas múltiples significaciones, define gran parte de nuestra vida y califica nuestras relaciones con el resto de nuestros amigos y compatriotas. Para el mexicano la vida es una posibilidad de chingar o de ser chingado” (p. 31). Como contraposición, el autor habla de la virgen de Guadalupe. Sin embargo, al reflexionar sobre La Chingada y La Virgen destaca la pasividad de las dos figuras que son la encarnación de la condición femenina.

    En síntesis, Octavio Paz nos invita a reflexionar junto a los mexicanos sobre su constitución histórica, política y social: una invariable búsqueda de su identidad y de encontrarse a sí mismos como nación. ¿Qué hace diferentes a los mexicanos? Parece ser la pregunta que invita al lector a saber quiénes son los mexicanos. Pregunto: ¿Quieres conocer las singularidades de México y de su pueblo? ¿Quieres entender más las relaciones de México con los demás países hispánicos y con España? Si contestas afirmativamente a esas preguntas, seguro que uno de los caminos más agradables, principalmente para los amantes de la historia y de la literatura, es la variada obra de Octavio Paz. Por lo tanto, elija “El laberinto de la soledad” y empieza un viajé en la historia, tradición y cultura mexicanas. ¡Disfrútala!

     

    REFERENCIA

    PAZ, Octavio. Los hijos de la Malinche. In: PAZ, Octavio. El laberinto de la soledad. 2. ed. México: Cátedra, 1992. p. 27-36.