Epidemia no Brasil: reflexos de uma má gestão em período pandêmico?

29/12/2021 20:11

Mariane Pordeus,
Bolsista Acessibilidade – PET-Letras
Letras Libras

O surpreendente aumento de casos de infecções pelo vírus Influenza, fora de época no Brasil, ocupou os noticiários no último trimestre, deste ano, apontando para uma epidemia vivida em meio a pandemia no Brasil.

Ano após ano, os vírus sofrem mutação genética e ficamos expostos às suas variantes. Prontamente, o PNI (Programa Nacional de Imunizações) entra em cena disponibilizando em postos de saúde e clínicas privadas uma vacina atualizada para combater a nova ameaça da Influenza à saúde pública. Entretanto, no início da pandemia do novo coronavírus as medidas restritivas barraram esse processo, inibindo, quase que por completo, os casos de gripe pelo vírus influenza. A prevenção à COVID-19 — vírus respiratório com alto índice de transmissão — possuí um impacto muito maior ao vírus da gripe.

Fonte: Folha de S.Paulo.*

Em consequência disso, a população se esqueceu dos surtos de gripe anuais e o sistema imunológico não desenvolveu defesa diante das novas variações, o que resultou positivamente na diminuição de casos e de ocupações de UTI durante esse momento de sobrecarga nos hospitais em decorrência da COVID-19. Entretanto, a ausência de exposição natural ao vírus influenza nos deixou mais vulneráveis à sua nova forma.

Com a flexibilização das medidas de prevenção ao coronavírus, uma velha conhecida retorna: o vírus influenza A Subtipo H3N2 pertencente à uma nova cepa chamada de Darwin, por ter sido descoberta em uma cidade da Austrália com o mesmo nome. A cepa Darwin foi inicialmente identificada no Rio de Janeiro e vem contribuindo com um surto de casos em diversas regiões do Brasil em período atípico, sendo categorizada por especialistas como epidemia.

É importante destacarmos que o número de vacinados contra a gripe, neste ano, foi inferior aos anos anteriores e, também, a conciliação com o intervalo para a vacinação contra a COVID-19 pode ter agravado este baixo índice de adesão à vacina. Além disso, uma estranha ideologia negacionista presente no atual governo, e incentivada por ele, toma forma em confronto à cultura da vacina.

O discurso antivacina do presidente Jair Bolsonaro, contrapõe inclusive a postura que ele próprio defende: o exército na ditadura militar — tendo em vista que foi neste período que o PNI foi criado, com o objetivo de controlar o surto de doenças infecciosas da época. Infelizmente, pela primeira vez desde a sua criação, o PNI sofre ameaças. Em meio à epidemia, à pandemia e aos conflitos políticos, o que resta à população é permanecer fundamentada na cultura da vacinação, consciente de que programas de política pública como o PNI são reconhecidos mundialmente por seu caráter eficaz de controle de doenças infecciosas.

Sendo assim, que não sejamos infectados por essa onda negacionista, mas que estejamos atentos ao rumo dessa batalha biológica entre a humanidade e os vírus que a assolam.  É preciso atenção nacional para que a epidemia brasileira não coincida com a variante Ômicron do novo coronavírus. Esse cenário delicado e incerto resultaria em uma nova pressão aos hospitais e seria praticamente imprevisível e impossível prever o seu real impacto no Brasil.

Por fim, que possamos refletir acerca de nossa conduta individual pelo bem coletivo, afinal a vacinação tem o poder de erradicar enfermidades, mas uma população consciente tem o poder de mudar seu destino!

*descrição: O texto possui duas imagens reunidas. Na parte superior, um gráfico de mapa que indica os estados brasileiros que registraram aumento de casos de gripe. São eles: Amazonas, Acre, Rondônia, Amapá, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Enquanto Ceará, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul não registaram aumento de casos. E Roraima, Pará e Piauí não informaram se houve ou não. Na parte inferior, a imagem organiza por estado o número de casos confirmados e mortes por causa da gripe. Respectivamente: Amazonas com 772 casos e nenhuma morte; Bahia com 185 casos e 2 mortes; Espírito Santo com 74 casos e nenhuma morte; Minas Gerais com 67 casos e nenhuma morte; Rio de Janeiro com 47 casos e 7 mortes; Pernambuco com 43 casos e nenhuma morte; Amapá com 37 casos e nenhuma morte; Goiás com 32 casos e nenhuma morte; Paraná com 20 casos e uma morte; Paraíba com 13 casos e nenhuma morte; Rio Grande do Sul com 13 casos e nenhuma morte; Santa Catarina com 7 casos e nenhuma morte; Ceará com um caso e nenhuma morte e Maranhão com um caso e nenhuma morte.

 

 

 

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Você conhece uma “Maria Carmem”?

20/12/2021 16:25

Daniely Karolaine de Lavega,
Bolsista PET-Letras
Letras – Português

Uma história narrada por uma criança, mas escrita para adultos.

O livro Se Deus me chamar não vou, escrito por Mariana Salomão Carrara, foi publicado recentemente, em 2019, pela Editora Nós. Em pouquíssimos capítulos, Maria Carmem, a narradora protagonista da obra, é capaz de nos conquistar facilmente com seu olhar fresco e ingênuo — mas surpreendentemente maduro — de criança. Apesar da guerra que ocorre em sua mente acompanhada da negligência parental, ela possui uma comicidade que nos cativa sem demora: “Uma vez numa viagem eu vi uma aranha comendo um vaga-lume que não parava de piscar. […] Será que o vaga-lume pisca de dor? Se eu pudesse brilhar de dor eu seria um escândalo.” (CARRARA, 2019, p. 7).

Maria Carmem é uma pequena aspirante à escritora que auxilia seus pais — mais jovens que a maioria dos pais que ela conhece — no estabelecimento comercial da família, que trabalha com a venda de produtos para o público da terceira idade. É interessante pensar que, segundo Carrara (2019), a menina nasceu no fim. Nós acompanhamos seu cotidiano nos ambientes familiar e escolar, conhecendo seus sentimentos e pensamentos mais complexos. Maria Carmem é uma criança angustiantemente real e luta contra problemas reais; como sua preocupação em relação à falta de prosperidade da loja de seus pais, o bullying diário que a acomete na escola e o medo imensurável de morrer. Envolvida por uma solidão devastadora — que parece ser invisível junto a todo o restante para seus pais —, a menina constantemente desconstrói e reconstrói o mundo em torno de si, estimulando-nos a refletir de verdade acerca de algumas sutilezas da vida: “Acho que existem crianças mais solitárias que os velhos.” (CARRARA, 2019, p. 26).

O livro se assemelha a um diário; gira em torno de Maria Carmem tentando escrever, com o auxílio de sua professora, um livro sobre sua própria história — ela acredita que poderá escrever sobre a história de outra pessoa somente quando se tornar escritora de verdade, depois de praticar bastante. Maria Carmem tem apenas 11 anos de idade, está no 6º ano do ensino fundamental, mas definitivamente não podemos subestimá-la. Entre o sentimento de solidão absoluta, a sensação de não se encaixar em algum lugar e questionamentos acerca da religião e da pressão estética sobre o corpo feminino, a menina pinta com perfeição o período da pré-adolescência.

Fonte: Amazon*

A leitura é emocionante, divertida e, apesar de leve, atinge-nos como um furacão; temos a sensação de estar descobrindo a vida ao lado da personagem, como se tivéssemos retornado à infância. Se Deus me chamar não vou naturalmente constrói uma moradia permanente no interior de nós, por isso Mariana Salomão Carrara parece ser uma promessa da literatura nacional. É impossível acompanhar a transição de Maria Carmem para a adolescência e não se identificar com suas dúvidas, seus medos e suas dores. Crescer é doloroso e deixa cicatrizes para trás. É assombroso o quanto nós nos encontramos na personagem e sofremos com ela. Existem incontáveis “marias carmens” perdidas por este mundo.

Se você não se lembra de ter conhecido uma “maria carmem”, você possivelmente foi uma.

REFERÊNCIA

CARRARA, Mariana Salomão. Se Deus me chamar não vou. 1. ed. São Paulo: Editora Nós, 2019. 160 p.

*Descrição: Uma imagem da capa do livro. Esta possui um fundo rosa com linhas laranjas em diagonal. Acima e centralizado, o título da obra se apresenta em letras minúsculas na cor azul cortado por linhas diagonais em rosa. Abaixo e centralizado, o nome da autora se mostra em letras maiúsculas na cor branca. No canto inferior direito da capa, sobre uma pequena faixa azul, o nome da editora aparece em letras maiúsculas na cor branca.

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Revista Preguiça do PET-Letras – 4ª edição

20/12/2021 13:49

A revista (des)acadêmica do PET Letras, a Preguiça, foi pensada, inicialmente, para proporcionar a interação social e criativa dos alunos de diferentes fases dos cursos de Letras.
Surge, então, como um meio de divulgação local das produções literárias dos estudantes, oferecendo um estímulo à produção criativa, por disponibilizar um veículo institucionalizado para a divulgação de ideias dos alunos; e que gerasse reconhecimento e identificação dos seus autores.
Logo em sua primeira edição, a Revista Preguiça passou a receber textos escritos por alunos de todos os cursos de graduação da UFSC, possibilitando, então, a integração das mais diversas áreas, que se voltam para um mesmo objetivo, a produção literária.

A quarta edição da Preguiça está maior e conta com textos de estudantes de graduação da UFSC, de petianos e petianas e, também, de autores externos à Universidade.

Boa leitura!

Revista Preguiça em PDF

*Ilustração por Lara Norões Albuquerque

Confira as edições anteriores:
Revista Preguiça 1
Revista Preguiça 2
Revista Preguiça 3

#fotodescrição: Logotipo da Revista Preguiça, que consiste em três rostos iguais de um bicho-preguiça, em escala de cinza, do mais escuro, à esquerda, para o mais claro, à direita.

O apagamento histórico das mulheres na ciência

15/12/2021 15:09

Isabella Flud,
Bolsista PET-Letras
Letras – Português

Se o assunto for “os maiores cientistas do mundo”, já sabemos que nomes como Albert Einstein e Charles Darwin com certeza serão citados durante a discussão. Entre ícones mais contemporâneos, ainda temos figuras como Carl Sagan e Stephen Hawking, todos eles são ícones extremamente relevantes para a ciência da humanidade. Mas você já parou para pensar quantas mulheres foram apagadas durante a história da ciência? Seja em qualquer nacionalidade ou área de estudo, como exatas, humanas ou biológicas.

Ícones mundiais como Elizabeth Blackwell e Marie Curie possuem um pouco mais de visibilidade, apesar de não conhecerem, especificamente, o legado de cada uma. Elizabeth Blackwell (1821-1910) foi uma médica britânica, considerada a primeira mulher que se formou em medicina nos Estados Unidos e a primeira mulher a ter registro médico no Conselho Médico Geral. Junto de sua irmã, abriram a New York Infirmary for Indigent Women, uma clínica que atendia mulheres indigentes e com vulnerabilidade socioeconômica, além de também terem fundado duas escolas de Medicina destinadas às mulheres, a Woman’s Medical College e a London School of Medicine for Women.

Já Marie Curie foi uma física e química polonesa, com naturalização francesa, foi a primeira mulher a estudar as partículas radioativas. Descobriu os elementos químicos urânio, polônio e o rádio. Além de entender como os efeitos radioativos podem ser prejudiciais para o corpo humano, também difundiu o uso de rádio durante o tratamento de câncer, a conhecida radioterapia. Foi a primeira mulher que ganhou dois prêmios Nobel, um na área de Física e outro na área da Química.

Já sabemos que o número de pesquisadores vêm aumentando no país, mesmo em meio às dificuldades, como a falta de investimento e a frequente interrupção ou corte de bolsas. O Brasil não é favorável para o pesquisador brasileiro, ainda mais se o seu gênero é feminino. Nos dados abaixo, exponho as áreas da ciência em que as mulheres do Brasil são maioria, de acordo com o relatório “A jornada do pesquisador através de lentes de gênero (2020 p.158), elaborado pela empresa Elsevier, uma das maiores dominantes mundiais das publicações científicas, investigou a participação ativa de pesquisadores em 15 países, incluindo o Brasil.

Tabela 1: As áreas da ciência em que as mulheres do Brasil são maioria

Área Gênero Percentual
Bioquímica Feminino 52.7%
Masculino 47.2%
Enfermagem Feminino 73.0%
Masculino 26.9%
Farmacologia Feminino 57.6%
Masculino 42.3%
Imunologia e Microbiologia Feminino 57.7%
Masculino 42.3%
Medicina Feminino 52.7%
Masculino 47.2%
Neurociência Feminino 54.3%
Masculino 45.6%
Odontologia Feminino 52.4%
Masculino 47.5%

Fonte:  Elsevier Gender Report (2020 p. 158)

Para mudar este cenário a Assembleia Geral da ONU definiu o dia 11 de fevereiro como o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, com o intuito de reconhecer e incentivar a participação feminina na ciência. A partir desta temática tão importante, te convido a conhecer uma história em quadrinhos que exalta o protagonismo negro e feminino na ciência brasileira, “Meninas e Mulheres na Ciência”, que conta a história de uma menina negra que sonha em ser cientista e traz diversos aspectos do cotidiano brasileiro.

Fonte: Divulgação*

Seguimos pesquisando, seguimos resistindo!

Referência:

ELSEVIER. The Researcher Journey Through a Gender Lens, Amsterdam, 2021, p. 158. Disponível em <https://www.elsevier.com/__data/assets/pdf_file/0011/1083971/Elsevier-gender-report-2020.pdf> Acesso em dez 2021.

 

*Descrição: Uma imagem na vertical, fundo mesclado em rosa, azul e roxo com três pessoas. O título “meninas e mulheres na ciência” aparece no topo da imagem, na cor branca, com destaque para a palavra “ciência” que está na cor preta e amarela. A primeira é uma menina branca com cabelo liso e castanho, de franja, camiseta rosa e short verde, com uma mão em cada bochecha, demonstrando alegria. A segunda pessoa é uma mulher negra com cabelo crespo bem escuros, usando um jaleco, camiseta verde e calça jeans, está segurando um tubo de ensaio com um líquido verde por dentro enquanto sai fumaça. A terceira pessoa é um menino branco, cabelo curto e escuro, usando uma camisa polo vermelha, está segurando uma parte de uma parede e não aparece por inteiro.

 

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O Humano e a Terra: uma relação abusiva

03/12/2021 12:36

Débora Klug,
Bolsista PET-Letras
Letras Português

Recentemente ganharam espaço, nas ruas, alguns movimentos de jovens e de estudantes que se preocupam com seu futuro: se terão uma Terra habitável para viver. Movimentos inspirados na liderança de Greta Thunberg — que organizou e fundou o Fridays For The Future, conhecido no Brasil como Greve pelo Clima — foram às ruas protestar contra as mudanças climáticas, e exigir alguma posição decisiva dos governantes em relação à contenção do aquecimento global.

Foto de um protesto pelo clima.
Fonte: OutrasPalavras*

Sobre as formas de ver e de interpretar o contato conturbado que se mantém com a Natureza, Ailton Krenak, indígena brasileiro, faz, em “Ideias para adiar o fim do mundo” (2020), críticas ao senso comum de que as culturas indígenas não teriam nada para contribuir ao pensamento e à filosofia contemporâneos. Essa forma de ver a cultura é uma herança direta dos séculos de colonização e extermínio dos povos nativos de Pindorama — nome em Tupi que se dava ao Brasil —, ações que foram motivadas pela noção de uma humanidade esclarecida que teria o dever de ir ao encontro de e civilizar outra sub-humanidade, mostrando-a o caminho para o jeito certo de estar na Terra. Hoje, com pesquisas e estudos sobre a cultura no século XX e XXI, percebemos como essas ideias são perigosas e como motivaram ações maléficas para com seres humanos de culturas apenas distintas do seio europeu, e não inferiores ou erradas.

Entretanto, a ideia de uma humanidade ainda é consenso na atualidade, e é aqui que reside uma das principais críticas de Krenak: à noção de humanidade como um grupo seleto e unitário, que se distingue essencialmente do que não faz parte dele. Tudo o que não é humanidade é coisa, e se colocarmos a Natureza na equação, além de coisa, ela é ainda recurso, que abertamente se explora para fins do progresso desse grupo distinto chamado humanidade. E bem sabemos que essa exploração desenfreada tem afetado, de maneira bruta e irreversível, diversos âmbitos do ecossistema terrestre.

Krenak atenta, em seu livro, para essa relação alienada do homem com a Terra, que acarreta uma série de abusos praticados contra a Natureza. Para o autor, é absurda a ideia de um homem descolado da Terra, sem relação direta com o ambiente que o envolve, e que é o que, única e exclusivamente, permite a existência do ser humano; essa noção de separação, e de desrespeito com a Natureza, é absurda para diversas culturas indígenas: como para os Krenak, povo da região do Vale do Rio Doce, que sempre viram o Humano e a Natureza integrados, com relações familiares. O rio é seu avô, as montanhas e pedras são suas irmãs. Essa forma de pensar subverte a lógica da coisificação do não humano e, por consequência, não permite a relação abusiva do homem com a Terra. Sendo assim, a extração desenfreada dos recursos naturais seria uma afronta grave. Percebe o quanto isso bate de frente com as lógicas de produção e desenvolvimento capitalistas? E esse é só mais um motivo para alimentar o desprezo pelas culturas indígenas. A humanidade, a personalização que essas culturas dão à natureza não é interessante para manter um status quo de desenvolvimento. E, por isso, o que se mantém é o extermínio: de culturas, de pessoas e da Terra.

“Quando despersonalizamos o rio, a montanha, quando tiramos deles os seus sentidos, considerando que isso é atributo exclusivo dos humanos, nós liberamos esses lugares para que se tornem resíduos da atividade industrial e extrativista. Do nosso divórcio das integrações e interações com a nossa mãe, a Terra, resulta que ela está nos deixando órfãos, não só aos que em diferente graduação são chamados de índios, indígenas ou povos indígenas, mas a todos.” (Ideias para adiar o fim do mundo, 2020, p. 49-50)

Krenak apresenta como as culturas indígenas contribuem para as novas formas de pensar a relação com a Natureza e diz o quanto isso é urgente. A preocupação de jovens, como a Greta, não é coisa pouca, mas, na verdade, uma preocupação de sobrevivência. Quanto tempo a Terra vai aguentar os nossos abusos? E o que será de nós quando essa relação chegar ao fim?

Foto de Ailton Krenak
Fonte: Valkirias**

Referência
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.

*Descrição da Imagem: Em um espaço aberto, na rua, um grupo muito grande de pessoas reunidas segurando cartazes com diversas escritas. Em primeiro plano, cerca de dez pessoas, seguram, em frente ao corpo, um grande banner na horizontal escrito em letras pretas e verdes: #capitalismo não é verde. Nos outros planos é possível ver mais cartazes coloridos e feitos à mão com escritas em português e em inglês como: faz pelo clima; save the earth; go vegan; there´s no planet B.

**Descrição da Imagem: A foto, em preto e branco, de um homem indígena (Ailton Krenak) com o rosto voltado para a esquerda. Ele tem na cabeça um cocar que possui ao redor da testa uma tira fina de desenhos em linhas geométricas e, acima disso, retângulos brancos  e pequenos enfileirados um do lado do outro. Ao redor da orelha e na nuca vê-se cabelos curtos e escuros. O rosto não possui barba. O fundo é laranja, na direita tem um semicírculo de cor laranja mais escura, e na esquerda um semicírculo menor com o contorno pontilhado em branco. Saindo de trás do ombro esquerdo do homem tem uma flor e folhagem em rosa e branco. No ombro esquerdo tem uma folhagem, também em rosa e branco.

 

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A Academia Brasileira de Letras e a subversão do cânone

23/11/2021 10:57

Moara Zambonim,
Bolsista PET-Letras
Letras Português

Fundada em 1897, a Academia Brasileira de Letras (ABL) teve sua primeira integrante mulher apenas 80 anos depois dessa data. Raquel de Queiroz, mulher nordestina, ingressa em 1977 na Academia. Recentemente, Fernanda Montenegro ingressou na ABL, que tem aberto espaço para outros tipos de manifestação cultural, na tentativa inclusive de incorporar expressões artísticas populares. Em entrevista a Malu Gaspar, a atriz comenta:

“Já não teve nenhuma mulher [na academia]. Isso [mulheres ocupando cadeiras na ABL] não vai parar. Vai chegar uma hora que talvez tenha mais mulheres do que homens. Certamente, a chegada das mulheres vai ter força e será aceito. É do tempo atual, da justiça em torno da existência humana.”

Outro ingresso recente na ABL foi o de Gilberto Gil, dentro da mesma ideia de abertura para outras artes. Ele comentou sobre a importância de haver mais pessoas negras ocupando esses lugares e também disse, à Folha, que, na juventude, fazia muitas críticas a essas estruturas canônicas, inclusive tendo uma postura antiacademicista. Gil relembra que, nessa época,], sua geração enxergava a ABL como uma “referência passadista”, mas que, hoje, consegue entender a “dimensão da importância” dela.  Relembrando a sua trajetória e a revisão de valores da juventude à velhice, Gil comenta: “É preciso ter apreço por isso”.

Gilberto Gil e Fernanda Montenegro*
Fonte: imagem da internet

Há quem defenda a total extinção da Academia e da estrutura canônica literária que obviamente refletem construções sociais, seus valores, seus preconceitos. Segundo esse ponto de vista, esse perfil acadêmico corrobora para a permanência dessas estruturas hoje entendidas como carentes de revisão crítica — seus espaços simbólicos afirmam a hegemonia masculina, de caráter sexista e racista. Mas, ao repensarmos a construção do cânone literário, observamos que se abre caminho no sentido de inserir mais personalidades que, à margem do sistema social e/ou cultural, tiveram suas vozes silenciadas ao longo da história.

O ingresso desses dois representantes na Academia Brasileira de Letras confirma essa abertura e ratifica o prestígio não somente deles, mas, também, da área em que atuam.  Uma das maneiras, que entendo bastante positiva, para que essa caminhada, realizada com critério, avance, atingindo a todas as camadas da sociedade, é difundir nas escolas as obras que novos integrantes produzem, seja no campo da literatura, das artes cênicas, da música ou outras. Dar visibilidade a novos objetos culturais de valor e a seus autores é, a meu ver, um grande passo para uma sociedade mais justa e humanizada.

* Descrição da imagem:  Fernanda Montenegro, uma senhora branca, com cabelos curtos brancos e óculos de armação branca, está de terninho azul em pé ao lado de Gilberto Gil, um senhor negro com cabelos curtinhos grisalhos, de terno branco. Eles estão de máscara e olhando para o lado. Percebemos que eles estão dentro de um prédio, o da ABL, o chão é de azulejo e as paredes são cinza com janelas quadradinhas. Ao fundo, estão algumas cadeiras encostadas na parede.

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RESULTADO: CURSOS INTENSIVOS DE LÍNGUAS – PET-Idiomas 2021.2

17/11/2021 18:40

O PET-Letras torna público o resultado do sorteio das vagas para a edição remota dos cursos intensivos de línguas do PET-Idiomas 2021.2.

Confira a lista com os(as) alunos(as) sorteados(as)abaixo.

Curso de Alemão “Kaffeehaus: passeio pelos cafés de Viena”

Yasmin Lopes Bauer
Barbara Jade Alves
Anna Beatriz Reis de Oliveira
Alan Riedel
Andreia Aparecida Machado
Maria Fernanda Boing de Campos
Sergio Pereira Gomes
Anne Caroline Santanna
Bárbara Suelen Rocha Rangel
Mariane Valada Mossato
Francisco Hickel Gamba
Kleber da Cruz Mesquita Júnior
Daniele Tabita Pires
Mateus Costantini Lemos
Dayana Vieira
Josielen Machado de Anchieta
Vitoria dos Santos Rosa
Sofia Maria Nunes da Silva de Rosa
Milene Ferreira da Silva
Cairon Vinicios Santiago de Souza

Curso de Português para Estrangeiros: “Se fala assim, mas se escreve assim?

Rosângela Terezinha Botelho
Bruna Gomes Dias
Matthieu Pontille
Luiza Teixeira Puchalski
Thayssa Karoline Lopes Sousa
Sergio Nicolas Buitrago Sanchez
Sharon Souza de Souza
Yesica Elisabet Lencina
Roberth Santiago Romero Ruiz Diaz
Alejandro Diego Guayquipán
Sandra Vazquez Cossio
Magali Daiana Guiu
Jason Oliveira de Souza
Joel Del Mastro

Curso de Libras “Conversação em Língua de Sinais”

Suelen Vasconcelos Barcelos
Ana Carolina Almeida
Luiza Fernanda Aquino Alves de Abreu
Caroline da Gama de Carvalho
Beatriz Lustosa Silverio
Noeli Vailones de Andrade Menegaz
Carina Moreira Barbosa
Iasmin Lemes Lorentz
Poliane dos Santos Sebastião
Ana Marlise Muniz
Ana Cláudia Fernandes Pereira
Luciana Posca Doria
Daniel Godinho Berger
Taynara Ayres Muller Conselvan
Carolina Lourenço
Maria Heloisa Senatore
Carla Cerdote da Silva
Keyla Patricia Gomes de Carvalho
Luzia da Aparecida Miranda Schnersoski
Caroline Oliveira da Costa

 

Florianópolis, 17/11/2021
Equipe do PET-Letras UFSC

 

Animação como crítica social na obra de Hayao Miyazaki

17/11/2021 09:46

Mirelle Araujo Ehrardt,
Bolsista PET-Letras
Letras – Alemão

Se você é fã de animações, provavelmente, já ouviu falar do Studio Ghibli. Fundado em 1985, o estúdio de animação japonês reúne uma vasta lista de obras riquíssimas em detalhes, tanto no aspecto visual, todo feito à mão, quanto com relação ao conteúdo de suas produções. Assistir aos filmes da franquia é sempre uma experiência de adentrar mundos mágicos e fascinantes, que ultrapassam as barreiras da realidade, mas que ainda possibilitam reflexões complexas, sobre o mundo real, e críticas ao presente, provando que desenhos animados não foram feitos apenas para crianças.  Nos 36 anos de existência do estúdio, suas narrativas — que contam, em sua maioria, com protagonistas femininas fortes e corajosas, que estão dispostas a lutar pelo que acreditam, e com tramas que tematizam, principalmente, as relações da humanidade com tudo que a rodeia — marcaram a indústria de animação, além de conquistarem vários prêmios no mercado cinematográfico.


O Castelo Animado (2004)
Fonte: Imagens da Internet.*

O grande responsável pela genialidade e sucesso do estúdio é o diretor, roteirista, escritor e animador: Hayao Miyazaki, cofundador do estúdio. Nascido em janeiro de 1941 e filho de um fabricante de peças de aviões de combate, Hayao vivenciou diretamente, desde a infância, os traumas da Segunda Guerra Mundial no Japão, os quais foram marcados pela saída de sua família de sua cidade natal, em 1944, e pelo bombardeio da cidade em que se encontravam no ano seguinte. Tais experiências de vida revelam-se, posteriormente, em sua obra, as quais podem ser demonstradas pela presença constante de variadas aeronaves fantásticas e, sobretudo, pela sensibilidade das animações, do fator humanista e pacifista dos escritos.

Entre temas recorrentes está a relação humana com a natureza e com a tecnologia, no que se refere, principalmente, à destruição do meio ambiente e à valorização da natureza. Em Nausicaä do Vale do Vento, por exemplo, filme de 1984 e uma das primeiras produções do estúdio, somos apresentados a um universo em que a devastação humana promovida pela luta contra os animais, criaturas chamadas de “Ohmus”, as quais são vistas pelos humanos como monstruosas, fizeram com que as comunidades humanas fossem restringidas a limitados espaços em que ainda se podia respirar ar puro, sem a presença de máscaras, pois o resto do planeta fora tomado por gases venenosos, os quais são despejados pelos Ohmus quando ficam enfurecidos. A personagem principal, Nausicaä, é, no filme, a primeira humana a enxergar humanidade nas criaturas e a defendê-las, o que evidencia tanto o papel de protagonismo feminino, em que a mulher assume o papel de liderança (inédito para a época, em contraste com o papel desempenhado por elas em outras produções, como nos filmes de princesas da Disney), quanto a crueldade humana com relação aos animais. Outro exemplo de protagonismo feminino ligado à defesa da natureza pode ser encontrado em Princesa Mononoke (1997), em que a protagonista representa o elo de ligação entre os humanos e os deuses da floresta e luta para protegê-la da destruição causada por uma vila de mineiros fabricantes de armas.


Nausicaä do Vale do Vento (1984)
Fonte: Versatille**

Entre outros temas, podemos citar: as críticas à lógica de consumo do sistema capitalista e o desaparecimento da identidade em A Viagem de Chihiro (2001), o qual recebeu o Oscar de melhor filme de animação, em 2003; além da defesa de uma sociedade pacífica e críticas aos horrores da guerra, encontrados, por exemplo, em O Túmulo de Vagalumes (1988). Há ainda tantos outros exemplos, mas o que se destaca mesmo na obra de Miyazaki é a humanidade e sensibilidade com que temas tão complexos e necessários são trabalhados, além da beleza das animações.

Felizmente, grande parte das obras foi disponibilizada no catálogo da Netflix, o que facilitou o acesso para o público brasileiro. Não deixe de conferir!

*Descrição da Imagem: Em primeiro plano, no centro da imagem, encontra-se uma jovem, voltada para a direita, com cabelos brancos ao vento e uma blusa de manga comprida azul. Com os olhos fechados, ela beija outro personagem, um foguinho, o qual está na palma de suas mãos e também tem os olhos fechados. Ao fundo, vê-se um vale com muitas árvores e rios e, mais atrás, uma cadeia de montanhas e o céu azul-claro repleto de nuvens branquinhas.

**Descrição da Imagem 2: A personagem principal, Nausicaä, recolhe esporos de uma planta brilhante. Ela tem o cabelo ruivo e usa um capacete azul e uma máscara vermelha, que cobrem quase completamente seu rosto, veste roupas e luvas azuis. Nas mãos, ela segura um tubo para amostras.

Para saber mais:

Studio Ghibli Brasil. Disponível em: https://studioghibli.com.br/. Acesso em: 15/11/2021

 

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Inscrições abertas para Grupos de Estudos

10/11/2021 14:54

Estão abertas as inscrições para os Grupos de Estudos (GEPET) do PET-Letras UFSC para o segundo semestre de 2021! Os encontros ocorrem on-line e a participação garante certificado.

Contamos com três grupos de estudos disponíveis:

GEPET – Narrativas Originárias: Um passeio pela literatura de autoria indígena

O GEPET Narrativas Originárias é um espaço para disseminação e valorização da literatura de autoria indígena brasileira. No grupo realizaremos a leitura conjunta de contos e poemas e, posteriormente, a discussão e análise de suas características literárias, apoiados em pesquisas na área. O objetivo deste grupo é dar aos participantes a oportunidade de conhecer autores e autoras da literatura indígena nacional e, a partir de seus textos, gerar maior compreensão e respeito às suas vivências e culturas, assim como dar visibilidade aos movimentos e reivindicações dos povos indígenas brasileiros. Semanalmente nas sextas-feiras das 10h00 às 11h00. O grupo será conduzido pela professora Evelyn Schuler Zea (Antropologia/UFSC) e pela graduanda em Letras Alemão e bolsista do PET Letras UFSC, Mirelle Ehrardt. Data início: 19/11. Data fim: 17/12

Link inscrição: http://inscricoes.ufsc.br/gepet-narrativas-originarias

GEPET –  Conversação em italiano 

No grupo de interação em língua italiana, serão discutidos temas atuais diversos para que o contato com o idioma seja contínuo para seus aprendizes. Será como um bate-papo sobre os temas propostos, de modo que os participantes tenham total liberdade para se expressar. Cada encontro terá uma hora de duração e espera-se que os participantes possuam DOMÍNIO BÁSICO DO IDIOMA. Semanalmente, às terças-feiras das 12h00 às 13h00. O grupo será conduzido pela graduanda em Letras Italiano e bolsista do PET Letras UFSC, Camila Vicentini Camargo. Data início: 16/11. Data fim: 14/12

Inscrições: http://inscricoes.ufsc.br/gepet-italiano

GEPET – Grupo de Estudos Lesbocentrados Felipa de Souza

Para criar um espaço acadêmico para mulheres lésbicas, o Grupo de Estudos Lesbocentrados Felipa de Souza desenvolve um cronograma de estudos que contempla algumas das inúmeras produções literárias e audiovisuais que refletem a lesbianidade. Dessa forma, a partir de encontros quinzenais (iniciados em novembro e dezembro), o grupo se dedica a uma análise crítica e lesbocentrada de produções pré-selecionadas, na busca de validar vozes lésbicas e proporcionar um ambiente seguro para trocas de experiências e diálogos sobre a subjetividade lesbiana. Quinzenalmente nas quintas-feiras às 20h30.

Inscrições: https://docs.google.com/forms/d/1HQGKYij9Ur7WjtKKJ5yy3QzOOsoJsAviB-CtrR3M6uw/edit

 

Tags: PETGRUPOS

Seleção de estudantes para Cursos Intensivos – PET-Idiomas 2021

10/11/2021 12:53

Aproveite essa oportunidade! Cursos intensivos gratuitos em cinco semanas de novembro a dezembro.

As inscrições do PET-Idiomas estão abertas das 12h00 do dia 10 de novembro de 2021 às 12h00 do dia 14 de novembro de 2021.

1- As inscrições somente serão realizadas por meio do sistema de inscrições da UFSC no período indicado acima;

2- Cada candidato poderá se inscrever em SOMENTE UMA TURMA e cada turma terá o máximo de 20 alunos;

3- Os cursos são gratuitos e abertos a todos e todas;

4- Os cursos ocorrerão de forma remota online através da plataforma WebConf, em salas específicas do PET Letras, cujo link será disponibilizado para os alunos antes do início das aulas;

5- As vagas serão distribuídas por meio de sorteio e o aluno deverá verificar as listas das turmas que serão disponibilizadas neste site a partir das 18h00 do dia 14 de novembro;

6- As aulas estão com início previsto para o dia 16 de novembro e término no dia 17 de dezembro de 2021, a depender do cronograma de cada turma;

7- A certificação será concedida mediante frequência e aproveitamento satisfatório, avaliado pelo professor;

8- Idade mínima para participar: 15 anos.
Abaixo você encontra a relação de turmas e horários.

Alemão – Prof.ª Caroline Elisa Murr – Quintas-feiras das 10h30 às 12h00
“Kaffeehaus: passeio pelos cafés de Viena”
(turma de nível 1 com conhecimentos básicos)


Para se inscrever, clique aqui.

Português para estrangeiros – Prof.ª Kerolyn Sarate – Terças-feiras das 18h00 às 19h30
“Se fala assim, mas se escreve assim?” – Introdução aos aspectos básicos da fonética e gramática do português brasileiro
(turma com foco em falantes hispânicos e americanos)


Para se inscrever, clique aqui.

Libras – Prof. Diogo Pereira – Quintas-feiras das 14h00 às 15h30
“Conversação em Língua de Sinais”


Para se inscrever, clique aqui.