Programa de Educação Tutorial dos Cursos de Letras da Universidade Federal de Santa Catarina
  • O Gênero Terror: Por que o medo atrai público e por que gostamos de sentir medo?

    Publicado em 20/06/2022 às 15:19

    Manoela Beatriz dos Santos Raymundo,
    Bolsista PET-Letras
    Letras Inglês

    Você já se perguntou o por que o medo atrai tanto público? Então, vamos conversar um pouco sobre isso. O gênero terror sempre foi um atrativo para muitos, que foi por séculos se modificando e enriquecendo obras literárias, cinematográficas e afins. Entretanto, muitos ainda confundem o gênero terror com o horror. Por mais que andem juntos em certas obras, o terror não implica necessariamente o sobrenatural ou o irreal, como é costumeiro do horror, por exemplo Frankenstein de Mary Shelley

    Fonte: Imagem da Internet*

    O terror, mesmo que muitas vezes associado ao horror, não fica para trás quanto à questão de aterrorizar o público. São muitas as ferramentas usadas para causar medo. O detalhamento exagerado, seja de locais ou de emoções, usado muito por Edgar Allan Poe em suas obras traz uma sensação sufocante ao leitor, as descrições psicológicas que beiram a insanidade de cada narrador apresentado por Poe traz desconforto, sendo um dos principais recursos usado por ele.

    Se opondo ao detalhamento exagerado de Poe, temos outra ferramenta muito usada: a falta dele. Alguns escritores acreditam que o desconhecido é o maior medo do homem, e isso é muito visto em “Caixa de Pássaros” de Josh Malerman, em que a agonia e a ansiedade vem juntas com o medo ao presenciarmos o “monstro” do livro. Sem ter descrição de como a criatura é, a imaginação do próprio leitor o condena, pois o maior medo que alguém pode sentir é aquilo que você mesmo imagina ser assustador.

    Fonte: Imagem da Internet**

    Mas afinal, por que sentimos medo? E por que, mesmo sendo considerado uma sensação ruim, gostamos de gêneros como o terror e o horror? O medo é uma reação desencadeada pelo sentimento de perigo, seja real ou imaginário. Essa reação nos leva a um estado de adrenalina, fazendo com que o corpo libere endorfina (substância ligada também ao prazer). Então, assim como existem pessoas que gostam da adrenalina na prática esportes de risco, há também aqueles que gostam da adrenalina decorrente do sentir medo, seja assistindo um filme, lendo um livro, ouvindo uma música ou analisando uma pintura ou desenho. Esse desconforto gera medo, desencadeando a adrenalina do corpo e nos fazendo sentir prazer em sentir medo.

    É interessante pensar como somos atraídos pelo medo e pelo desconhecido. Talvez um dos motivos de autores como Stephen King, Joe Hill e Neil Gaiman serem tão populares nos dias de hoje, séries como Stranger Things, Supernatural, American Horror Story e A Maldição da Residência Hill bombarem tanto, é o fato de estarem trazendo o gênero terror para além do público que normalmente se atrai ao gênero. O terror vem crescendo, e junto dele, mais e mais, recursos para se causar medo vem sendo usados. Agora me diga, o que te causa medo?

    Descrição 01*: Desenho em fundo branco de um corvo pousado em cima de um crânio humano, ambos olhando levemente para cima. Há uma assinatura no canto inferior direito do desenho.

    Descrição 02*: Capa do livro “Caixa de Pássaros” de Josh Malerman. Temos um fundo em tons de cinza com o título “Caixa de Pássaros” no centro, com a letra “O” representando uma lua e dois pássaros voando da esquerda para a direita por cima da letra. No topo da capa está escrito: “Um livro que deve ser lido de uma vez só. Ninguém havia escrito uma história de terror como essa antes – Hugh Howey, Autor de Silo.” Logo abaixo do título está escrito: Não abra os olhos, em fonte grande. E na base da capa, está o nome do autor: Josh Malerman


  • Slam Estrela D’Alva: participe com a gente no dia 05 de julho!

    Publicado em 15/06/2022 às 15:35

    O próximo Slam está previsto para ocorrer na terça-feira, dia 05 de julho de 2022, às 18h00min., no Varandão do CCE UFSC.

    As inscrições para Slammers já estão abertas! Para se inscrever é necessário preencher o formulário e enviar três poemas, sendo que não são aceitos poemas com discurso de ódio.

    Inscrições de Slammers: clique aqui!

    Sobre o primeiro Slam!

    No dia 31 de maio, o Programa de Educação Tutorial dos Cursos de Letras (PET-Letras) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) realizou, no Varandão do CCE, o primeiro Slam da UFSC. O Slam Estrela D’Alva: competição de poesia falada popular na UFSC é uma ação integrante de um dos projetos estruturantes do PET-Letras, o “PET-Eventos: planejamento e organização”.

    O Slam Estrela D’Alva, apresentado pelo petiano Angelo Perusso, contou com nove slammers competindo, sete poetas se apresentando no “verso livre”, cinco jurados e uma plateia de mais de 80 pessoas. O evento contou com a interpretação Libras-português realizada pelas estudantes do Bacharelado em Letras Libras e estagiárias de acessibilidade do PET-Letras: Mariane Pordeus e Vitória Amancio.

    Fonte: YouTube do PET-Letras

    Diversas questões sociais, políticas e econômicas foram abordadas pelos competidores que trouxeram à tona suas críticas e suas reflexões sobre a periferia, a violência, a ancestralidade, o racismo, a cidadania e a desigualdade social, por exemplo. Após as três rodadas de apresentação, seguidas das notas dadas pelos jurados, o vencedor do Slam foi Jaci, seguido por MVHS, em segundo lugar; e por WD em terceiro.

    Fonte: Arquivo Pessoal

     

     


  • A importância da construção identitária: relatos de uma migrante nortista

    Publicado em 08/06/2022 às 14:32

    Franciane Rodrigues,
    Bolsista PET-Letras
    Letras Libras

    Nortista, nascida e criada em Macapá, capital do estado do Amapá, localizada no extremo norte do país. Como muitos outros acadêmicos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) também me afastei do meu local de conforto — lar, familiares e amigos — em busca do futuro promissor: estudar em uma universidade de renome, morar em uma cidade com mais segurança, educação, saúde e com diversas oportunidades de crescimento profissional e acadêmico. 

    Fonte: Imagem de arquivo pessoal*

    Em processos de mudanças geográficas temos em mente que existirão desafios, porém, na ansiedade e inquietação das transformações, minha maior preocupação foi focar no custo de vida, encontrar um lugar para morar, conseguir emprego e tratar das demais questões relacionadas à minha estadia em Florianópolis. 

    Sempre soube que eu precisava de coragem, que nessa trajetória poderia enfrentar o racismo e a xenofobia por ser uma mulher retinta, nortista, com traços físicos que ressaltam minha ancestralidade, minha descendência indígena. Quando residente em Macapá, nunca parei para pensar sobre minha forma de ser em relação a aspectos identitários, para me analisar como integrante de um determinado grupo no que se refere a todas essas características e vivências que me cercam e me fazem ser quem sou.

    O fato é que todos possuem sua identidade cultural. Os elementos vivenciados, nossas realidades, nos caracterizam, simbolizam e representam. Tais elementos são constituintes da construção identitária de um grupo e dos indivíduos inseridos nele, também podem ser considerados uma espécie de “sentimento de pertencimento” (OLIVEIRA, 2011, p. 139).

    É importante entender que cada pessoa possui a sua “auto identidade” que se refere ao entendimento que cada um desenvolve sobre si mesmo ao decorrer da vida. A “auto identidade” realça as diferenças e suas construções através do processo psicossocial de reconhecimento próprio (OLIVEIRA, 2011, p. 157). Portanto, as identidades estão diretamente ligadas às nossas experiências de vida, localização geográfica, manifestações culturais e interação social. 

    Meu desenvolvimento em Macapá foi maravilhoso, repleto de vivências culturais. Porém, também com desafios que me fizeram querer mudar, pois, apesar de bela e acolhedora, Macapá também tem seus pontos negativos, como qualquer outra capital. A cidade possui o segundo pior índice de educação sendo o pior entre as capitais do país, e lidera o ranking de cidades com o pior saneamento básico, o nono pior índice em segurança, sendo o terceiro pior entre as capitais. Todas essas vivências fazem parte de quem sou, das bandeiras que levanto em prol do meu povo, das lutas que enfrentei como nortista macapaense e que compõem a minha atual identidade. 

    Por outro lado, temos muitos aspectos positivos também. Não deixo de falar das comidas do norte — como o vatapá, o tacacá, a maniçoba, o tucupi e o famoso açaí com peixe, sempre presentes na mesa de minha família —, da temperatura sempre alta, que faz com que seja impossível usar roupa de frio, das redes atadas em todos os quartos da casa, das palavras cotidianamente usadas por nós — como, por exemplo, carapanã, e égua, entre outras que nós sempre reconhecemos —, dos passeios em família na orla do Rio Amazonas, dos banhos de rios nos balneários, aos finais de semana, com músicas regionais de Zé Miguel, Amadeu Cavalcante e Melody (representantes do estilo musical do norte do país). 

    Fonte: Imagem de arquivo pessoal**

    Todas essas vivências, que são parte do povo macapaense, contribuíram para a minha formação identitária, que até então era desconhecida por mim. Entretanto, todas essas vivências me foram retiradas quando me mudei para o Sul do país, onde as manifestações culturais e diversas outras vivências são completamente diferentes daquelas que vivenciei durante todo meu desenvolvimento no norte do país.

    Assim, após me lançar nesse ato de coragem e atravessar o país sozinha em busca das minhas realizações pessoais foi que entendi a importância da minha construção identitária, a importância de me enxergar, de me aceitar e de me posicionar como nortista.  Algumas vezes, meu “sentimento de pertencimento” foi desestabilizado e, até mesmo, cheguei a me invalidar e inferiorizar por me sentir diferente dentro do contexto em que, atualmente, estou inserida. 

    Como mulher retinta e com traços indígenas ressaltados, cheguei a pensar que se eu me encaixasse na estética “branca” poderia ser mais desejada, mais aceita, e não apenas vista como “exótica”, como já fui literalmente denominada. Considerei que eu deveria aprender a me vestir, a me portar e a falar como “eles” para que eu fosse vista como “igual”; que meu conhecimento não era algo relevante e agregador para meu novo contexto. Deste modo, minha autoestima física e intelectual foram abaladas. Embora sempre tenha sentido orgulho de minhas raízes, era como se eu precisasse me “disfarçar”. Tudo isso, me fez recuperar e valorizar a minha identidade.

    E quem eu sou é o que eu vivi, são os grupos sociais com quem tive trocas culturais, são os diálogos e as vivências que desenvolvi na minha terra. Quem eu sou e de onde eu vim é o que eu vivo. Somos inteiramente indivíduos e intrinsecamente seres sociais. E nossas identidades vivem em constante mudança. São nos momentos de crise, de instabilidade, de insegurança que as identidades culturais, preferencialmente,  manifestam-se e se afirmam (SANTOS, 2011, p. 146). Em meio a essa crise, precisei passar pelo exercício de me enxergar, de entender que, para ter segurança e me empoderar, eu teria que ter uma boa relação comigo mesma e iniciar isso pela valorização da minha identidade cultural e auto identidade, assumindo o  compromisso comigo mesma de ser quem sou. 

    Todo esse processo de mudança, intensificado pelo choque cultural, fez com que o desenvolvimento pessoal e a construção identitária, com todos os seus detalhes e sutilezas, se tornassem elementos fundamentais de meu posicionamento no mundo e de minha compreensão e análise dos fenômenos socioculturais. O fato é que, se enxergamos a cultura como dinâmica e, por sua vez, mutável, não estável, também entenderemos que cada grupo e seus integrantes não assumem sentidos estáticos e idênticos. Portanto, fortalecer as raízes culturais do meu eu nortista, intensificar meu compromisso e processo de reafirmação é fundamental. E tudo que sou, deixo de ser e me torno se mistura às novas vivências culturais que venho tendo no sul, já que meu processo de construção identitária é contínuo e permanente. 

    Descrição de imagem*: fotografia em preto e branco de uma moça sentada de costas em um balanço na beira de um rio.  A direita da imagem, aparece uma ponte alta sobre o rio Mazagão, a maré está baixa. Ao fundo, é possível identificar algumas árvores sob o céu repleto de nuvens. No centro da imagem, em primeiro plano, a menina se embala no balanço com os braços levantados em direção ao horizonte na beira do rio.

    Descrição de imagens**: Da esquerda para direita. Na primeira linha: Imagem 01: fotografia colorida de várias pupunhas juntas, fruto nativo da região amazônica. O fruto é redondo, pequeno, em tons de laranja, estão presas em vários cabinhos. Imagem 02: Fotografia colorida, de ângulo superior. Sobre uma mesa de madeira rústica estão postas três tigelas de açaí e farinha de mandioca, acompanhado de um prato com peixe frito, salada e arroz. No canto direito superior da imagem uma mão segura a primeira tigela de cor laranja, no canto direito inferior outra mão segura a segunda tigela de cor azul pastel, no lado esquerdo a terceira tigela de cor azul vibrante. No canto esquerdo da imagem uma mão segura um pedaço de peixe frito. Na linha de baixo: Imagem 03: fotografia colorida em ângulo superior, no centro da imagem sobre folhas de samambaia uma mão segura um cupuaçu, fruta típica da região amazônica. A fruta  tem formato oval e está  aberta ao meio, com casca de cor marrom e grossa, no interior do fruto a poupa branca. As folhas das samambaias ao fundo são verdes escuras. Imagem 04: Fotografia colorida do rio Pedreira com árvores ao fundo, localizada na comunidade Santo Antônio da Pedreira no Amapá. No canto superior direito, há uma folhagem de árvore em tom verde escuro, observa-se o céu coberto de nuvens brancas, o dia está claro e ensolarado.  No rio, as árvores espelhadas nas águas.

    Referências

    MACHADO, Laura. Macapá lidera ranking de cidades com o pior saneamento básico: ‘Uso água do vizinho’, diz moradora que paga R$ 50 para acessar poço. 2022. Disponível em: https://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2022/03/23/macapa-lidera-ranking-de-cidades-com-o-pior-saneamento-basico-uso-agua-do-vizinho-diz-moradora-que-paga-r-50-para-acessar-poco.ghtml. Acesso em: 6 jun. 2022.

    OLIVEIRA, Patrícia de. Narrativas identitárias e construções subjetivas: considerações teóricas e análise empírica de identificações entre jovens das classes populares. Civitas: Revista de Ciências Sociais, [S. l.], v. 11, n. 1, p. 156-171, 13 jul. 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/civitas/a/NPwmvnLkY7whpyMGK944cph/?lang=pt#. Acesso em: 6 jun. 2022.

    SANTOS, Luciano dos. As Identidades Culturais: proposições conceituais e teóricas. Rascunhos Culturais, Coxim, v. 2, n. 4, p. 141-157, jul./dez. 2011. Disponível em: http://revistarascunhos.sites.ufms.br/files/2012/07/4ed_artigo_9.pdf. Acesso em: 6 jun. 2022.


  • Vicissitudes do amor em “Sonho de uma noite de verão” de Shakespeare

    Publicado em 02/06/2022 às 09:54

    Pedro Pedrollo dos Santos,
    Bolsista PET-Letras
    Letras Espanhol

    Amor é quando é concedido participar um pouco mais. Poucos querem o amor, porque amor é a grande desilusão de tudo o mais. E poucos suportam perder todas as outras ilusões. […] Amor é não ter. Inclusive amor é a desilusão do que se pensava que era amor. Clarice Lispector, Felicidade Clandestina.

    William Shakespeare, nascido em Stratford-upon-Avon, Inglaterra, em 23 de abril de 1564, é um dos escritores mais proeminentes de sua época. Ele ganhou visibilidade e projeção mundial com suas obras, destacando-se na produção de tragédia, drama, comédia, poesia e romance. O autor viveu boa parte de sua vida na Inglaterra governada pela rainha Elisabete I, que reinou de 1558 a 1603. Nesse período, teria surgido e se destacado o que se chamou de teatro elisabetano — um relevante marco da história do teatro no ocidente (ANDRADE, 2013).

    Considerado poeta, dramaturgo e ator, Shakespeare produziu em inglês tornando-se uma inspiração e influência a diversos poetas e dramaturgos que o sucederam e, devido a isso, tem sido visto como o grande poeta nacional da Inglaterra e como o poeta de “Bardo do Avon”. A produção de Shakespeare engloba mais de 35 peças, quatro poemas, sendo dois deles poemas narrativos, e 154 sonetos escritos na época do renascimento, período marcado pelo antropocentrismo, ou seja, pela valorização do homem e da razão em oposição à fé religiosa. Além disso, “eram grandes as dificuldades criadas pelas forças conservadoras [de sua época] para impedir mudanças significativas no plano das instituições políticas, das relações socioeconômicas, da cultura e dos costumes” (KONDER, 2007, p. 115).

    Sonho de uma noite de verão — em inglês, A midsummer night’s dream — de Shakespeare não tem uma data exata de publicação. Entretanto, por suas características acredita-se que tenha sido escrita/encenada no período de 1595-1596, junto a outras obras do autor, como Romeu e Julieta — em inglês, Romeo and Juliet. Considera-se que essa obra representa bem o estilo de um conjunto de obras de Shakespeare, sendo uma das mais encenadas e conhecidas em todo o mundo, segundo Rafaelli (2016). A obra segue a perspectiva de comédia ao apresentar uma trama de amores “não correspondidos” que vivenciam circunstâncias adversas, mas divertidas, as quais são provocadas pela ação de algumas criaturas mágicas que, ao final dos acontecimentos, levam as personagens a acreditaram que o que teriam vivenciado não passaria de um sonho.

    Em Sonho de Uma Noite de Verão, a mitologia grega está presente […] Essa peça é uma das comédias de maior aceitação popular de Shakespeare […] Sonho de Uma Noite de Verão nos mostra uma forte ligação com a cultura popular, além de misturar elementos reais e fantásticos que proporcionam um clima de magia e encantamento […] é uma peça que fala sobre “sonhos”, possui um caráter que transcende a lógica formal, de cunho mágico e sensual, além de trazer consigo uma grande bagagem cultural, social e histórica. (ANDRADE, 2013, p. 31-32).

    Em síntese, pode-se dizer que o enredo se desenvolve a partir de uma conexão amorosa entre as personagens principais, a saber, Helena que ama Demétrio, que ama Hérmia, que ama Lisandro, que também a ama (esse seria único casal que se amaria reciprocamente). Todavia, o casal possui um impedimento, já que o pai de Hérmia quer que ela se case com Demétrio. Essa situação a leva a decidir fugir com Lisandro. Assim, os dois — Lisandro e Hérmia —, marcam um encontro. Ao irem para seu encontro no bosque vivenciam uma situação inesperada, visto que o local é habitado por criaturas mágicas — duendes, elfos e fadas — que empregam encantos para “brincar” com os casais apaixonados. Helena e Demétrio também vão para o mesmo bosque. E é, exatamente, nesse contexto, de uma tensa noite de verão, que toda a trama se desenrola. Ao final da trama, Oberon — o rei das fadas — desfaz muitos dos encantos e as personagens despertam, ao amanhecer, sendo levados a acreditar que tudo teria sido mero sonho, ainda que não entendessem bem o porquê estariam ali.

    A imagem retrata uma cena colorida e com muitos seres mágicos de várias espécies e tamanhos, espalhados entre flores, troncos e árvores, e nas mais diversas posições e composições ao redor do Rei e da Rainha das fadas: Oberon e Titânia. Oberon tem pele clara, uma roupa transparente dourada sobre o corpo, com colares e braceletes dourados, há um véu de seda salmão, enrolado no pescoço e voando como uma capa. Em sua mão direita, segura duas lanças prateadas. Ele olha para Titânia, à sua direita. Titânia tem o corpo esbelto, branco e reluzente, envolto em um véu transparente e brilhante da cintura para baixo, cabelos loiros, asas brancas brilhantes, pés descalços. Ela tem os olhos voltados para Oberon à sua esquerda.
    Fonte: Pintura de Joseph Noel Panton “A contenda de Oberon e Titânia”*

    Pode-se notar que as obras shakespearianas são bem densas e interagem com diversas fontes utilizadas por Shakespeare. A intertextualidade está bem presente em suas obras, o que pode ser notado nas muitas menções e referências a outras produções. Segundo Rafaelli,

    Sonho de uma noite de verão mantém, inclusive, uma curiosa relação com Romeu e Julieta, pois parece emular de forma cômica o tema da tragédia na representação burlesca da peça dentro da peça denominada A mais lamentável comédia e a morte mais cruel de Píramo e Tisbe (The most lamentable comedy and most cruel death of Pyramus and Thisbe), encenada por uma trupe de palhaços. O leitmotiv é o mesmo: amantes que sofrem a interdição familiar amam-se em segredo, mas por causa de um desencontro chegam a um fim trágico, com a amante matando-se sobre o corpo do amado morto; contudo, o tom de uma e outra é totalmente diverso, como se Shakespeare estivesse se autorreferenciando ao trocar a máscara da tragédia pela da comédia. (2016, p. 7-8, grifos meus).

    Tanto em Sonho de uma noite de verão quanto em Romeu e Julieta a temática do amor parece ser o eixo estruturante da trama. Konder destaca que “em muitas de suas obras [de Shakespeare], ele (ou algum de seus personagens) fala do amor” (2007, p. 116). Considerando a temática do amor em Shakespeare e o modo como ela é abordada, vemos que o autor está preocupado em demonstrar diversos aspectos do amor, tanto nas personagens que amam de forma distinta quanto nas diferentes ações que esse amor provoca nelas e a partir delas.

    Como em Romeu e Julieta: “E o que o amor pode fazer, ele precisa ousar fazê-lo”. Ou em Vênus e Adônis: “Vai, aprende; a lição é fácil. / E uma vez aprendida, ela nunca se esquece”. E em Henrique V: “Ame um soldado, como eu, e você estará amando um rei. Diga com franqueza, o que você acha desse meu amor?”. Ou ainda em Trabalhos de amor perdidos: “O amor é cheio de caprichos extravagantes; é arteiro como uma criança”. E também em Sonho de uma noite de verão: “Hermia: Quanto mais eu o detesto, mais ele me persegue. Helena: Quanto mais eu o amo, mais ele me detesta”. E, por fim, Como quiserem: “No amor, o sangue enlouquece, a vontade faz concessões” e “Posso lhe garantir: o amor é pura loucura. Merece, como os loucos em geral, o chicote e a solitária”. (KONDER, 2007, p. 116).

    Nas peças de Shakespeare “os problemas da vida amorosa ganham uma expressão mais forte” (KONDER, 2007, p. 116). Além disso, esse amor se desenvolve em um contexto social, político e cultural específico, o qual tem impactos e influências no modo como esse amor será ou não desencadeado.

    Um dos aspectos do amor, representados em Sonho de uma noite de verão, é os desencontros de diversas ordens, as irrealizações e as muitas adversidades que o amar provoca. Como exemplo, poderíamos dizer que o amor em suas muitas facetas se faz presente podendo ser realidade ou fruto da imaginação, humano ou mágico, podendo se findar em tragédia, como no caso de Romeu e Julieta, ou mesmo em comédia, como se passa com as personagens de Sonho de uma noite de verão.

    Nesse sentido, as vicissitudes do amor — seus decursos e insucessos — poderiam ser colocadas como uma perspectiva de análise da obra, visto que o amor idealizado, projetado, desejado, não correspondido ou mesmo proibido caracteriza as personagens e estimula sua ação na trama, tornando-as vítimas de seu próprio amor.

    Por fim, vemos que os amores e os afetos humanos estão representados em algumas obras shakespearianas, e inclusive em Sonho de uma noite de verão, demonstrando que as vicissitudes do amor exigem a ação efetiva das personagens que buscam seus espaços no amar, tomam iniciativas, fazem opções e são, muitas vezes, surpreendidas pelos acasos do amar, ilustrados, no caso da obra analisada, na figura dos seres mágicos que interferem no que poderia ser o processo natural dos desdobramentos ou não do amor.

    Que tal refletir um pouco mais sobre o amor e suas vicissitudes lendo as obras de William Shakespeare!

    *Descrição da Imagem: A imagem retrata uma cena colorida e com muitos seres mágicos de várias espécies e tamanhos, espalhados entre flores, troncos e árvores, e nas mais diversas posições e composições ao redor do Rei e da Rainha das fadas: Oberon e Titânia. Oberon tem pele clara, uma roupa transparente dourada sobre o corpo, com colares e braceletes dourados, há um véu de seda salmão, enrolado no pescoço e voando como uma capa. Em sua mão direita, segura duas lanças prateadas. Ele olha para Titânia, à sua direita. Titânia tem o corpo esbelto, branco e reluzente, envolto em um véu transparente e brilhante da cintura para baixo, cabelos loiros, asas brancas brilhantes, pés descalços. Ela tem os olhos voltados para Oberon à sua esquerda.

    Obra de referência:

    SHAKESPEARE, William. Sonho de uma noite de verão. Trad. Rafael Raffaelli. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2016. 199 p. (Edição bilíngue: português e inglês)

    Referências Bibliográficas:

    RAFAELLI, Rafael. Introdução. In: SHAKESPEARE, William. Sonho de uma noite de verão. Trad. Rafael Raffaelli. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2016. pp. 7-11. (Edição bilíngue: português e inglês).

    ANDRADE, Mislainy Patrícia de. Procedimentos tradutórios e dimensões da figura feminina em Sonho de Uma Noite de Verão, de William Shakespeare. 2013. 117 f. Dissertação (Mestrado). Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Departamento de Letras, Goiânia, 2013.

    KONDER, Leandro. Shakespeare e as turbulências do amor. In: KONDER, Leandro. Sobre o amor. São Paulo: Boitempo, 2007. pp. 115-120. (Marxismo e literatura)


  • GRUPOS DE ESTUDO E INTERAÇÃO 2022 – INSCRIÇÕES

    Publicado em 25/05/2022 às 16:17

    Abaixo a relação de GEPETs de 2022.2 (maio a julho):

    GEPET 01 – Divulgação Científica na Área de Letras (PRESENCIAL)

    Coordenação: Vitor Hochsprung (UFSC/ PPGL)
    Monitoria: Hanna Boassi
    Segundas-feiras, das 18h às 20h
    VAGAS: 20
    (Discentes e docentes da área de Letras)
    Início: 06 de junho

    Inscrições: http://inscricoes.ufsc.br/gepet-1 

     

    GEPET 02 – Usabilidade das plataformas digitais para o “novo normal”: a educação de surdos integrada na perspectiva da educomunicação (ON-LINE)

    Coordenação: Fabiana Ferreira da Silva (UFSC/ Letras Libras)
    Monitoria: Franciane Rodrigues
    Terças-feiras, das 09h às 11h
    VAGAS: 10
    (Interessados no tema)
    Início: 07 de junho

    OBS: Contará com interpretação para Libras.

    Inscrições: http://inscricoes.ufsc.br/gepet-2

     

    GEPET 03 – Poesia italiana em tradução (ON-LINE)

    Coordenação: Cláudia Tavares Alves (UFSC/DLLE/Letras-Italiano)
    Monitoria: Sofia Quarezemin
    Sextas-feiras, das 15h às 17h
    VAGAS: 30
    (Estudantes de Letras e interessados em poesia italiana e/ou tradução de poesia)
    Início: 03 de junho

    Inscrições: http://inscricoes.ufsc.br/gepet-3

     

    GEPET 04 – Clube de leitura de escritoras brasileiras do século XIX (ON-LINE)

    Coordenação: Karolina Adriana da Silva (UFSC/PPGLit)
    Monitoria: Laiara Serafim
    Terças-feiras, das 10h às 12h
    VAGAS: 20
    (Interessados em literatura de autoria feminina e/ou em literatura oitocentista)
    Início: 07 de junho

    Inscrições: http://inscricoes.ufsc.br/gepet-4

     

    GEPET 05 – Sinaliza PET (PRESENCIAL)

    Coordenação: Equipe do Letras Libras (UFSC)
    Monitoria: Mariane Pordeus, Vitória Amancio e Gustavo Flores
    Sextas-feiras, das 12h às 14h
    VAGAS: 40
    (Estudantes de Letras Libras ou sinalizantes interessados em praticar a língua)
    Início: 03 de junho

    Inscrições: http://inscricoes.ufsc.br/gepet-5

     

    GEPET 06 – Felipa de Sousa – Grupo de Estudos Lesbocentrados – 2ª edição (ON-LINE)

    Coordenação: Sofia Quarezemin
    Monitoria: Débora Klug
    Sábados, das 15h às 17h
    VAGAS: 30
    (mulheres lésbicas interessadas em discutir produções literárias e audiovisuais que refletem a lesbianidade)
    Início: 28 de maio

    Inscrições: http://inscricoes.ufsc.br/gepet-felipadesousa2022


  • O pichador de setenta anos: as cores de uma cidade.

    Publicado em 24/05/2022 às 22:04

    Angelo Perusso,
    Bolsista PET-Letras
    Letras Português

    Em Porto Alegre, a 470 quilômetros ao sul de Florianópolis, é absolutamente impossível passar por qualquer rua da região central da cidade sem se deparar com um adesivo ou uma pichação que diga “Toniolo”. Geralmente, os adesivos vem acompanhados de alguma crítica política, mas, às vezes, levam só o nome de seu autor. O problema de contar essa história é que quem não vive em Porto Alegre não faz ideia da proporção. Os adesivos preenchem o chão do centro da cidade, não é possível dar 10 passos sem cruzar com um deles. Pessoas da minha geração, a dos anos 2000, e até da geração de meus irmãos, dos anos 1990, raramente sabem a verdadeira história por trás desses adesivos. Lá em casa já se teorizou de tudo, mas nunca chegamos perto do que era de verdade.

    Aos 76 anos, Sérgio José Toniolo, um senhorzinho muito carismático, cola de 400 a 500 adesivos por dia pelas ruas de Porto Alegre, e afirma que, quando mais novo, chegou a colar 1800 por dia. O senhorzinho vai andando pela rua, abaixa, cola o adesivo, então passa o pé em cima para firmar bem e, assim que está bem colado, parte para o próximo. Mas o que há de mais interessante nisso tudo é a história que o levou a desenvolver esse curioso hábito. Toniolo era policial civil no período ditatorial. Revoltado contra o sistema, como ainda o é, escrevia crônicas em que reivindicava direitos ao povo, colocava o dedo na ferida do governo. Tanto os jornais quanto a própria polícia proibiam suas crônicas de serem publicadas, mas foi só em 1982, quando Toniolo tentou se lançar como deputado estadual e teve sua candidatura embargada ilegalmente, que o homem de 37 anos começou a pichar.

    Fonte: Imagem da Internet

    Em 1984, Toniolo teve a ideia que fez com que seu nome ficasse conhecido em Porto Alegre. Enviou para todos os jornais da cidade o aviso de que no dia 17 de janeiro, às 17h horas, ele picharia o Palácio Piratini, que é a sede do governo do estado do Rio Grande do Sul. No dia anterior, Toniolo deu até entrevista para uma rádio, que também entrevistou o chefe da Casa Militar, que afirmou que estariam esperando Toniolo “de braços abertos”. Ninguém, absolutamente ninguém na cidade inteira, apostava que ele fosse conseguir. Chegado o dia, Toniolo ficou dentro da igreja que fica ao lado do Palácio, e um minuto antes das cinco o homem saiu da igreja e foi em direção ao palácio, chegando ao cordão de policiais da Brigada Militar, ele disse “boa tarde, irmãos”, e os policiais caíram no seu disfarce de padre. A TV, os porto-alegrenses viram a parede do Palácio Piratini amanhecer com uma pichação que dizia “TONIOL” porque na hora de fazer o “O” ele foi descoberto e detido pela polícia, mas aí, a desmoralização já estava completa, e também estava completo o grande feito de Toniolo: a primeira pichação com hora marcada da história.

    Hoje, 40 anos após começar, Toniolo afirma: “Meu protesto não adianta nada, eu não convenço ninguém.”. De acordo com o pichador, protesto que tem impacto verdadeiros são aqueles com cartazes e gritos, que lotam as ruas, mas cada um tem que fazer alguma coisa, e esse é o jeito dele de participar. Além disso, afirma ele, se parar agora, vai engordar. A maioria dos cidadãos de Porto Alegre nem sabem que Toniolo existe, mas todos por lá conhecem seu nome.

    Fonte: O próprio Toniolo, em Entrevista ao jornalista em quadrinhos Pablito Aguiar.

    *Descrição da imagem: A foto mostra um gramado verde, sobre o qual há uma escultura, que é composta de colunas dispostas na diagonal para a esquerda, de cor cinza, que atravessam um disco largo e marrom. No centro do disco marrom há uma pichação, em cor branca, que contém o seguinte texto: TONIOLO. Mais ao fundo, vemos algumas árvores, o céu cinzento e prédios no canto superior direito.


  • RELAÇÃO DAS TURMAS COM OS(AS) ESTUDANTES SELECIONADOS(AS)

    Publicado em 22/05/2022 às 00:21

    Abaixo você encontra a relação de turmas, horários, salas e ESTUDANTES SELECIONADOS(AS)

    TURMA 1
    (PRESENCIAL)

    Profa. Sophia Valentim de Andrade
    Monitora Daniely de Lavega

    Francês (nível 1)

    RELAÇÃO DE ESTUDANTES

    Quartas-feiras, das 12h10 às 13h40
    Início dia 25 de maio

    SALA: 246 (CCE, BLOCO A)

    TURMA 2
    (PRESENCIAL)

    Prof. Hassur Mikael Dambrós Scapin
    Monitora Manoela Raymundo

    Italiano (nível 1)

    RELAÇÃO DE ESTUDANTES

    Terças-feiras, das 12h10 às 13h40
    Início dia 24 de maio

    SALA: 246 (CCE, BLOCO A)

    TURMA 3
    (PRESENCIAL)

    Prof. Giorgio Buonsante
    Monitor Angelo Perusso

    Italiano (nível 1)

    RELAÇÃO DE ESTUDANTES

    Quartas-feiras, das 14h00 às 15h30
    Início dia 25 de maio

    SALA: 248 (CCE, BLOCO A)

    TURMA 4
    (PRESENCIAL)

    Prof. Leonardo Machado Peres
    Monitora Franciane Rodrigues

    Inglês (nível 1)

    RELAÇÃO DE ESTUDANTES

    Sextas-feiras, das 18h00 às 19h30
    Início dia 27 de maio

    SALA: 246 (CCE, BLOCO A)

    TURMA 5
    (PRESENCIAL)

    Profa. Dienifer Leite
    Monitora Laiara Serafim

    Inglês (nível 1)

    RELAÇÃO DE ESTUDANTES

    Quintas-feiras, das 12h10 às 13h40
    Início dia 26 de maio

    SALA: 246 (CCE, BLOCO A)

    TURMA 6
    (PRESENCIAL)

    Prof. Vinicius da Silva Floriano
    Monitora Emmanuele Santos

    Japonês (nível 1)

    RELAÇÃO DE ESTUDANTES

    Sextas-feiras, das 12h10 às 13h40
    Início dia 27 de maio

    SALA: 248 (CCE, BLOCO A)

    TURMA 7
    (PRESENCIAL)

    Profa. Susana Echeverria
    Monitor Pedro Pedrollo

    Espanhol (nível 1)

    RELAÇÃO DE ESTUDANTES

    Terças-feiras, das 12h10 às 13h40
    Início dia 24 de maio

    SALA: 248 (CCE, BLOCO A)

    TURMA 8
    (PRESENCIAL)

    Profa. María Teresa García-Casillas
    Monitor Andres Garcés

    Espanhol (nível 1)

    RELAÇÃO DE ESTUDANTES

    Segundas-feiras, das 14h00 às 15h30
    Início dia 23 de maio

    SALA: 248 (CCE, BLOCO A)

    TURMA 9
    (ON-LINE)

    Prof. Diogo Assis Pereira
    Monitoras Vitória Amancio e Mariane Pordeus

    Libras (nível 1)

    RELAÇÃO DE ESTUDANTES

    Quartas-feiras, das 15h00 às 16h30
    Início dia 25 de maio

    https://conferenciaweb.rnp.br/webconf/pet-letras-ufsc

    TURMA 10
    (PRESENCIAL)

    Prof. Gustavo da Silva Flores
    Monitora Mariane Pordeus

    Libras (nível 1)

    RELAÇÃO DE ESTUDANTES

    Terças-feiras, das 14h00 às 15h30
    Início dia 24 de maio

    SALA: 238 (CCE, BLOCO A)

    TURMA 11
    (PRESENCIAL)

    Profa. Andreza Vitória Bobsin Batista
    Monitora Vitória Amancio

    Libras (nível 1)

    RELAÇÃO DE ESTUDANTES

    Quintas-feiras, das 14h00 às 15h30
    Início 26 de maio

    SALA: 248 (CCE, BLOCO A)

    TURMA 12
    (PRESENCIAL)

    Profa. Emmanuele Santos e Prof. Angelo Perusso
    Monitora Débora Klug

    Português para estrangeiros (nível 1)

    RELAÇÃO DE ESTUDANTES

    Segundas-feiras, das 12h10 às 13h40
    Início dia 23 de maio

    SALA: 246 (CCE, BLOCO A)

    ATENÇÃO: ESTEJA ATENTO(A) AOS HORÁRIOS.CHEGUE UM POUCO ANTES NO DIA DA PRIMEIRA AULA (AS SALAS ESTÃO INDICADAS ACIMA).


  • Seleção de estudantes para os cursos de línguas – PET-Idiomas 2022.1

    Publicado em 17/05/2022 às 18:01

    Quer aprender uma nova língua ou aperfeiçoar suas habilidades comunicativas?


    Então aproveite essa oportunidade:
    cursos gratuitos de diferentes línguas!

    As inscrições do PET-Idiomas estão abertas das 12h00 do dia 18 de maio de 2022 às 15h00 do dia 21 de maio de 2022.

    1) as inscrições somente serão realizadas por meio do sistema de inscrições da UFSC no período indicado acima;

    2) cada candidato poderá se inscrever em SOMENTE UMA TURMA e cada turma terá o máximo de 25 alunos;

    3) os cursos são gratuitos e abertos a todos e a todas e compreendem 15 horas presenciais e 15 horas de desenvolvimento de estudos e aprendizagem extraclasse requeridas pelos professores;

    4) os cursos ocorrerão presencialmente na UFSC ou de forma remota, on-line, através da plataforma WebConf, cujo link será disponibilizado para os alunos no início das aulas;

    5) as vagas serão distribuídas por meio de sorteio e o aluno deverá verificar as listas das turmas que serão disponibilizados neste site no dia 22 de maio a partir das 18h00;

    6) durante a primeira semana de aulas (ENTRE OS DIAS 23 E 27 DE MAIO), será realizada uma segunda chamada, caso haja desistências (será considerada desistência a ausência à primeira aula, sem justificativa oficialmente registrada);

    7) as aulas têm início previsto para a semana do dia 23 de maio de 2022 e término até o dia 27 de julho de 2022, conforme o cronograma de cada turma;

    8) a matrícula será realizada na primeira aula e o aluno deverá se comprometer a frequentar as aulas e a concluir o curso, sob pena de não mais poder concorrer a vagas em atividades promovidas pelo PET-Letras;

    9) a certificação será concedida mediante 75% de frequência aos encontros e aproveitamento satisfatório, avaliado pelo(a) professor(a).

    10) nesse semestre só serão oferecidas turmas de NÍVEL1. Provavelmente, algumas turmas de conversação em diferentes línguas serão oferecidas no PET-Grupos nas próximas semanas. Fique atento!

    Abaixo você encontra a relação de turmas e horários. Inscreva-se APENAS PARA UMA TURMA

    TURMA 1 (PRESENCIAL)

    Profa. Sophia Valentim de Andrade
    Monitora Daniely de Lavega

    Francês (nível 1)

    CLIQUE AQUI!

    Quartas-feiras, das 12h10 às 13h40
    Início dia 25 de maio
    TURMA 2 (PRESENCIAL)

    Prof. Hassur Mikael Dambrós Scapin
    Monitora Manoela Raymundo

    Italiano (nível 1)

    CLIQUE AQUI!

    Terças-feiras, das 12h10 às 13h40
    Início dia 24 de maio
    TURMA 3 (PRESENCIAL)

    Prof. Giorgio Buonsante
    Monitor Angelo Perusso

    Italiano (nível 1)

    CLIQUE AQUI!

    Quartas-feiras, das 14h00 às 15h30
    Início dia 25 de maio
    TURMA 4 (PRESENCIAL)

    Prof. Leonardo Machado Peres
    Monitora Franciane Rodrigues

    Inglês (nível 1)

    CLIQUE AQUI!

    Sextas-feiras, das 18h00 às 19h30
    Início dia 27 de maio
    TURMA 5 (PRESENCIAL)

    Profa. Dienifer Leite
    Monitora Laiara Serafim

    Inglês (nível 1)

    CLIQUE AQUI!

    Quintas-feiras, das 12h10 às 13h40
    Início 26 de maio
    TURMA 6 (PRESENCIAL)

    Prof. Vinicius da Silva Floriano
    Monitora Emmanuele Santos

    japonês (nível 1)

    CLIQUE AQUI!

    Sextas-feiras, das 12h10 às 13h40
    Início dia 27 de maio
    TURMA 7 (PRESENCIAL)

    Profa. Susana Echeverria
    Monitor Pedro Pedrollo

    Espanhol (nível 1)

    CLIQUE AQUI!

    Terças-feiras, das 12h10 às 13h40
    Início dia 24 de maio
    TURMA 8 (PRESENCIAL)

    Profa. María Teresa García-Casillas
    Monitor Andres Garcés

    Espanhol (nível 1)

    CLIQUE AQUI!

    Segundas-feiras, das 14h00 às 15h30
    Início dia 23 de maio
    TURMA 9 (ON-LINE)

    Prof. Diogo Assis Pereira
    Monitoras Vitória Amancio e Mariane Pordeus

    Libras (nível 1)

    CLIQUE AQUI! (on-line)

     

    Quartas-feiras, das 15h00 às 16h30
    Início dia 25 de maio (aulas no webconf)
    TURMA 10 (PRESENCIAL)

    Prof. Gustavo da Silva Flores
    Monitora Mariane Pordeus

    Libras (nível 1)

    CLIQUE AQUI!

    Terças-feiras, das 14h00 às 15h30
    Início dia 24 de maio
    TURMA 11 (PRESENCIAL)

    Profa. Andreza Vitória Bobsin Batista
    Monitora Vitória Amancio

    Libras (nível 1)

    CLIQUE AQUI!

    Quintas-feiras, das 14h00 às 15h30
    Início 26 de maio
    TURMA 12 (PRESENCIAL)

    Profa. Emmanuele Santos e Prof. Angelo Perusso
    Monitora Débora Klug

    Português para estrangeiros (nível 1)

    CLIQUE AQUI!

    Segundas-feiras, das 12h10 às 13h40
    Início dia 23 de maio

    ATENÇÃO: A identificação de inscrições duplicadas em mais de uma turma implicará no cancelamento completo da inscrição.


  • Línguas artificiais: você sabe o que são?

    Publicado em 15/05/2022 às 19:58

    Hanna Boassi,
    Bolsista PET-Letras
    Letras Português

    Sabemos que uma língua natural é aquela que se desenvolve espontaneamente dentro de comunidades, enquanto uma língua artificial, ou conlang (constructed languages), é criada com intuitos científicos, tecnológicos ou ficcionais. Na cultura popular, no universo ficcional de livros, filmes e séries, é muito comum observar a criação de línguas artificiais, tais como: a língua Atlante, no filme Atlantis, da Disney; Klingon, na franquia de Star Trek; a Ofidioglossia (língua das cobras) nos filmes de Harry Potter, entre outras.

    Em Atlantis – O Reino Perdido (2001), temos a história de um cartógrafo e linguista chamado Milo Thatch que encontra um antigo manuscrito que pode ajudá-lo a encontrar finalmente o reino de Atlantis. Para o filme, o linguista norte-americano Marc Okrand criou a língua artificial chamada Atlante, tendo seu próprio alfabeto criado por John Emerson — junto de Okrand. Eles utilizaram como base um sistema antigo de escrita, Okrand também desenvolveu a língua Klingon, da franquia de Star Trek (1966) — essa um pouco mais complexa, tendo em vista que alguns fãs da franquia estudam e aprendem a falar, foi criado o Instituto da Língua Klingon em 1992, uma organização que se dedica a estudar e ensinar a língua ficcional.


    Fonte: Imagem da Internet*

    Outra franquia de filmes que conta com a criação de uma língua artificial é Harry Potter, com a aparição no seu primeiro filme Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001) a Ofidioglossia é a capacidade de falar a língua das cobras, os personagens ofidioglotas na saga são em sua maioria descendentes de Salazar Sonserina, com exceção de Harry Potter que obteve sua habilidade através de Lord Voldemort. O linguista responsável pela criação da língua das cobras foi Francis J. Nolan, a língua não possui vogais redondas (O, Ó e U) e nem consoantes bilabiais (M, P e B), isso para que se aproxime o máximo possível dos sons que as cobras produzem, isso porque a boca das cobras não são flexíveis para se arredondar.

    Além da cultura popular, as línguas artificiais podem ser criadas para serem utilizadas em situações de comunicação reais, isso com o objetivo de se tornarem a segunda língua falada e escrita por um grupo de pessoas que não compartilham do mesmo idioma (BATTISITI et al., 2022). Exemplo disso seria o esperanto que foi criado por Ludwig L. Zamenhof, no final do século XIX, com base em línguas europeias. A ideia é que a língua se torne universal, não de maneira que substitua as línguas oficiais dos países, mas, sim, servindo como uma segunda língua que seja utilizada e entendida por todos, outra língua artificial oficial é o gestuno que é uma língua auxiliar internacional utilizada normalmente pelos surdos em conferências internacionais ou em situações informais quando viajam.

    A criação de línguas artificiais é muito popular e requer muito estudo, apesar de que para nós, telespectadores, pareça algo simples e apenas com intuito de entretenimento. Entretanto, os linguistas responsáveis por tais empreitadas buscam sempre criar “línguas completas” com alfabeto, gramática e fonemas.

    *Descrição da imagem: Representação de uma cena do filme Atlantis – O Reino Perdido (2001) da Disney. A imagem mostra o personagem Milo Thatch lendo e apontando para um livro escrito na língua Atlante. O personagem é caucasiano, com cabelos castanhos curtos, usa um óculos e possui um lápis atrás da orelha. No fundo da imagem, no canto superior esquerdo se vê uma pilha de livros grossos em cima de uma mesa.
    REFERÊNCIAS

    BATTISITI, Elisa et al. Língua Artificial. In: BATTISITI, Elisa; OTHERO, Gabriel; FLORES, Valdir do Nascimento. Conceitos básicos de linguística: noções gerais. São Paulo: Contexto, 2022. p. 123-124.

    Recomendações de leitura:

    Ofidioglossia, Harry Potter Wiki, disponível em: <https://harrypotter.fandom.com/pt-br/wiki/Ofidioglossia#:~:text=Ofidioglossia%20%C3%A9%20a%20capacidade%20natural,muito%20rara%20e%20normalmente%20heredit%C3%A1ria>. acesso em: 7 maio 2022.

    HOCHSPRUNG, Vitor. Teremos Tom Holland como linguista? 7 mar. 2022. Instagram: @vitorlinguistica. Disponível em: https://www.instagram.com/p/Ca0MVvNP0Wp/?igshid=YmMyMTA2M2Y=. Acesso em: 07 mai. 2022

    HOCHSPRUNG, Vitor. Harry Potter e a Linguística. 22 jul. 2021. Instagram: @vitorlinguistica. Disponível em: https://www.instagram.com/p/CRoc4YFhGlh/?igshid=YmMyMTA2M2Y=. Acesso em: 07 mai. 2022


  • Dia das Mães: origens e reflexões sobre essa comemoração

    Publicado em 10/05/2022 às 17:23

    Emmanuele Amaral Santos,
    Bolsista PET-Letras
    Letras Português

    Oficializado, em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, o segundo domingo de maio foi “[…] consagrado às mães, em comemoração aos sentimentos e virtudes que o amor materno concorre para despertar e desenvolver no coração humano […]”, como declara o texto da lei que regulamenta o feriado de Dia das Mães no Brasil.

    Tanto a escolha da data quanto a ideia de homenagear os “sentimentos e virtudes” da maternidade surgiram politicamente a partir de Anna Jarvis, uma mulher estadunidense que se baseou nas vivências religiosas e pessoais da própria mãe, como uma oração apresentada para Anna ainda na infância e participação em um grupo de mulheres que se dedicaram aos cuidados de soldados no contexto da Guerra Civil Americana.

    O Dia das Mães foi oficializado em todos os estados americanos apenas em 1911, e, pouco tempo depois, a própria Anna Jarvis chegou criticar o propósito comercial que a data rapidamente ganhou nos EUA, assunto discutido pela pesquisadora Katharine Lane Antolini  na obra Memorializing Motherhood: Anna Jarvis and the Struggle for Control of Mother’s Day (“Em Memória da Maternidade: Anna Jarvis e a Luta pelo Controle do Dia das Mães”). Além de trazer os comentários de Anna sobre os chamados “aproveitadores do comércio” como as floriculturas que aumentam seus preços na época do Dia das Mães, o livro também reflete sobre o processo histórico de idealização da data e as suas repercussões contraditórias que levaram Anna a pedir desculpas por ter “criado” a comemoração.

    Fonte: Recorte de uma imagem da internet*

    É interessante refletir sobre como esse modelo estadunidense de feriado foi importado para o Brasil, tanto na perspectiva religiosa quanto na repercussão mercadológica. Na propaganda da década de 1960/70 que ilustra este texto, por exemplo, percebe-se o uso das rosas como imagem da maternidade remetendo à Maria na simbologia cristã e à ideia de presente como já ressaltou a própria Anna Jarvis.

    Atualmente, outros desdobramentos comerciais dessa celebração no Brasil podem ser percebidos em propagandas que ora reforçam o estereótipo da mãe como guardiã e cuidadora do lar para a venda de eletrodomésticos ora refletem superficialmente sobre contextos contemporâneos de independência financeira feminina e maternidade solo. Deste modo, o segundo domingo de maio ainda parece enfrentar uma dualidade mercadológica e cristã semelhante a que marca a sua origem, o que demonstra que a luta pelo controle do Dia das Mães ainda está em aberto.

     

     

    *Descrição de imagem: Reprodução digital de uma propaganda em preto e branco sobre o Dia das Mães. À direita da imagem, uma mulher sorridente com cabelos ondulados levantando uma criança de colo acima de sua cabeça, olhando para ela como se estivesse brincando. A criança usa um macacão e segura um pequeno pano. No canto superior esquerdo, está escrito “O Dia das Mães…” em fonte cursiva e sublinhado e, logo abaixo, em outra tipografia: “Dia de gratidão”, na primeira linha, e “dos filhos…”, na seguinte. No canto inferior esquerdo, aparece o desenho de um ramo com rosas e folhas.