Programa de Educação Tutorial dos Cursos de Letras da Universidade Federal de Santa Catarina
  • Um amigo me sugeriu um conto…

    Publicado em 31/03/2022 às 13:06

    Moara Zambonim,
    Bolsista PET-Letras
    Letras Português

    Um amigo me sugeriu um conto do argentino Julio Cortázar (1914-1984), parte de Todos os fogos o fogo, publicado em 1966. O autor é considerado um dos grandes escritores modernos e esse conto uma das oito obras-primas contidas na obra. Li “A auto-estrada do sul” e, como meu amigo, fiquei deslumbrada.

    Fonte: Imagem da internet, do site iStock.*

    O que se narra é o que aconteceu aos que “[…] fizeram a estupidez de querer voltar a Paris pela auto-estrada do sul, num domingo à tarde, quando, apenas saídos de Fontainebleau, tiveram de ir em marcha lenta, parar, seis filas de cada lado (já se sabe que aos domingos a auto-estrada  fica inteiramente reservada aos que voltam para a capital), ligar o motor, avançar três metros, parar, conversar com as duas freiras do 2HP da direita, com a moça do Dauphine à esquerda, olhar pelo espelho retrovisor o homem pálido que dirige um Caravelle, invejar ironicamente a felicidade avícola do casal do Peugeot 203 (atrás do Dauphine da moça) que brinca com a filhinha […]” (CORTÁZAR, 1972, p. 3).

    Nessa primeira página do relato, o leitor se vê em ambiente em que personagens, nomeadas como condutoras ou passageiras de veículos, vivenciam uma situação bastante corriqueira, bastante desgastante também. Enfrentam congestionamento que produz doze filas de automóveis, imobilidade angustiante, necessidade de esticar as pernas uma vez ou outra, quando a parada dá oportunidade de se percorrer as filas da direita ou da esquerda, de ver aumentada a lista de tipos de veículos e de observar, discretamente, as atitudes dos demais viajantes, até que começassem a interagir entre si. Não se conhece a causa do engarrafamento, surgem especulações e más notícias trazidas por algum estranho ou outro. Quase todos ouviam o rádio até que as transmissões foram suspensas pelas rádios locais. O isolamento do grupo — “a sensação contraditória de enclausuramento em plena selva de máquinas concebidas para correr” (CORTÁZAR, 1972, p. 4) — e as privações que surgiram em horas e horas de congestionamento levaram à ajuda mútua, à necessidade de alguém comandar o grupo em busca de divisão de tarefas, como obter água e alimentos, em outras células com problemas semelhantes que se constituíram.  O convívio nessa circunstância produziu cuidados especiais com crianças, idosos ou freiras, ajuda de médico quando uma mulher adoeceu ou quando o homem da Caravelle cometeu o suicídio (fechado hermeticamente no porta-malas de seu carro) — o veículo do engenheiro do Peugeot 404 foi transformado em vagão-leito.

    Voltaram todos a seus carros, alguns arrancaram com ímpeto. O 404 buscava manter-se paralelo a Dauphine, mas a grande aceleração impedia que as filas se mantivessem paralelas. Os motoristas do grupo adiantavam-se uns dos outros impelidos pelo ritmo da marcha, até que o grupo se dissolveu irrevogavelmente, dando fim à rotina e aos rituais mínimos que haviam vivenciado. “[…] e se corria a oitenta quilômetros por hora em direção às luzes que cresciam pouco a pouco, sem que já se soubesse bem para que tanta pressa, por que essa correria na noite entre automóveis desconhecidos onde ninguém sabia nada sobre os outros, onde todos olhavam fixamente para a frente, exclusivamente para a frente” (CORTÁZAR, 1972, p. 27 -28).     

    Em seu trajeto, o leitor conhece o desconforto provocado pela vibração do sol sobre as pistas e as carrocerias, o que “dilatava a vertigem até à náusea” (CORTÁZAR, 1972, p. 5); ao amanhecer, essa necessidade de se agasalhar que nascia com o cinzento da madrugada (p. 15); a atitude dos viajantes que, pelas noites já tão frias, não pensavam em ficar fora dos automóveis. Conhece ainda: “pela primeira vez sentia-se frio em pleno dia, e ninguém pensava em tirar os casacos” (p. 19). “Conhece também a neve que isolava, pouco a pouco, os automóveis” (p. 21). Isso me fez refletir não somente sobre a questão do tempo nesse conto de Cortázar, como, também, sobre o significado que podemos atribuir a essa narrativa. Nela não há caracterização precisa do tempo — “O entardecer não chegava nunca” (p. 5); “Em dado momento” (p. 7); “Por volta das duas horas da madrugada” (p. 16), e, depois de um período, as chuvas e ventos que exasperaram os ânimos e aumentaram as dificuldades, por exemplo —, mas são apresentadas com minúcias as sensações das personagens em distintas situações. Esse é o interesse do autor. Seu modo de construir a narrativa traz uma névoa sobre o tempo dos fatos narrados. Névoa que é produtiva, porque o relato de um engarrafamento, perpassando distintas estações do ano, tira dos fatos narrados a natureza de meros fatos quotidianos, permitindo que alcancem outras dimensões.

    Como refere o crítico e historiador literário Mário da Silva Brito (na orelha do livro de Cortázar):

    “O quotidiano — como que nos adverte esse mestre da história curta — de um momento para outro é capaz de transformar-se em espanto, atingir o insólito, fazer-se fantasmagórico, alçar-se a atitudes imprevistas, tingir-se de insuspeitadas gamas, revelar-nos desconhecidos recantos do nosso ser”.

    Depois da leitura desse conto, continuo lendo, com grande prazer, as narrativas de Julio Cortázar, e recomendo a vocês todos que também o façam!

    * Descrição: o desenho mostra diversos carrinhos coloridos (amarelo, azul, verde, rosa, em tons pasteis), assim como alguns semáforos e setas indicando direção.

    Referência:

    CORTÁZAR, Julio. Todos os fogos o fogo. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1972.


  • Você passa a noite em claro? Saiba como isso pode impactar a sua vida

    Publicado em 21/03/2022 às 18:39

    Isabella Flud,
    Bolsista PET-Letras
    Letras – Português

    Sabe quando você não conseguiu dormir muito bem na noite passada e não compreende o conteúdo da aula no dia seguinte? Ou, até mesmo, quando você passa a madrugada em claro e acha que seu organismo não sofrerá as consequências? Pois bem, quer saber o porquê tudo isso acontece? A neurociência explica!

    O professor doutor e divulgador científico Andrei Mayer, no quinto episódio de seu podcast intitulado “A culpa é do cérebro”, fala sobre a importância e a relevância do sono atreladas à qualidade de vida.

    O sono é essencial para a saúde e para o bem-estar, não só para os humanos, mas para todas as espécies, já que passamos ⅓ da nossa vida dormindo. É uma necessidade primária, assim como comer e beber água. Além de ser imprescindível, uma noite mal dormida também afeta aspectos que estão ligados diretamente ao nosso cotidiano, como o humor, a motivação, a ansiedade, a capacidade de ter foco, entre outros.

    Fonte da imagem: Banco de imagens do Canva

    É provável que todos(as) já tenhamos passado noites em claro ou sem dormir bem, a maioria de nós, provavelmente, considera isso completamente inofensivo, embora seja bem divulgado que perder o sono tem efeitos dramáticos em nossas vidas, inclusive, nas habilidades mentais. A privação do sono pode nos deixar mal-humorados e irritados, justamente porque prejudica as funções cerebrais, como a tomada de decisões. Já é hora de acreditarmos e aceitarmos isso, não é mesmo?

    O fato é que dormir menos do que o necessário também pode desencadear doenças e distúrbios. Estudos, como Roh et al. (2012), mostram que noites de privação de sono resultam no acúmulo de uma proteína no cérebro que está relacionada à doença de Alzheimer, destacando, mais uma vez, a importância de uma boa noite de sono para a saúde, inclusive para a do cérebro.

    Por isso, reflita sobre como você tem passado as últimas noites e veja se o seu sono está sendo o suficiente. Alguns recomendam que se tenha entre sete e nove horas de sono por noite. Então, suas horas de sono tem sido o bastante para que você acorde descansado(a) e bem disposto(a)?

     Andrei Mayer e tantos outros pesquisadores — que também foram citados neste artigo — nos alertam que a falta de sono é acumulativa, ou seja, os resultados de cada noite mal dormida serão acumulados, aos poucos, em seu organismo. A única forma para resolver este problema é dormindo! O nosso aprendizado depende desse processo, já que dormir é um dos meios de consolidar a nossa memória.

    Há um preço que o nosso corpo paga após uma noite em claro, isso é inegável. E a ciência consegue comprovar isso! Uma sugestão de leitura é o artigo de Van Dongen et al. (2004) intitulado, em tradução livre, “O custo cumulativo da vigília adicional: efeitos dose-resposta nas funções neurocomportamentais e fisiologia do sono da restrição crônica do sono e privação total do sono”, que trata sobre o efeito acumulativo da privação de sono, inclusive, a longo prazo.

    Outra produção é a de Simon et al. (2020), sob o título, em tradução livre, “Muito ansioso e mal dormido”, que aborda a relação entre a falta de sono e a ansiedade, ou seja, dormir bem também pode contribuir positivamente com a melhora de um quadro clínico. Para concluir, também temos o artigo de Xie et al. (2013) sobre o processo de “limpeza” que acontece no cérebro enquanto dormimos.

    Ainda ficou curioso e quer ler mais sobre o assunto? Que tal ler: “Por que nós dormimos?”, uma excelente obra escrita pelo neurocientista Matthew Walker e publicada pela editora Intrínseca em 2018.

    Durma bem! 😉

    Descrição*: Uma mulher negra com o cabelo enrolado castanho escuro, vestindo uma camisola listrada cinza e que está deitada em uma cama branca, com sua cabeça apoiada em um travesseiro branco e preto. Este fundo está desfocado. Em primeiro plano, há um móvel branco com um relógio preto e branco marcando o horário das 5h40, provavelmente, da manhã.

    Referências:

    SIMON, B; et al. Overanxious and underslept. Nature Human Behaviour, v. 4, p. 100-110, 2020.

    ROH, J; et al. Disruption of the sleep-wake cycle and diurnal fluctuation of β-amyloid in mice with Alzheimer’s disease pathology. Science translational medicine, v. 4, n.150, 2012.

    VAN DONGEN, H; et al. The cumulative cost of additional wakefulness: dose-response effects on neurobehavioral functions and sleep physiology from chronic sleep restriction and total sleep deprivation. Sleep. v. 25, n. 2, 2003.

    XIE, L; et al. Sleep drives metabolite clearance from the adult brain. Nova York: Science, v. 342, n. 6156, 2013.

    WALKER, M. Por que nós dormimos? São Paulo: Intrínseca, 2018.


  • ¿Sabe por qué es probable que Instagram y Facebook dejen de funcionar en Europa?

    Publicado em 16/03/2022 às 19:27

    Andres Salas Garcés,
    Bolsista PET-Letras
    Letras Libras

    En el año 2020, la UE sorprendió a las empresas de tecnología con un fallo a la protección de datos para fiscalizar de la mejor manera cómo estas empresas estaban haciendo uso de estos datos. Desde dicho fallo, hasta la fecha, ni Facebook ni la Unión Europea (UE) han podido llegar a un acuerdo, pues la UE alega que los datos de los usuarios no están siendo usados de forma adecuada según el actual estándar de transferencia de datos de la UE, además de la inconformidad por parte del estado por la transmisión de dichos datos a las sedes de los Estados Unidos. Algo que no fue de agrado para los dueños de Meta, pues el principal negocio de Facebook es vender los datos y el comportamiento digital de sus usuarios.

     

    Imagen de internet*

    Pero bueno ¿Cuándo fue realmente que se comenzó con los comentarios de que Facebook e Instagram iban a salir de la UE?

    En uno de sus últimos informes trimestrales que Facebook presenta, hizo un comentario que la UE tomó como amenaza y fue la siguiente:

    Si no podemos transferir datos entre países y regiones en los que operamos, o si tenemos restricciones para compartir datos entre nuestros productos y servicios, esto podría afectar a nuestra capacidad para brindar nuestros servicios, la forma en que brindamos nuestros servicios o nuestra capacidad para orientar los anuncios

    Luego Meta comenta que realmente le gustaría llegar a nuevos acuerdos en los cuales sean a fines para las dos partes, para después cerrar con la siguiente advertencia:

    Si no se adopta un nuevo marco de transferencia de datos transatlánticos y no podemos seguir confiando en las SCC [Cláusulas contractuales estándar] o confiar en otros medios alternativos de transferencia de datos de Europa a los Estados Unidos, probablemente no podamos ofrecer un número de nuestros productos y servicios más importantes, incluidos Facebook e Instagram, en Europa

    A este informe, la UE responde: “Podremos vivir sin Facebook, viviríamos realmente bien la verdad ¿Por qué pequeñas empresas tienen que pagar impuestos y no ellos? ¿Simplemente porque no están físicamente presentes?”

    A ello Facebook realiza este comunicado:

    Imagen de Internet**

     

    Que estas dos redes sociales dejen de funcionar en dicho territorio, implicaría un golpe fuerte para muchas personas y pequeñas empresas que trabajan a través de ellos, de igual forma para la misma empresa Meta, pues Europa cuenta con más de 309 millones de cuentas activas, representando el tercer mercado más grande de Facebook, añadiendo que este año ha sido uno de los peores para Meta hasta ahora, pues en el mes de febrero del presente año sus acciones cayeron un 26% en un solo día.

    Pues como dicen por ahí, la información es poder y Facebook lo sabe. La plataforma ha sido protagonista de varios escándalos como en el Brexit y elecciones de Trump. Lo que estos dos escándalos tienen en común, es la manipulación de usuarios que aún no están convencidos o indecisos, guiándolos al mejor postor de Facebook.

    ¿Qué podemos exigirle a una empresa a la cual le damos tanto poder? ¿Es mejor dejar de darle más poder a esta plataforma? ¿Cómo podemos asegurar que nuestros datos estén siendo usados de la mejor manera?

     

    Descripción de la imagen*: Fondo azul claro con siluetas de muchas personas con pancartas y celulares, en el medio está la silueta de una persona dando un discurso, con un celular en la mano. Cada celular esta conectado con una linea entrecortada con los logos de Instagram, Pinterest, Youtube, Twitter, Facebook, Linkedin, cuadro blanco con un punto azul y otro rosa, y google.

    Descripción de la imagen**: Imagen de titular de un comunicado de la empresa Meta con letra azul y fondo fondo blanco que dice: “Meta” de letra pequeña con una linea zul clara abajo de la palabra, con letra más grande y título principal“Meta Is Absolutely Not Threatening to Leave Europe”. Abajo de letra pequeña y de color gris “February 8, 2022”. Después de letra azul y también pequeña “By Markus Reinisch, Vice President, Public Policy Europe”.


  • Uma reflexão sobre língua, lusofonia e pós-colonialismo

    Publicado em 08/03/2022 às 20:37

    Ananda Gomes Henn,
    Bolsista PET-Letras
    Letras – Português

    Muito se discute em salas de aulas, redes sociais e mesas de bar sobre as particularidades do português falado no Brasil e na África, especialmente em relação àquele falado em Portugal. Opiniões diversas sobre o valor dessas diferenças e o que elas representam para seus falantes são expressas frequentemente e sem muita reflexão, como, por exemplo, a de que “estar em Portugal é ouvir o português correto”. Essa é uma afirmação bastante ousada para se fazer a respeito da língua oficial de nove países, localizados em quatro continentes diferentes. É importante, principalmente para nós, estudantes de Letras, refletirmos um pouco sobre a língua portuguesa e o papel que ela exerce para suas diferentes comunidades de falantes, a partir de uma perspectiva pós-colonial da lusofonia.

    Como comenta Carmem Lucia Tindó Secco no podcast Língua Livre (2010), desde a colonização, a língua portuguesa convive com línguas originárias da África ou com línguas criadas a partir desse contato (línguas crioulas). É notável que, através desse contato com as línguas africanas, o português foi modificado para sempre: a influência que as línguas dos quatro milhões de africanos trazidos forçadamente ao Brasil se fez sentir em todos os níveis — seja lexical, semântico, prosódico ou sintático — e, de maneira rápida e profunda, na língua falada, o que deu ao português do Brasil um caráter próprio, diferenciado do de Portugal (CASTRO, 2011). Da mesma forma, o português falado na África já não é exatamente o mesmo que chegou com os colonizadores.

    No documentário Língua – Vidas em Português (2001), filmado em cinco países (Brasil, Portugal, Moçambique, Índia e Japão), os indivíduos entrevistados falam a partir de um movimento pós-colonial, após a independência e uma ampliação da convivência colonial, dentro do quadro nacional da Nação (Angolana, Moçambicana etc.). Nas nações africanas, apesar disso, há uma continuidade da mentalide pré-independência — no sentido de “a língua portuguesa é a nossa língua” — o que estimula com que as línguas originárias sejam deixadas para trás. O nacionalismo, independência nacional, não produziu a autonomia e valorização dessas línguas nacionais/originárias. O português continua sendo a língua oficial, a língua utilizada nos lugares institucionalizados, onde o poder está centralizado.


    Fonte: Cartaz do documentário Língua – Vidas em Português*

    Nesse sentido, Carmem Tindó Secco (2019) problematiza a ideia de “lusofonia” — que, segundo ela, tem uma tentação imperialista de colocar Portugal no centro — e, em seu lugar, apresenta uma “lusografia”, conceito que faz referência ao português como a “língua de escrita”. O status oficial da língua portuguesa não necessariamente implica que ela é a língua mais falada. As políticas linguísticas governamentais a favorecem, afirmando-a como a língua dos negócios, da escolarização, ainda que prevaleça a oralidade e as línguas originárias, com um grande número de falantes que não é fluente em português.

    Se interessou pelo assunto? Fica aqui a recomendação de dois podcasts muito interessantes que tratam do assunto e que inspiraram a escrita desse texto: o décimo primeiro episódio do Língua Livre Podcast, entrevistando a professora Carmem Tindó Secco, especialista em literaturas africanas em língua portuguesa; e o episódio do Fumaça Podcast em que o autor moçambicano Mia Couto discorre sobre literatura, língua portuguesa e colonialismo. Além disso, o documentário “Língua – Vidas em Português” está disponível na íntegra no YouTube.

    Referências

    CASTRO, Yeda Pessoa. Marcas de africania no português brasileiro. Africanias, 2011. Disponível em: < http://www.africaniasc.uneb.br/pdfs/n_1_2011/ac_01_castro.pdf>. Acesso em: 20 maio 2021.

    SECCO, C. L. T. Literaturas Africanas de Língua Portuguesa.  In: PAIXÃO, V.; MACHADO, L.; SECCO, C. L. T. Língua Livre Podcast #1. 2019. 118 min. Disponível em: <https://www.lingualivre.com/post/ll_11>. Acesso em: 20 maio 2021.

    LÍNGUA – Vidas em Português. Direção de Victor Lopes. 2001. (105 min.), son., color. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=JBmLzbjmhhg>. Acesso em: 20 maio 2021.

    MIA Couto sobre literatura, língua portuguesa e colonialismo. Fumaça Podcast, jul. 2019. 64 min. Disponível em: < https://omny.fm/shows/eapenasfumaca/mia-couto-sobre-literatura-l-ngua-portuguesa-e-col>. Acesso em: 20 maio 2021.

    *Descrição da imagem: Cartaz do documentário “Língua – Vidas em Português”. Na parte superior do cartaz há a fotografia de uma pessoa em pé na areia da praia, de perfil, olhando para o mar em sua frente. Acima, no céu da imagem, lê-se o texto “Algumas delas estão nesse filme”, e abaixo dos pés da pessoa, “Um documentário de Victor Lopes”. Embaixo da fotografia há o título do documentário em caixa alta, ocupando toda a largura do cartaz: “Língua”; linha abaixo: “Vidas em Português”. Abaixo do título lê-se “Uma produção Tvzero e Sambascope”, e embaixo há a imagem de alguns dos entrevistados: José Saramago, Martinho da Vila, João Ubaldo Ribeiro, Madredeus, Mia Couto. Abaixo disso, informação dos produtores do documentário.


  • Aulas Públicas – PET Idiomas

    Publicado em 04/03/2022 às 11:53

    Italiano

    Prof. Jô Porciùncula

    Data: QUA 09/03/2022   Hora: 12h-14h

    “Introdução às estruturas da língua italiana: gênero e número”
    Inscrições: http://inscricoes.ufsc.br/italiano-petidiomas

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  • ‘The Lost Daughter’ (2021): a review on a son’s vision

    Publicado em 21/02/2022 às 18:51

    Vítor Pluceno Behnck
    Bolsista PET-Letras
    Letras Inglês 

    The sun carefully shines over the rocks and the blue sea. In the sand, Leda sits on a sun lounger while she takes notes. She is a middle-aged comparative literature professor taking a holiday in a coastal town in Greece, aiming to enjoy the serenity of her own company. While she enjoys an ice cream by the sea, a noisy and large Italian family arrives on the beach, disturbing her peace and tranquility. This is the main plot of The Lost Daughter (2021), a Netflix original production directed by Maggie Gyllenhaal, and based on the homonymous novel written by Elena Ferrante. Starring Olivia Colman as Leda, the movie had received three nominations for the Oscar 2022.

    Source: Netflix.

    The Lost Daughter aims to depicture a different view on maternity — and how conflictual and harmful it can be. Leda first overlaps her personal history with the Italians when Nina, a young mother, loses her daughter out of sight: at this moment, Leda has a flashback when she also lost one of her daughters — Bianca — on a beach as well. This is one of the many moments in the movie where Gyllenhaal used a narrative element called “psychological time” to travel through Leda’s thoughts and memories. This way, we are presented to the twenty-something almost divorced Leda, dealing with the weight of being (such as Nina is) a young mother, and at the same time, trying to build her academic trajectory.

    The distance when traveling to international congresses, the articles written while taking care of her children, and the conflicts with her children’s father are some of the elements that represent how non-glorious maternity can be. This representation contrasts with how media uses to represent mothers — which are always cheerful and ready to abdicate their personalities and lives on behalf of their children and spouse. Thus, the movie narrates another side of being a mother, which can be seen as mean or perverse. Going on a holiday and having to deal with your own wounded self from the past was certainly not a piece of cake for Leda.

    The Lost Daughter is, indeed, a captivating and not-obvious narrative. As daughters and sons, it is inevitable to watch the movie and do not think about how many times our mothers put themselves on a second place on behalf of us and the home “duties”. To acknowledge this sacrifices is not about feeling guilty for being born. In fact, it more has to do with reconsidering how do we see women, specifically mothers, in our society. Some of the questions that need to be addressed are: would things be different for Leda if her husband took care of the kids, as women usually do? How would it be if they had the same social expectations for raising their children — that is: how would it be if Leda was not seen as selfish? As Ferrante (2008, p. 1) wrote, “the hardest things to talk about are the ones we ourselves can’t understand”. That is why maybe society can not talk about the taboos behind being a mother: we still can not understand it.

    References
    FERRANTE, Elena. The Lost Daughter. New York, NY: Europa Editions. 1 ed. 2008.

    Verbal description: Leda is a white woman with short and brown hair. She wears a white beach outfit and sits in a white sun lounger at the beach. She holds an ice cream with her right hand while her left hand is in behind her head. She looks to her right side with a disapproving face. Behind her we can see the sand, the sidewalk and some trees.


  • L’approccio politico di Tabucchi in Sostiene Pereira (spoiler alert)

    Publicado em 15/02/2022 às 14:35

    Camila Vicentini Camargo
    Bolsista PET-Letras
    Letras Italiano

    Sostiene Pereira è un romanzo scritto da Antonio Tabucchi, scrittore, critico letterario, traduttore e accademico italiano. Tabucchi era docente di lingua e letteratura portoghese all’Università di Siena e ha scritto moltissimi libri. Sostiene Pereira è stato pubblicato dalla casa editrice Feltrinelli nel 1994 e ha vinto nello stesso anno il Premio Campiello e il Premio Viareggio.

    Immagine presa da Internet.*

    È un romanzo davvero forte anche se segue una linea più leggera di scrittura. Le sentenze non hanno una difficoltà particolare e in realtà tutto viene raccontato in maniera ben lineare, però i dialoghi non vengono separati o marcati con segni grafici, il che ci chiede una lettura molto più attenta, affinché nessuna informazione si perda.

    In questo testo si presenteranno e si confronteranno oltre a un tutto generale, alcuni aspetti più specifici scelti riguardo all’opera.

    La storia viene raccontata in terza persona, è ambientata a Lisbona, nel 1938, durante il regime dittatoriale salazarista e accompagna il giornalista Pereira, un uomo di vita molto comune, che scriveva della cronaca nera in un gran giornale e che poi ha cambiato lavoro diventando dirigente della pagina culturale del Lisboa, un giornale locale.

    Pereira vive sempre la stessa routine; parla dello stesso, mangia lo stesso, lavora, torna a casa, chiacchiera col ritratto di sua moglie e tutto si ripete. Tale ripetizione viene dimostrata dalla forma in cui Tabucchi scrive e costruisce le situazioni. Ci sono degli elementi sempre presenti: il ritratto; la limonata; il sudore; il ventilatore; il cardiologo ecc. e, inoltre, i paragrafi sono veramente lunghi, il che può farci sentire quasi un’angoscia per una vita che non va avanti oppure che è troppo ordinata, noiosa. Pereira dimostra di essere in dubbi in vari momenti. A volte sostiene la storia con sicurezza, a volte non tanto. Un altro elemento importante – forse il più importante – giacché si parla di ciò, è la ripetizione della frase «sostiene Pereira», non sempre in quest’ordine. La frase viene usata al presente, e tutto il resto al passato, quindi, mentre la lettura avanza, abbiamo la sensazione di stare ad accompagnare il giornalista in qualche testimonianza – non solo una testimonianza di chi racconta la propria vita, ma una testimonianza di chi deve sostenere qualche avvenimento. Infatti, a causa degli avvenimenti che ci porta la fine del libro, si percepisce il perché dell’argomentazione e giustificazione dei fatti.

    Immagine presa da Internet.*

    Il romanzo affronta punti interessantissimi per quanto riguarda la politica. Il paese vive una dittatura e l’opinione pubblica non viene così considerata. Pereira ha paura, odia la polizia, però non si manifesta tanto quanto vorrebbe. Sempre che si trova di fronte ad una situazione delicata in cui qualcuno gli chiede un posizionamento, lui si fa capire vagamente che è contro il regime attuale ma non dice mai il sufficiente. Quello si vede dai rapporti che stabilisce con gli altri personaggi – padre Antonio; Monteiro Rossi, nuovo collega di lavoro; Marta, la ragazza di Rossi; Bruno, il cugino di Rossi; Signora Delgado, chi conosce in treno per Coimbra; ecc.

    Questi personaggi appariscono come se per aiutare Pereira a guardare la vita e la situazione politica attuale con più attenzione, ad usare la sua voce giornalistica per parlare del che veramente importa. Potremmo trovare questi fattori in alcuni brani, come con la signora Delgado che gli dice di esprimere il suo libero pensiero e di fare qualcosa per l’Europa; come Rossi, che sempre porta al giornale dei testi pieni di politica; o come Marta, che suggerisce delle personalità politiche che se ne potrebbero andare.

    Sembra anche che il clima, lo spazio e le vie definiscono l’atmosfera in cui ci si deve immergere, forse non sempre ma in vari momenti. Per esempio: Pereira sente una frequente nostalgia e abita vicino a Rua da Saudade. La festa salazarista accade in Praça da Alegria. E proprio perché accade la festa, l’Avenida da Liberdade è tranquilla. E così via. Non è che i luoghi abbiano sempre un rapporto positivo o coerente con la storia, cioè, che rappresentino una parte o l’altra; anzi, può darsi che siano abbastanza contrastanti, pure ironici.

    Pare che il lettore insieme a Pereira è sempre spinto a non dimenticare quello che succede nel paese. Il giornalista che allora usciva pian piano da una vita isolata dalla realtà, denuncia il regime sul Lisboa dopo aver perso il suo collega alla dittatura.

    Tabucchi presenta in maniera intelligente e molto ben cucita quello che succedeva in Portogallo all’epoca, anzi nell’Europa. Autori molto conosciuti e anche polemici vengono citati nei capitoli, il che ci porta una conoscenza ancora più approfondita e contestualizzata. Tutti gli avvenimenti portano le più svariate sensazioni e la memoria di Pereira mentre racconta il passato ci fa vedere che ogni dettaglio è importante – dal più breve dialogo alla più grande tragedia. Infatti, molti sentimenti diversi sono provati dal lettore (così come dai personaggi). Angoscia, paura, nostalgia, tristezza, speranza e la voglia di cambiamenti. Quello Tabucchi è sicuramente riuscito a dimostrare. È come se volessimo, mentre lettori, cambiare la situazione; è come se fossimo in grado di fare qualcosa.

    Infine, nonostante la storia affronti avvenimenti passati, quegli avvenimenti vanno ancora discussi proprio perché le persone li hanno vissuti – e li hanno sofferti – e quindi non ci si vuole vivere più le stesse realtà. È un libro abbastanza importante perché si mantenga la memoria dei fatti e la speranza per giorni migliori.

    Recensione basata sul libro:
    TABUCCHI, Antonio. Sostiene Pereira. Italia: Feltrinelli, 1994.

    *descrizioni delle immagini: La prima immagine ci mostra Antonio Tabucchi, un uomo di mezza età, occhi castani e capelli grigi. Tabucchi ha la faccia seria e indossa abiti neri e occhiali da vista. C’è sfocato sullo sfondo un giardino e muri di una casa. La seconda immagine mostra sopra una superficie nera un’edizione del libro Sostiene Pereira appoggiato di lato. Si legge nel dorso in maiuscolo e in nero “Antonio Tabucchi” e poi “Sostiene Pereira”. La copertina è bianca e nella parte superiore si legge il nome dell’autore in rosso e il titolo del libro in verde. Sotto il titolo c’è un’immagine sfocata.


  • Epidemia no Brasil: reflexos de uma má gestão em período pandêmico?

    Publicado em 29/12/2021 às 20:11

    Mariane Pordeus,
    Bolsista Acessibilidade – PET-Letras
    Letras Libras

    O surpreendente aumento de casos de infecções pelo vírus Influenza, fora de época no Brasil, ocupou os noticiários no último trimestre, deste ano, apontando para uma epidemia vivida em meio a pandemia no Brasil.

    Ano após ano, os vírus sofrem mutação genética e ficamos expostos às suas variantes. Prontamente, o PNI (Programa Nacional de Imunizações) entra em cena disponibilizando em postos de saúde e clínicas privadas uma vacina atualizada para combater a nova ameaça da Influenza à saúde pública. Entretanto, no início da pandemia do novo coronavírus as medidas restritivas barraram esse processo, inibindo, quase que por completo, os casos de gripe pelo vírus influenza. A prevenção à COVID-19 — vírus respiratório com alto índice de transmissão — possuí um impacto muito maior ao vírus da gripe.

    Fonte: Folha de S.Paulo.*

    Em consequência disso, a população se esqueceu dos surtos de gripe anuais e o sistema imunológico não desenvolveu defesa diante das novas variações, o que resultou positivamente na diminuição de casos e de ocupações de UTI durante esse momento de sobrecarga nos hospitais em decorrência da COVID-19. Entretanto, a ausência de exposição natural ao vírus influenza nos deixou mais vulneráveis à sua nova forma.

    Com a flexibilização das medidas de prevenção ao coronavírus, uma velha conhecida retorna: o vírus influenza A Subtipo H3N2 pertencente à uma nova cepa chamada de Darwin, por ter sido descoberta em uma cidade da Austrália com o mesmo nome. A cepa Darwin foi inicialmente identificada no Rio de Janeiro e vem contribuindo com um surto de casos em diversas regiões do Brasil em período atípico, sendo categorizada por especialistas como epidemia.

    É importante destacarmos que o número de vacinados contra a gripe, neste ano, foi inferior aos anos anteriores e, também, a conciliação com o intervalo para a vacinação contra a COVID-19 pode ter agravado este baixo índice de adesão à vacina. Além disso, uma estranha ideologia negacionista presente no atual governo, e incentivada por ele, toma forma em confronto à cultura da vacina.

    O discurso antivacina do presidente Jair Bolsonaro, contrapõe inclusive a postura que ele próprio defende: o exército na ditadura militar — tendo em vista que foi neste período que o PNI foi criado, com o objetivo de controlar o surto de doenças infecciosas da época. Infelizmente, pela primeira vez desde a sua criação, o PNI sofre ameaças. Em meio à epidemia, à pandemia e aos conflitos políticos, o que resta à população é permanecer fundamentada na cultura da vacinação, consciente de que programas de política pública como o PNI são reconhecidos mundialmente por seu caráter eficaz de controle de doenças infecciosas.

    Sendo assim, que não sejamos infectados por essa onda negacionista, mas que estejamos atentos ao rumo dessa batalha biológica entre a humanidade e os vírus que a assolam.  É preciso atenção nacional para que a epidemia brasileira não coincida com a variante Ômicron do novo coronavírus. Esse cenário delicado e incerto resultaria em uma nova pressão aos hospitais e seria praticamente imprevisível e impossível prever o seu real impacto no Brasil.

    Por fim, que possamos refletir acerca de nossa conduta individual pelo bem coletivo, afinal a vacinação tem o poder de erradicar enfermidades, mas uma população consciente tem o poder de mudar seu destino!

    *descrição: O texto possui duas imagens reunidas. Na parte superior, um gráfico de mapa que indica os estados brasileiros que registraram aumento de casos de gripe. São eles: Amazonas, Acre, Rondônia, Amapá, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Enquanto Ceará, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul não registaram aumento de casos. E Roraima, Pará e Piauí não informaram se houve ou não. Na parte inferior, a imagem organiza por estado o número de casos confirmados e mortes por causa da gripe. Respectivamente: Amazonas com 772 casos e nenhuma morte; Bahia com 185 casos e 2 mortes; Espírito Santo com 74 casos e nenhuma morte; Minas Gerais com 67 casos e nenhuma morte; Rio de Janeiro com 47 casos e 7 mortes; Pernambuco com 43 casos e nenhuma morte; Amapá com 37 casos e nenhuma morte; Goiás com 32 casos e nenhuma morte; Paraná com 20 casos e uma morte; Paraíba com 13 casos e nenhuma morte; Rio Grande do Sul com 13 casos e nenhuma morte; Santa Catarina com 7 casos e nenhuma morte; Ceará com um caso e nenhuma morte e Maranhão com um caso e nenhuma morte.

     

     

     


  • Você conhece uma “Maria Carmem”?

    Publicado em 20/12/2021 às 16:25

    Daniely Karolaine de Lavega,
    Bolsista PET-Letras
    Letras – Português

    Uma história narrada por uma criança, mas escrita para adultos.

    O livro Se Deus me chamar não vou, escrito por Mariana Salomão Carrara, foi publicado recentemente, em 2019, pela Editora Nós. Em pouquíssimos capítulos, Maria Carmem, a narradora protagonista da obra, é capaz de nos conquistar facilmente com seu olhar fresco e ingênuo — mas surpreendentemente maduro — de criança. Apesar da guerra que ocorre em sua mente acompanhada da negligência parental, ela possui uma comicidade que nos cativa sem demora: “Uma vez numa viagem eu vi uma aranha comendo um vaga-lume que não parava de piscar. […] Será que o vaga-lume pisca de dor? Se eu pudesse brilhar de dor eu seria um escândalo.” (CARRARA, 2019, p. 7).

    Maria Carmem é uma pequena aspirante à escritora que auxilia seus pais — mais jovens que a maioria dos pais que ela conhece — no estabelecimento comercial da família, que trabalha com a venda de produtos para o público da terceira idade. É interessante pensar que, segundo Carrara (2019), a menina nasceu no fim. Nós acompanhamos seu cotidiano nos ambientes familiar e escolar, conhecendo seus sentimentos e pensamentos mais complexos. Maria Carmem é uma criança angustiantemente real e luta contra problemas reais; como sua preocupação em relação à falta de prosperidade da loja de seus pais, o bullying diário que a acomete na escola e o medo imensurável de morrer. Envolvida por uma solidão devastadora — que parece ser invisível junto a todo o restante para seus pais —, a menina constantemente desconstrói e reconstrói o mundo em torno de si, estimulando-nos a refletir de verdade acerca de algumas sutilezas da vida: “Acho que existem crianças mais solitárias que os velhos.” (CARRARA, 2019, p. 26).

    O livro se assemelha a um diário; gira em torno de Maria Carmem tentando escrever, com o auxílio de sua professora, um livro sobre sua própria história — ela acredita que poderá escrever sobre a história de outra pessoa somente quando se tornar escritora de verdade, depois de praticar bastante. Maria Carmem tem apenas 11 anos de idade, está no 6º ano do ensino fundamental, mas definitivamente não podemos subestimá-la. Entre o sentimento de solidão absoluta, a sensação de não se encaixar em algum lugar e questionamentos acerca da religião e da pressão estética sobre o corpo feminino, a menina pinta com perfeição o período da pré-adolescência.

    Fonte: Amazon*

    A leitura é emocionante, divertida e, apesar de leve, atinge-nos como um furacão; temos a sensação de estar descobrindo a vida ao lado da personagem, como se tivéssemos retornado à infância. Se Deus me chamar não vou naturalmente constrói uma moradia permanente no interior de nós, por isso Mariana Salomão Carrara parece ser uma promessa da literatura nacional. É impossível acompanhar a transição de Maria Carmem para a adolescência e não se identificar com suas dúvidas, seus medos e suas dores. Crescer é doloroso e deixa cicatrizes para trás. É assombroso o quanto nós nos encontramos na personagem e sofremos com ela. Existem incontáveis “marias carmens” perdidas por este mundo.

    Se você não se lembra de ter conhecido uma “maria carmem”, você possivelmente foi uma.

    REFERÊNCIA

    CARRARA, Mariana Salomão. Se Deus me chamar não vou. 1. ed. São Paulo: Editora Nós, 2019. 160 p.

    *Descrição: Uma imagem da capa do livro. Esta possui um fundo rosa com linhas laranjas em diagonal. Acima e centralizado, o título da obra se apresenta em letras minúsculas na cor azul cortado por linhas diagonais em rosa. Abaixo e centralizado, o nome da autora se mostra em letras maiúsculas na cor branca. No canto inferior direito da capa, sobre uma pequena faixa azul, o nome da editora aparece em letras maiúsculas na cor branca.


  • Revista Preguiça do PET-Letras – 4ª edição

    Publicado em 20/12/2021 às 13:49

    A revista (des)acadêmica do PET Letras, a Preguiça, foi pensada, inicialmente, para proporcionar a interação social e criativa dos alunos de diferentes fases dos cursos de Letras.
    Surge, então, como um meio de divulgação local das produções literárias dos estudantes, oferecendo um estímulo à produção criativa, por disponibilizar um veículo institucionalizado para a divulgação de ideias dos alunos; e que gerasse reconhecimento e identificação dos seus autores.
    Logo em sua primeira edição, a Revista Preguiça passou a receber textos escritos por alunos de todos os cursos de graduação da UFSC, possibilitando, então, a integração das mais diversas áreas, que se voltam para um mesmo objetivo, a produção literária.

    A quarta edição da Preguiça está maior e conta com textos de estudantes de graduação da UFSC, de petianos e petianas e, também, de autores externos à Universidade.

    Boa leitura!

    Revista Preguiça em PDF

    *Ilustração por Lara Norões Albuquerque

    Confira as edições anteriores:
    Revista Preguiça 1
    Revista Preguiça 2
    Revista Preguiça 3

    #fotodescrição: Logotipo da Revista Preguiça, que consiste em três rostos iguais de um bicho-preguiça, em escala de cinza, do mais escuro, à esquerda, para o mais claro, à direita.