A História Secreta (1992) e O que te pertence (2016): leituras recomendadas

27/05/2020 17:01

Ananda Henn,
Bolsista PET-Letras
Letras – Português

Assim como muita gente que aproveitou o tempo livre da quarentena para atualizar as leituras, o que eu mais tenho feito nesse período é ler, ler e ler. Pensando nisso, vou apresentar e comentar dois romances contemporâneos que li recentemente e que gostei muito: A História Secreta (1992) e O que te pertence (2016). Os achei excelentes e, embora muito diferentes, os dois me envolveram completamente e me ajudaram a escapar, algumas horas por dia, da monotonia da quarentena.

Fonte: Arquivo pessoal – Ananda lendo O que te pertence*

A História Secreta, de Donna Tartt (1992)

Esse livro é o próprio memeessa festa virou um enterro”. Romance de estreia da americana Donna Tartt, mais conhecida pelo seu lançamento de 2013, O Pintassilgo (cuja adaptação para o cinema ninguém assistiu ano passado [link]), foi publicada no Brasil pela editora Companhia das Letras com tradução de Celso Nogueira. A extensa narrativa acompanha um grupo de seis estudantes de uma universidade de elite americana que, sob a influência de um carismático professor de Clássicos, descobre uma maneira de pensar e viver que é distante da existência monótona de seus contemporâneos. Porém, depois de um evento que os leva além do limite da moralidade normal, acabam passando da obsessão à compulsão e traição, e, por fim, ao mal.

Por mais que o livro comece já revelando a terrível ação central da trama — uma das primeiras informações dada ao leitor é que Bunny Corcoran havia sido assassinado e os autores do crime foram o narrador e seus amigos —, eu me vi imersa de tal forma na dinâmica desse excêntrico grupo de personagens que o assassinato se tornou, em alguns momentos, quase que uma inevitabilidade irrelevante. Você quer saber como tudo aconteceu, é claro, e o porquê deles terem matado Bunny, mas, acima de tudo, espera uma justificativa, a exposição inevitável de um fato que justifique o ato, anule-o de sua perversidade; quase que cegamente você se pega esperando (melhor, desejando) nada menos que um final glorioso para os personagens, independente do horror de suas ações. A ruína — merecida ou não — parece impossível para aqueles jovens estudantes tão magnéticos e interessantes, pertencentes a um mundo de arte, de Clássicos, de intelectualidade e de riqueza. Você, assim como eles, quer acreditar na beleza da vida que vivem. Porém, como lhes é ensinado em uma aula de grego: “beleza é terror” e, diante de tudo o que chamamos de belo, estremecemos.

O que te pertence, de Garth Greenwell (2016)

Se no livro anterior o plano de fundo da narrativa era aquele de beleza, pureza e luz, nesse encontrei o contrário. Na narrativa, breve e também em primeira pessoa, são temas como vergonha, doença, violência e dor que predominam. Esse romance de autoficção ­— o primeiro do americano Garth Greenwell — chegou ao Brasil ano passado em uma edição belíssima da Todavia, com tradução de José Geraldo Couto. Seguindo uma ordem não linear, o enredo parte do relacionamento que um professor americano estabelece com o jovem Mitko, que encontra em um banheiro público do Palácio Nacional da Cultura na capital da Bulgária, e a quem paga para fazer sexo. Ele continua a voltar a Mitko repetidamente, atraído por desejo, solidão e risco, e se vê emaranhado em um relacionamento em que a luxúria leva à predação mútua e a ternura pode se transformar em violência. Enquanto luta para reconciliar seu desejo com a angústia que este cria, ele é forçado a lidar com sua própria história, o mundo de sua infância no sul dos EUA, sua sexualidade, e o relacionamento com seu pai.

Uma das maiores riquezas desse livro é, definitivamente, sua prosa. Eu poderia ficar falando extensamente sobre como fiquei maravilhada pelas escolhas formais tomadas pelo autor para melhor contar essa história, mas me atentarei apenas a comentar a narração introspectiva do personagem principal. Como leitores, além de fatos que compõem um enredo, temos acesso a um narrador extremamente sensível e consciente, que não somente rememora momentos de sua vida, mas os reflete, ou melhor, reflete a si mesmo. Com uma narrativa densa e de imensa intensidade lírica, o livro apresenta uma reflexão inigualável sobre a complexidade de nossos desejos.

Fonte: Reprodução (O que te pertence – Editora Todavia; autor Garth Greenwell; A História Secreta – Editora Companhia das Letras; autora Donna Tartt)**

Essas, então, são as minhas duas recomendações para quem está procurando por livros envolventes e interessantes para ler enquanto estamos todos presos em casa. Deixo aqui, também, a dica para explorarem os outros títulos desses autores: gosto muito d’O Pintassilgo (2013), da Tartt, e o recém-lançado Cleaness (2020), de Greenwell (infelizmente ainda sem previsão de publicação no Brasil), foi uma das minhas leituras favoritas desse ano.

*Descrição da imagem 01: Ananda está sentada em uma cadeira de vime marrom, com uma almofada azul nas costas, e lê o livro O que te pertence, que cobre a parte inferior do seu rosto. Veste calça e casaco de moletom preto, camiseta verde escura e touca de tricô listrada em tons de azul, e usa óculos de grau com armação quadrada, de cor vermelho escuro. Seus cabelos castanhos e cacheados estão soltos. Ao seu lado pode-se ver parte de um rack branco de sala de estar, coberto de vasos de plantas, e ao fundo uma cortina branca de tecido fino.

**Descrição da imagem 02: Imagens das capas e autores dos livros lado a lado. Da esquerda para direita, capa do livro O que te pertence, em que se vê, em preto e branco, a fotografia de um fragmento de uma cama com o lençol branco amarrotado, e ao fundo, em tons de cinza, parte de uma janela coberta por cortinas de pano liso bem fino; a imagem da capa é emoldurada por linhas de cor rosa claro, nas quatro extremidades do livro; no centro da capa lê-se “O QUE TE PERTENCE”, no mesmo tom de rosa; acima do título, centralizado no topo superior, o nome do autor “Garth Grenwell”, em branco, e abaixo, centralizado no topo inferior, a logomarca da editora Todavia, quatro figuras geométricas que representam as formas que a boca faz quando se pronuncia as sílabas to-da-vi-a, também em branco. Ao lado, fotografia do autor Garth Greenwell, em preto e branco, enquadrada até a altura do tórax; o autor está com o rosto levemente inclinado para a direita, apoiado na mão direita, cujo dedo polegar toca seu queixo e o indicador, sua mandíbula; Greenwell possui pele clara, cabelos lisos, curtos e claros, e veste uma camisa social escura, tendo o olhar direcionado para a câmera com as sobrancelhas levemente arqueadas, sem sorrir. Á direita, imagem da capa do livro A História Secreta, em que se vê a fotografia do rosto de uma escultura da Grécia Antiga, em mármore branco, com o olhar direcionado para baixo e a cabeça inclinada para a direita, em frente a um fundo cinza; a fotografia apresenta um corte em sentido diagonal que vai do canto direito da extremidade inferior até a metade da extremidade esquerda da foto, fragmentando a imagem da escultura e revelando, no espaço entre os dois fragmentos, um fundo vermelho que preenche também a parte inferior da capa, onde se lê, centralizado em branco, “A HISTÓRIA SECRETA”, e abaixo, “O primeiro best-seller da autora de O Pintassilgo”; centralizado no topo superior da capa, em cima do cabelo da escultura, se lê “Donna Tart”, em vermelho, e no pescoço da escultura, alinhado à esquerda, a logomarca da editora Companhia das Letras, em branco. Por fim, á direita, fotografia da autora Donna Tartt, em preto e branco, enquadrada até a altura da cintura; a autora encontra-se com um braço apoiado em cima do outro, e cada mão segura o cotovelo do braço oposto; possui a cabeça levemente inclinada para o lado direito e o olhar direcionado também para a direita, acima do nível da foto, com um sorriso discreto; Tartt veste um terno escuro com camisa social branca com listras pretas, tem o cabelo liso e escuro cortado na altura no queixo e pele clara.

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As vantagens do Yoga para a vida cotidiana

26/05/2020 17:28

Ana Gabriela Dutra Santos,
Bolsista de Acessibilidade
Letras – Libras

Muito se ouve falar sobre o Yoga atualmente. Há muitas aulas sendo ministradas, inclusive virtualmente, e diversos cursos sendo ofertados em todo o país. Entretanto, algumas perguntas ainda são bem comuns: o que é Yoga? Como surgiu? Qual o seu propósito? Como ele pode auxiliar, inclusive, em nossas leituras e estudos?

O Yoga é uma filosofia milenar que teve sua origem na civilização do vale do Indo, embora se acredite que o Yoga é muito mais antigo do que se pensa, os seus registros primeiros foram feitos há, aproximadamente, seis ou sete milênios. A palavra Yoga deriva do sânscrito Yog que, de tantos outros significados que possui, também pode significar “unir”. De forma bem simplificada, o Yoga pode ser definido como o caminho que leva ao autoconhecimento, à realização de quem verdadeiramente somos. Assim, o Yoga tem o propósito de nos conduzir ao autoconhecimento, à consciência — acredita-se que praticar o Yoga é um viver consciente.

Fonte: Arquivo pessoal – Ana Gabriela fazendo Yoga*

A prática de Yoga é um suporte ao crescimento pessoal, os asanas (posturas), os pranayamas (respirações) e as meditações são o meio para que possamos nos lapidar e buscar a plenitude. É através da prática que começamos a perceber nossos medos, inseguranças, inquietações, desequilíbrios, limites, entre outros. Assim, a prática nos permite conhecer e lidar com cada aspecto nosso, nos ajuda a vencer os medos, a aquietar a mente, a manter o equilíbrio, durante situações difíceis ou desafiadoras, e a superar limites.

O Yoga, como já mencionado anteriormente, consegue nos tranquilizar e acalmar. Entretanto, quando necessitamos estar mais dispostos e com mais energia, também podemos conseguir por meio das práticas. Por exemplo, em aulas realizadas pela manhã, onde teremos o dia todo pela frente com trabalho, estudos, encontros etc., podemos fazer práticas que nos deixarão melhor preparados e dispostos para as atividades do dia. Da mesma forma, podemos realizar práticas, inclusive à noite, para podermos acalmar e relaxar, preparando nosso corpo e mente para o sono.

Todos benefícios que o Yoga proporciona reverberam nas diversas áreas de nossas vidas, inclusive em nossos processos de aprendizagem. O Yoga na educação, desde o nível básico até o nível mais elevado, pode-se mostrar muito eficiente. Já existem alguns estudos que indicam que as práticas de Yoga proporcionam aos estudantes mais disposição, atenção e concentração para as atividades escolares. Assim, se você é estudante e deseja estar mais concentrado para fazer suas leituras, para escrever textos, para estudar aquele conteúdo desafiador para você, sugiro que busque melhor conhecer o Yoga e começar a praticá-lo, pois, certamente, isso vai te auxiliar física, emocional e mentalmente.

* Foto descrição: Foto tirada de perfil em uma praia. Ao fundo o mar, algumas pedras, o céu azul com poucas nuvens e montanhas bem distantes. Contrastando com o mar e com a areia da praia, no canto superior direito e esquerdo da foto há alguns galhos de árvore. Na areia a Ana Gabriela faz um asana (perna direita flexionada com o calcanhar abaixo da pélvis e a perna esquerda para trás. Com o tronco alinhado a mão direita elevada pela frente do corpo na altura dos ombros com os dedos polegar e indicador encostados e os dedos médio, anelar e mínimo estendidos. A perna de trás está flexionada para cima e a mão esquerda segura o meio do pé esquerdo. A cabeça está alinhada com o tronco e o olhar está direcionado para a frente). Ela está de olhos fechados usando uma legging preta e um top vermelho. Seus cabelos estão caídos em seus ombros e seu semblante está tranquilo.

Tags: comunicaPET

Memorial virtual conta histórias de vítimas da Covid-19 no Brasil

25/05/2020 15:52

Moara Zambonim,
Bolsista PET-Letras
Letras – Português

O Brasil já ultrapassa a marca de 22 mil vítimas do novo coronavírus (SARS-CoV-2) na pandemia que já é uma das maiores crises sanitárias da história do país. Pensando em transformar a frieza das estatísticas e sensibilizar a população diante dos números, o projeto Inumeráveis tem reunido as histórias de centenas de brasileiros que perderam suas vidas em decorrência do vírus. O projeto também possui um perfil no Instagram: @inumeraveismemorial.

Fonte: imagem disponível no Instagram do Projeto*

No site do memorial, os nomes são exibidos em ordem alfabética, acompanhados da idade e de uma breve mensagem sobre cada uma das vítimas. Ao serem clicados, os nomes se tornam biografias, em geral curtas e leves, mas que buscam preservar um retrato íntimo e sensível dos homenageados:

Adonias Antunes Zebral, de 82 anos, era de

poucas palavras, mas muitos sorrisos”.

Erika Regina Leandro dos Santos, de 39 anos, era a

melhor amiga de infância de qualquer um em cinco minutos”.

O projeto atraiu mais de 60 mil seguidores nas redes sociais e já contou centenas de histórias, desde que foi lançado pelo artista visual Edson Pavoni no final do mês de abril, em colaboração com um grupo de jornalistas e outros artistas.

Para o trabalho ser feito, o memorial busca revisores e redatores voluntários que possam trabalhar com os relatos enviados por familiares das vítimas. Há também espaço para colaborar com checagem ou com pesquisa. Nesse último caso, o projeto incentiva que os voluntários localizem histórias, realizem entrevistas e, se houver consentimento, conte-as com “sensibilidade e delicadeza”.

Não há quem goste de ser número, gente merece existir em prosa”, resume Pavoni, idealizador do projeto, em post publicado no Instagram em 29 de abril.

Fonte: Arquivo pessoal. Moara em seu espaço de estudos**

Saiba mais sobre o projeto, clique aqui!

Se gostou da iniciativa e quer contribuir, seja voluntário. Clique aqui e se informe.

Ah, você também pode homenagear uma vítima da COVID-19 adicionando uma história. Para saber como, clique aqui.

* Fotodescrição: imagem com fundo cinza claro. Na lateral esquerda há um raminho de folhas finas e pontiagudas. Ao centro, escrito em preto, em letras maiores e em quatro linhas: “Não vamos / deixar nenhuma / história virar / número”, seguido de: “Ajude a construir o Memorial das / vítimas do coronavírus no Brasil.”, em letras menores e em duas linhas.

** Fotodescrição: Moara está sentada em uma mesa de vidro redonda com um computador preto à sua frente e um caderno aberto à sua esquerda. O caderno está escrito nas duas páginas e tem uma caneta-bic azul em sua lombada. Ela está de vestido cinza claro, com mangas de comprimento médio, usa óculos rosa e tem uma mão apoiando o queixo, pode-se ver que tem as unhas pintadas de vermelho. Ao fundo, uma porta de madeira escura.

Tags: comunicaPET

Um canto pela Latino-América: música e resistência

22/05/2020 12:24

Sarah Ortega,
Bolsista PET-Letras
Letras – Espanhol

Apesar da proximidade geográfica, pouco sabemos sobre os países que compõe a América Latina. Considerando essa realidade, este texto não intenta apresentar questões e/ou estratégias coloniais relacionadas às potências mundiais, e, sim, recomendar algumas músicas como modo de se aproximar à língua e à cultura desses vizinhos, muitas vezes, misteriosos para nós e, deste modo, proporcionar a oportunidade de compartilharmos, por meio da música, alguns conhecimentos sobre eles.

Começo, pela América do Sul, com a banda Perotá Chingó, formada por músicos da Argentina, do Uruguai e do Brasil. Músicas gostosas de ouvir, tais como “Oh Mamãe”, o clássico “Ríe Chinito” e, para arrepiar com a força vocal das cantoras, “Reverdecer”.

Fonte: Montagem feita por Sarah Ortega, a partir de fotografias disponíveis na internet *

Não poderia deixar de mencionar Violeta Parra, uma mulher chilena com músicas que mostravam a beleza da arte camponesa e do folclore chileno com suas letras belíssimas de cunho social e político. Experimente ouvir “Volver a los 17” na voz de Mercedes Sosa, mulher argentina e com a voz incrível, que gravou duetos com Milton Nascimento, assim como com Chico Buarque, Daniela Mercury e alguns outros cantores que, nós brasileiros, nos orgulhamos em ter. Ademais, outra cantora que conquista corações com músicas que exaltam a cultura mexicana é Natalia Lafourcade, inclusive em seu recente álbum: Musas.

Por fim, não poderia faltar a voz do México, único país da América do Norte que também faz parte da Latino América, a cantora que revolucionou a ranchera mexicana: Chavela Vargas. Rompendo com a realidade tradicional de sua época, usava roupas ditas como masculinas e aos 81 anos se assumiu como lésbica na TV mexicana. Com certeza ela irá revolucionar os seus ouvidos com suas músicas, como, por exemplo, “Paloma Negra”.

Vale destacar que estas foram algumas cantoras que cantaram em prol da identidade de seus países, de sua vida e cultura. Suas músicas belíssimas nos permitem conhecer muito sobre a Latino América. Portanto, a última recomendação que deixo para você, nosso leitor, é:

se permita ouvir a América Latina na voz de seu povo
e desfrute dessa cultura única e tão rica.

* fotodescrição: A imagem é uma colagem de cinco fotografias, em preto e branco, de mulheres. No lado esquerdo superior está Violeta Parra segurando um violão. Ela usa um lenço sobre a cabeça e uma regata por cima de uma camisa. No lado direito superior encontra-se Mercedes Sosa de mãos segurando-se uma a outra e próximas ao seu rosto. Ela tem cabelo preto e comprido e usa uma blusa de manga longa. No lado direito inferior, numa foto mais alongada que as demais, há Chavela Vargas sorrindo com a boca aberta, deitada em um gramado e vestindo um terno com uma flor pregada nele. Ao centro, no lado esquerdo, há a foto de Julia Ortiz com Dolores Aguirre encostada na sua face direita com um traço desenhado no buço, simulando um bigode, e, por fim, ao canto esquerdo inferior há Natalia Lafourcade olhando para cima. Ela possui cabelo curto e liso, usa um brinco de argola e veste uma camisa branca.

Tags: comunicaPET

Imagens em forma de texto: você sabe o porquê da descrição?

19/05/2020 16:35

Ana Maria Santiago,
Bolsista de Acessibilidade
Letras – Português

Talvez você já tenha notado que as fotos postadas nas redes sociais do PET-Letras sempre contam com uma descrição, um texto que explica o que aparece na imagem. Fazemos isso para garantir que mais pessoas possam ter acesso aos nossos conteúdos de forma mais equânime. Então, conheça um pouco mais sobre o assunto e junte-se a nós nesse movimento.

As pessoas cegas ou com baixa visão acessam computadores e celulares através de softwares e aplicativos chamados leitores de tela, que reconhecem as informações da tela e as convertem em fala através de uma voz sintetizada. No entanto, esses recursos ainda não são capazes de interpretar as imagens, daí a necessidade de descrevê-las. Além disso, pessoas com outras deficiências, como autismo, também podem se beneficiar das descrições.

Não é difícil descrever uma imagem. Que tal tentar? Aqui vão algumas dicas simples para começar:

  • Descreva apenas o que você vê. Não emita opiniões ou faça interpretações pessoais sobre a imagem.
  • Seja o mais objetivo possível, mantendo os detalhes importantes.
  • Dizer as cores é importante, ainda mais se elas forem relevantes na imagem.

Agora uma orientação básica:

1. Comece com o tipo da imagem: foto, tirinha, folder etc.
2. Destaque os elementos: o quê, quem, quando e onde.
3. Use verbos para descrever ações ou circunstâncias (faz o quê, como).
4. Se houver texto, transcreva-o integralmente.
5. Utilize termos de acordo com o tom e a intenção da imagem.

Como tudo na vida, descrever imagens também é um hábito. Quanto mais você faz, mais fácil fica. Não se preocupe se acontecer de você errar, às vezes, acontece. Entretanto, não tem segredo. Além disso, não espere ter amigos cegos ou com baixa visão para começar. Descrevendo você abre caminhos e ainda divulga a descrição de imagens para outras pessoas que nunca pensaram nisso.

Lembre-se, acessibilidade nas redes sociais não é um favor, mas sim a construção de uma consciência mais inclusiva que favorece quem a proporciona e quem recebe. Acessibilidade também é garantir o direito de todos terem acesso à imagem, já que se ela está ali, é por algum motivo, não é mesmo? Todos deveriam poder saber qual é esse motivo. Por isso, é tão importante descrever as imagens.

Colabore para tornar a internet um lugar mais confortável: descreva imagens!

Fonte: Arquivo do PET-Letras – Foto de uma oficina de Braille ministrada por Ana Maria Santiago no espaço Zahidé Muzart*

*Fotodescrição: Ana Maria Santiago veste a camisa cinza chumbo com a logomarca branca do PET-Letras e um short colorido. Ana está de pé na lateral de uma mesa com as mãos sobre ela. Dois homens e duas mulheres jovens estão sentados à mesa. Os homens à direita, de frente para a foto, e as mulheres à esquerda de Ana, de costas para a foto. Em primeiro plano, há outra mesa onde estão quatro jovens mulheres, duas de frente e duas de costas para a foto. As mulheres próximas à parede branca estão de cabelo preso com coque e as da esquerda tem cabelos soltos e bem cacheados. Sobre as mesas de madeira, é possível observar folhas, regletes e outros materiais. Ao fundo há um extintor de incêndio, uma parede de vidro refletindo a sala e o fotografo e, à direita, uma porta de vidro aberta. Além do vidro, há uma garota se movimentando e um rapaz sentado.

Tags: comunicaPET

O PET-Letras apoia o adiamento do ENEM 2020

19/05/2020 00:16

Estamos passando por uma situação nova e desafiadora, frente à pandemia da COVID-19, e, assim como vem sendo proposto e defendido por diversas entidades estudantis e conselhos educacionais, o PET-Letras entende que o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM 2020) é necessário. As ações tomadas pelos municípios, pelos estados e pelo governo federal para o controle do novo corona vírus no país têm intensificado a desigualdade na preparação para o exame, tornando-o mais excludente.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um em cada quatro brasileiros não têm acesso à internet, o que corresponde a cerca de 46 milhões de pessoas sem acesso à rede mundial de computadores. Assim, as ações de ensino remoto e de educação a distância que vêm sendo adotadas como forma de manter as atividades educacionais, não atende de modo equânime à população brasileira, intensificando a desigualdade de acesso à educação. Além disso, muitas instituições educacionais públicas não dispõem de um material didático-pedagógico adequado ao aprendizado externo ao ambiente escolar, nem dispõem de professores com condições e recursos apropriados para atuar diretamente com o ensino remoto ou com a educação à distância.

Fonte: Arquivo do PET-Letras (imagens dos petianos na campanha #AdiaEnem)*

Devido à nova realidade causada pela pandemia, diversos países — como China, França e Estados Unidos — têm suspendido alguns de seus principais exames e vestibulares. Essa parece ser a atitude mais prudente e coerente nesse momento, já que além da suspensão de aulas presenciais, muitos jovens estão enfrentando questões pessoais e familiares delicadas, as quais têm comprometido ainda mais a manutenção da saúde física e mental.

Portanto, considerando que o ENEM precisa ser um meio de democratização do acesso ao ensino superior brasileiro, como PET-Letras, defendemos que, enquanto persistir a situação incerta e instável provocada pela pandemia e não houver condições mínimas de os estudantes melhor se dedicarem à preparação para o exame, o ENEM 2020 não deve ser realizado.

O PET-Letras apoia #AdiaEnem.

* fotodescrição: Imagem 1 (superior da esquerda) – Uma combinação de fotos de três petianas em uma moldura branca, onde se vê, da esquerda para a direita, as petianas: Sarah, Ananda e Ana Gabriela, sendo que na parte inferior da imagem, ao lado da foto da Ana Gabriela encontra-se a logo do PET-Letras. As petianas estão segurando cartazes com os seguintes dizeres: “PET-Letras UFSC apoia o #AdiaEnem”. No centro da moldura, na horizontal, à direita, há a seguinte frase: #AdiaEnem, em um retângulo preto com letras em cor branca.

fotodescrição: Imagem 2 (superior da direita) – Uma combinação de fotos de seis petianxs em uma moldura branca, onde se vê, da esquerda para a direita, os petianxs: Felipe, Andreia, Daniel, Luciana, Vitor e Camila, segurando cartazes com os seguintes dizeres: “PET-Letras UFSC apoia o #AdiaEnem”. No centro da moldura, na horizontal, separando três fotos na parte superior e três fotos na parte inferior, há a logo do PET-Letras, à esquerda, e a seguinte frase, à direita: #AdiaEnem, em um retângulo preto com letras em cor branca.

fotodescrição: Imagem 3 (inferior) – Uma combinação de fotos de três petianas em uma moldura branca. Duas fotos estão dispostas na parte de cima e uma abaixo. Na parte superior direita, a petiana Juliana e na parte inferior direita a petiana Moara junto a seguinte frase, na lateral direita e em vertical: #AdiaEnem em um retângulo preto com letras brancas. Na parte superior esquerda, a petiana Nicole e na inferior esquerda encontra-se a logo do PET-Letras. As petianas estão segurando cartazes com os seguintes dizeres: “PET-Letras UFSC apoia o #AdiaEnem”.

Tags: AdiaEnem

Você conhece Grace Nichols e sua obra?

18/05/2020 19:00

Nicole Rabello,
Bolsista PET-Letras
Letras – Inglês

Grace Nichols é uma mulher negra nascida em Georgetown na Guiana em 1950. Ela se tornou famosa depois de ganhar o prêmio Commonwealth Poetry Prize pelo seu primeiro livro de poesias, publicado em 1983, chamado I is a Long-Memoried Woman (em português, Eu,uma mulher com longa memória). A obra foi adaptada para rádio pela BBC e, também, para o cinema.

Então, como ainda não conhecemos Grace e suas obras? Bom, esta pergunta é respondida por muitos escritores negros que têm seus trabalhos invisibilizados, não só pela academia, mas, também, pela mídia. As obras da Grace não têm tradução para o português brasileiro e muitas das pesquisas acadêmicas sobre ela acabam, infelizmente, restritas ao universo acadêmico.

Considerando esse processo de invisibilização e o fato de não termos as obras de Nichols em português brasileiro, apresentaremos para vocês, brevemente, essa mulher negra transbordando de vivências culturais e algumas de suas obras.

Grace Nichols se formou na Universidade de Guiana e trabalhou como professora e jornalista. Neste período, ela viveu, durante um período, em áreas remotas da Guiana, o que teria influenciado muito em sua escrita. Alguns dos temas recorrentes em suas obras são contos do povo guianês, mitos ameríndios e as antigas civilizações sul-americanas, como os Astecas e os Incas. Muitos desses temas estão em suas obras infanto-juvenis, como Come on into My Tropical Garden de 1988 (em português, Entre em meu Jardim Tropical) e Give Yourself a Hug de 1994 (em português, Abrace-se).

 Além das obras acima, vale apena citar algumas outras, tais como: The Fat Black Woman’s Poems de 1984 (em português, Poemas de uma Mulher Negra Gorda), Lazy Thoughts of a Lazy Woman  de 1989 (em português, Pensamentos preguiçosos de uma Mulher Preguiçosa), e Sunris de 1996 (em português, Amanhecer).

Conheci a Grace Nichols através de um professor de Literatura Inglesa durante a minha graduação em Letras-Inglês na UFSC. Ele trabalhou alguns autores de língua inglesa que não eram britânicos, americanos ou neozelandeses. Por isso, a importância de se apresentar essas autoras dentro academia, já que é uma maneira de graduados conhecê-los e, consequentemente, apresenta-los, em seus respectivos campos de atuação, para a comunidade externa. Grace Nichols, assim como outros autores, escreve sobre sua cultura de maneira rica trazendo seus pontos de vista sobre a sociedade e a cultura. O poema que lemos com o professor de literatura se chamava Epilogue (em português, Epílogo) e foi um dos mais recentes publicados por Grace, ele pertence a coletânea chamada I Have Crossed an Ocean: Selected Poems de 2010 (em português, Eu Cruzei um Oceano: Poemas Selecionados).

E aí, gostou de conhecer mais uma autora?

Ficou curioso e quer saber mais sobre essa mulher maravilhosa?

Acesse o site: https://literature.britishcouncil.org/writer/grace-nichols  e encontre mais informações sobre ela.

 


Fonte: British Council – Mike Park*

*Fotodescrição: Imagem  de Grace Nichols em fundo azul. Ela é uma mulher negra de cabelos crespos curtos. Usa óculos com lentes retangulares, brincos com pingentes verdes, casaco preto e um colar composto por pequenas argolas em dourado e azul.

Tags: comunicaPET

HQs para desfrutar durante e após a quarentena

15/05/2020 11:32

Luciana dos Santos,
Bolsista PET-Letras
Letras – Inglês

Em tempos desafiadores como o que vivemos, ler um livro para se distrair e se afastar um pouco das notícias pode ser uma tarefa difícil. Por mais que o tempo pareça sobrar, a disposição para tal atividade pode faltar. Algo que sempre me motiva a voltar a ler em épocas de “seca literária” são as HQs (Histórias em Quadrinhos), ou Graphic Novels.

Ao ler uma HQ, torna-se mais fácil adentrarmos em um universo diferente do nosso. Não só mergulharmos em palavras, mas também em imagens que descrevem esse ambiente desconhecido que é retratado na obra. Ler uma HQ, desse modo, pode ser uma estratégia para retomarmos o ritmo de leitura, ao qual éramos acostumados, ou que gostaríamos de ter.

Por que HQs podem ser mais envolventes do que outros livros? Bom, elas captam a nossa atenção através da beleza do traço e das cores, apresentando personagens com os quais temos facilidade de nos identificar. Além disso, a leitura de uma HQ requer uma postura ativa do leitor, graças a um fenômeno, chamado “closure”, que ocorre nas leituras de HQs. Segundo Scott Mccloud (1993), closure é o que acontece ao observamos as partes do quadrinho (que são os quadrados), mas percebendo o total (a história).

Fonte: Arquivo Pessoal (petiana Luciana)*

Portanto, é comum nos envolvermos mais na leitura de uma HQ, já que conectamos os momentos retratados, e, mentalmente, construímos a história. Ademais, as HQs são especiais também por poderem ser relacionadas à infância da maioria de nós. Quem, quando criança, nunca leu ou sentiu vontade de ler os quadrinhos da Turma da Mônica, do Homem Aranha ou um mangá do Naruto?

Há muitas opções de HQs no mercado, baseadas em diferentes visões de mundo e para todos os gostos; afinal: “os quadrinhos são uma das poucas formas de comunicação de massa em que vozes individuais ainda têm chance de serem ouvidas” (MCCLOUD, Understanding Comics: The invisible art, 1993, p. 197, tradução minha). Então, qual HQ ler em meio a tantas opções? Aqui vão algumas sugestões de HQs com menos de 250 páginas:

  • Fun Home: Uma tragicomédia em família (Título original: Fun Home: A Family Tragicomics) (240 páginas): Trata-se de uma obra escrita originalmente em inglês com temática LGBT e familiar, onde a autora Alison Bechdel retrata com toques de ironia e melancolia sua difícil relação com seu falecido pai, além da descoberta da sexualidade de ambos.
  • Bordados (Título original: Broderies) (136 páginas): Apesar de não ser tão aclamado quanto Persépolis, esta obra de Satrapi também merece atenção. Neste quadrinho, lançado em francês, a autora reúne conversas e pensamentos entre ela e as mulheres de sua família sobre amor, sexo, e homens de forma muito bem humorada.
  • Dois irmãos (232 páginas): Baseado no romance de Miltom Hatoum, os irmãos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá adaptaram a história contubada dos irmãos Yaqub e Omar para HQ em português. Mas, aqui, Manaus é retratada em preto e branco, luz e sombra.
  • Cumbe (192 páginas): Nesta HQ, o premiado quadrinista brasileiro Marcelo D’Salete retrata em português de forma impactante a luta e a resistência dos negros no Brasil colonial contra a escravidão.
  • Os Beats: Uma graphic history (Título original: The Beats: A Graphic History) (197 páginas): Pra quem gosta da geração Beat, vale a pena conferir a HQ que conta brevemente a biografia dos autores que fizeram parte do movimento.

Aproveite essas sugestões e desfrute da leitura de HQs durante a quarentena.


Fonte: Reprodução (Fun Home – Editora Todavia; Bordados – Editora Companhia das Letras; Dois Irmãos – Editora Companhia das Letras; Cumbe – Editora Veneta; Os Beats – Editora Benvirá)**

*Foto descrição [imagem 1]: Foto mostrando a petiana Luciana lendo sentada em um sofá cinza claro de costas para a câmera. Ela segura à esqueda uma Graphic Novel  aberta com desenhos preto e branco. Na página da esquerda pode-se ler o título “Gregory Corso” no topo da página. Luciana está vestindo uma blusa de gola vermelho escuro e uma calça cinza escuro. À direta na foto aparece seu cabelo enrolado castanho repartido para a esquerda;

**Foto descrição [imagem 2]: Na imagem aparecem as capas dos livros recomendados. Da esqueda para a direita, a primeiro capa é a de Fun Home, onde há um fundo bege claro, uma janela azul clara mostrando um homem sentado numa poltrona lendo um livro com uma estante de livros atrás dele. Os tons da capa são em azul claro, preto e branco, com o título da HQ e o subtítulo “Uma tragicomédia em família”, em tamanho menor que o título, centralizados em preto com fundo branco no topo. O nome de Alison Bechdel está em preto abaixo do parapeito da janela, que é azul. A segunda capa é a de Bordados, em que aparecem várias mulheres olhando para nós. Elas estão em preto e branco, o funda da capa é amarelo esverdeado. No topo, há o título Bordados centralizado, que está em vermelho, o nome da autora Marjane Satrapi e a logotipo da coleção da editora Quadrinhos na Cia centralizados em azul escuro. A terceira capa é a de Dois Irmãos, em que há repartido por um risco bege claro um rosto ao meio com as cores bege escuro e marrom alternadas, e o título está centralizado no topo em marrom, abaixo dos dizeres “Baseada na obra de Milton Hatoum” à esqueda e “quadrinhos na Cia.” à direita em marrom. Os nomes dos quadrinistas Fábio Moon na esquerda e Gabriel Bá na direita em bege claro abaixo do título. O fundo da imagem é com tons de vermelho e pinceladas de bege. A quarta capa é a de Cumbe, cujo título está em branco como o nome do autor Marcelo D’Salete embaixo do título, que está em tamanho bem maior. O fundo é azul anil e, em primeiro plano, há um homem de cabelos crespos e curtos, sem camisa e usando um colar, segurando uma lança. Há uma árvore ao seu lado esquerdo e plantas em baixo, onde há o nome da editora Veneta. No canto desse primeiro plano, longe do homem, há uma casa com escadas. A última capa é a de Os Beats, onde se intercalam as cores vermelho e amarelo. No topo, no meio e na parte de baixo, estão rostos de três homens, um em cada parte da capa, desde a raíz dos cabelos até a metade do nariz deles. Abaixo do primeiro homem há o título em vermelho, embaixo do título há o subtítulo “Uma graphic history” alinhado à esqueda em amarelo sobre uma linha vermelha que sublinha o título. E entre o homem que está na metade da capa e o que está mais em baixo, está escrito no centro “Roteiro de Harvey Pekar, Nancy J. Peters, Penelope Rosemont, Joyce Brabner, Trina Robbins e Tuli Kupferberg. Editado por Paul Buhle. Arte de Ed Piskor, Jay Kinney, Nick Thorkelson, Summer McClinton, Peter Kuper, Mary Fleener, Jerome Neukirch, Anne Timmons, Gary Dumm, Lance Tooks e Jeffrey Lewis”.

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Poesia na contemporaneidade e a possibilidade de interação autor-leitor

14/05/2020 16:33

Juliana Maggio,
Bolsista do PET-Letras
Letras – Português

A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza […] (PAZ, 1982, p.15).

Como podemos constatar nas palavras de Paz, a poesia nascida a tempos atrás, que ao longo do percurso foi se transformando e assumindo diferentes papéis, hoje, em pleno século XXI, não deixa de encantar e arrebatar tantos amantes que buscam na literatura uma forma de ouvir e de exprimir seus sentimentos. Tenha a estética que tiver, a poesia seduz e extrai, de forma simbólica, o que atormenta e ocupa nossos pensamentos.

[…] poema é um caracol onde ressoa a música do mundo, e métricas e rimas são apenas correspondências, ecos, da harmonia universal. (PAZ, 1982, p.15).

Em tempos guiados pelas tecnologias, a arte literária presente nos livros vem cada vez mais sendo transformada em registro virtual, muitas vezes, transitório e os livros mesmo estão ocupando basicamente o ambiente escolar. Além de sugerir um problema, essa transformação característica das novas gerações, entre tantos motivos e consequências, demonstra certa falta de “representatividade temporal”.

Nesse caso, a representatividade temporal seria a relação da produção literária com a época, com as vivências e com os anseios do seu leitor. Entretanto, o modo como a poesia, por exemplo, é apresentada nas escolas nem sempre a aproxima do tempo de seu leitor, já que são apresentadas como objeto de ensino. Comumente, os estudantes recebem poesias antigas, metrificadas e com palavras e versos arcaicos sem uma abordagem adequada por parte dos professores. Trabalhar uma produção literária de outra época não é um problema, desde que ela seja apresentada, contextualizada e abordada de modo a evidenciar suas características e relações com a atualidade. De qualquer forma, há a necessidade de levarmos aos estudantes, leitores atuais, poesias contemporâneas. Isso é de suma importância, pois muitos de seus escritores são de fácil acesso e contato, além de escreverem de forma mais atual.

Com o auxílio das redes sociais, os poetas, escritores e pensadores contemporâneos conseguem interagir facilmente com seus leitores e, inclusive, promover uma interação rica e produtiva. Desta forma, a imagem contemporânea do poeta não é a de um ser intocável, mas, sim, de uma pessoa comum com a capacidade de tocar outras pessoas comuns com suas palavras atuais.

Podemos citar a poeta e publicitária Clarice Freire, mulher nordestina que teve sua arte divulgada inicialmente na internet através de um blog. Freire ficou bem conhecida após criar uma página no Facebook e mais tarde, no Instagram. Clarice compartilha e interage ativamente com seus leitores e admiradores, rompendo com a imagem do “Ser Supremo Intangível”, antes atribuída aos poetas.

Assim o texto poético pode ser trabalhado e abordado em sua produção e manifestação contemporânea próxima aos leitores-estudantes que, além de conhecerem a produção literária atual, passam a ter a possibilidade de aprimorar e desenvolver o gosto literário em contato com o autor.

Por fim, é importante frisar que em qualquer gênero literário, não somente a poesia, é possível explorar essa interação autor-leitor partilhando o mesmo tempo e, até mesmo, espaço, ainda que através do contato virtual. Considerando essa possibilidade — intensificada na contemporaneidade pela tecnologia e, consequentemente, pelas redes sociais —, deixo como sugestão de leitura as poesias de Clarice Freire e sugiro que a procurem no Facebook e no Instagram. Gostaria de finalizar com uma passagem do livro “Pó de Lua nas Noites em Claro” de Clarice Freire:

Abri a gaiola do imaginário,
então libertei os sonhos contidos.
Voaram como o vento por toda a casa
como se não fossem mais proibidos.

Foto: Arquivo Pessoal (petiana Juliana)*

PAZ, Otávio. O arco e a lira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.

*Foto descrição: A foto mostra a petiana Juliana sentada no sofá em meio às almofadas, lendo o livro “Pó de Lua nas Noites em Claro” com as folhas amarelas. À sua esquerda há uma parede branca e uma cortina branca com franja vermelha, além de um xícara colorida de chá. Olha para o livro enquanto lê e o segura com as duas mãos. Ela têm a perna esquerda dobrada por baixo da direita (que possui duas tatuagens, uma grande de rosas no meio da canela e outra pequena no pé, que lembra o símbolo do infinito em forma de pena). Juliana tem longos cabelos castanhos e lisos, que estão semi presos na parte superior da cabeça, usa óculos quadrados e tem a pele clara. Está vestindo um roupão bege, o sofá é grande, macio e marrom, e as almofadas são coloridas, duas são com fundo bege e flores vermelhas e a outra é com fundo bege e tiras que lembram ondas em tons de marrom.

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O xadrez como suporte ao desenvolvimento e ao conhecimento de si e do outro.

13/05/2020 17:09

Andréia Gomes,
Bolsista do PET-Letras
Letras – Português

O xadrez é um jogo antiquíssimo e muitas são as histórias contadas sobre a sua origem. Existem relatos de que o xadrez foi idealizado pelo rei Salomão que queria um jogo que não dependesse de sorte, e, sim, da capacidade de raciocínio do jogador; sua origem também é associada aos mandarins que eram contemporâneos a Confúcio e aos egípcios. No Brasil, tem-se notícia de que ele teria chegado no ano de 1808, trazido por Dom João VI, mas que só foi jogado pela primeira vez mais de setenta anos depois.

Um dos princípios deste jogo é tentar prever as jogadas dos adversários, empregando estratégias e fazendo movimentos para emboscadas. Apesar de ser um jogo relativamente fácil de aprender, ele exige muito raciocínio, assim como habilidades de concentração, de planejamento e de tomada de decisões. Nesse sentido, o jogador precisa imaginar jogadas que serão feitas à frente, ou seja, os jogadores precisam exercitar mentalmente a sequência de suas jogadas e das do adversário. Sem dúvida, é um jogo que exige muita prática e que tem como um de seus resultados o desenvolvimento de capacidades de raciocínio.

No contexto de ensino-aprendizagem, o jogo de xadrez  oferece muitos benefícios ao desenvolvimento cognitivo e emocional do aprendiz, jogadores de xadrez tem aguçados e aperfeiçoados sua capacidade de interpretação, sua memória, seu raciocínio lógico, suas habilidades para tomar decisões, sua capacidade de abstração, sua criatividade e sua capacidade de planejamento estratégico, entre outras habilidades, capacidades e, até mesmo, atitudes (aprender a lidar com regras e a respeitá-las, desenvolver a socialização etc.).

Um aspecto importante do xadrez é o desenvolvimento do autoconhecimento. Isso mesmo. Você se conhece e reconhece por meio do xadrez. E se ver no xadrez é se perceber na vida. Como assim? Quando você é ameaçado no jogo, por exemplo, suas opções são contra atacar, recuar e/ou se defender. Portanto, o modo como você responderá a um ataque diz muito sobre como você é. Suas ações e reações no xadrez dizem muito de suas atitudes na vida, demonstram como você lida com os desafios de seu dia a dia. Nesse sentido, é possível conhecer também o seu adversário.

Outra questão, bem polêmica, são as cores das peças do xadrez e o porquê as peças brancas possuem vantagem e, por sua vez, iniciam o jogo. Uma curiosidade sobre isso é que, inicialmente, as peças eram vermelhas e pretas, pois, como eram feitas de madeira, esses tons eram mais fáceis de conseguir. Entretanto, mesmo assim, as peças eram chamadas de brancas e pretas.

Enfim, essas reflexões que apresentamos acima podem ser aplicadas à vida e ao processo de ensino aprendizagem. O xadrez diz muito da história da humanidade. Ele é, sem dúvida, uma ótima ferramenta para você que é professor(a), podendo apoiar o seu trabalho e também os seus alunos no desenvolvimento de diversas capacidades, habilidades e atitudes importantes para a vida. Que tal jogar um pouco de xadrez e levar esse jogo para o cotidiano dos ambientes de ensino-aprendizagem?

Ah, em breve, o PET-Letras estará desenvolvendo um projeto de ensino de xadrez! Fique atento e venha jogar com a gente!

Fonte: Arquivo pessoal (Petiana Andréia jogando xadrez)*

*Foto descrição: Foto estilizada em efeito cartoon mostrando a petiana Andréia sentada à mesa de frente e do busto pra cima. À sua frente há um xadrez sobre a mesa branca. Ela está com as peças pretas e fará sua primeira jogada. Olhando para baixo, ela com a mão esquerda faz a abertura do peão do rei (jogada em que as peças brancas iniciam com E4 e, em seguida, as pretas com E5). Andréia tem cabelos longos, pretos e crespos cacheados jogados para frente e passando os ombros, tem pele parda e usa óculos redondos. Veste uma camisa branca e um moletom rosa.

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