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O fenômeno atual do “fascismo” e seus elementos em algumas palavras soltas
Carlos Rodrigues,
Tutor do PET-LetrasFascistas não passarão!
Sim, a história foi e será implacável!Um dos importantes historiadores do fascismo, Stanley Payne, após dedicar boa parte de sua vida a identificar, descrever e conceituar o fascismo, considera que tal definição e compreensão não é algo simples nem fácil. Para ele, tal conceito político pode até ser usado, de certo modo, como um “termo vago”. Sabe aquele paradoxo socrático: “só sei que nada sei” (ipse se nihil scire id unum sciat)? Então, arrisco-me dizer que ele se aplica bem aqui: quanto mais estudo o(s) fascismo(s) menos o(s) compreendo em si mesmo(s), em sua lógica absurda.
Embora tenha sido combatido e derrotado, os elementos do fascismo italiano, vez por outra, teimam em ressurgir em algumas sociedades, como é o caso do Brasil de hoje, em que o fascismo vem recebendo seguidores, bem como atualizações e novas roupagens. Para continuarmos essa conversa, precisamos entender que uma primeira aproximação à compreensão do que é fascismo deve, a meu ver, enxergá-lo como um regime político situado em um dado tempo e espaço históricos. O facismo “primordial” é um fato experimentado no contexto italiano de Mussolini, de certa maneira instaurado em 1922 e concluído em 1943.
Todavia, o fascismo não é meramente um fato histórico, mas, sim, um processo historicamente constituído e manifesto, o qual pode ser identificado em distintos tempos e espaços para além da conhecida e famosa Itália Fascista. Ao assumir isso, torna-se possível não somente compreender historicamente esse regime político, mas perceber como seus elementos fundantes e característicos não tiveram início, meio e fim apenas no âmbito da Itália de Mussolini, tendo existências diversas, perpetrando e reerguendo-se em outros momentos, ainda que com novas máscaras e vestimentas.
Podemos imaginar que é como se a história se encarregasse de uma constante mudança marcada de idas e vindas, de um eterno retorno do velho transvestido de novo. É um pouco da ideia de Antoine Laurent de Lavoisier (1743-1794) aplicada à compreensão do devir da história. Explico. É como se o princípio da conservação de massa de Lavoisier — representado na célebre frase: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” — pudesse ser parafraseado e transposto à percepção do tempo histórico: “Na história humana, nenhuma fatídica realidade se perde, todas elas se transmutam e retornam”.
Enfim, diante dessa denominada “ameaça fascista” tão presente e intensa em nossos dias, é necessário fazer algumas perguntas no intuito de encontrar possíveis e plausíveis respostas: o que é fascismo? O que ele representa? Como ele se manifesta? Quais elementos permitem compreendê-lo e identificá-lo?
Segundo o historiador italiano Emílio Gentile, podemos pensar o fascismo italiano, o mais conhecido e famoso de todos — primeiro experimento totalitário concretizado na Europa Ocidental —, a partir de três dimensões:
- organizativa (como um movimento de massas organizadas e representadas por um partido-milícia, com a missão de regeneração nacional por meio da aniquilação de todo e qualquer adversário, bem como dos direitos do homem e do cidadão em prol da “nova civilização”);
- cultural (como ideologia de característica anti-ideológica; cultura fundada em certo pensamento mítico e baseada na militarização da política, na sacralização do estado e na primazia absoluta da nação como uma comunidade etnicamente homogênea que deve ser formada por meio da aculturação e subordinação total dos indivíduos e das massas ao Estado e em prol do “homem novo”); e
- institucional (como regime totalitário que se funda em um aparato de polícia para reprimir, controlar e/ou suprimir o individual e o coletivo; centralização do Executivo, que subordina a si o Judiciário e que defende a existência de um partido único, o qual existe em simbiose plena com o Estado que se encarrega da supressão das liberdades individuais).
Vale destacar que tais dimensões estão coordenadamente integradas e evidenciam a “sacralização da política” promovida pelo(s) facismo(s) e realizada, ao menos, por elementos totalitaristas, nacionalistas, antiliberais, antimarxistas, antipartidários, imperialistas e, até mesmo, racistas que deram forma e, portanto, caracterizaram o fascismo italiano, assim como outros fascismos.
Por outro lado, é importante entender que quando atacamos as pessoas que personificam determinadas “ideologias” e deixamos de combater sistemas já institucionalizados que geram e perpetuam vertentes fascista(s), autoritária(s), conservadora(s) e afins, estamos errando o alvo.
Ah, não posso deixar de dizer também que há, sim, uma diferença radical e antinômica entre o que foi o fascismo e o que seria a proposta do comunismo. Por isso, fascistas (assim como faziam “nazistas e franquistas”) queriam combater e eliminar — a todo custo e de maneira agressiva, violenta, militante e militarizada — qualquer traço que remetesse ao comunismo: o anticomunismo era uma de suas bandeiras, que fique bem claro, apenas uma delas.
O “fascismo” identificado e, até mesmo, reivindicado por grupos e representantes da política brasileira se aproxima, ao mesmo tempo que se afasta, dos demais regimes fascistas historicamente delimitados. Um rápido e despretensioso olhar permite-nos enxergar, nesse propagado “novo fascismo”, tanto uma série de elementos caros ao fascismo histórico quanto elementos que não são partilhados com certos regimes fascistas anteriores, um desses elementos não compartilhados é esse nacionalismo populista que defende à chegada ao poder por meio das eleições, a qual os governantes de inspirações e aspirações “(neo)fascistas” usam para bradar aos quatro ventos que são representantes legítimos do povo.
Por último, quero dizer que o que é denominado “fascismo” em nossos dias nem sempre é fascismo de fato e verdade, mas, nem por isso, é menos nocivo. Assim sendo, a campanha “antifascista” atual, que povoa as redes sociais, é um elemento indispensável à denúncia de irregularidades, de ameaças e de riscos, assim como à conscientização da sociedade tão desamparada e, até mesmo, confusa. Portanto, a campanha é um fôlego e uma esperança de combate aos reacionários — que são hostis à democracia, ameaçando-a —, em meio ao caos que está instaurado no Brasil e que vem sendo, dia a dia, regado a fake news, a mortes pela pandemia da COVID-19, a desemprego, a desigualdade de oportunidades, a crise econômica, a shows de horrores, estrelados pela trupe de governantes, a ausência de um governo do/para/pelo povo e assim por diante.
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Conheça a proposta do PET-Letras e seus projetos estruturantes
Desde novembro de 2018, com a entrada do prof. Dr. Carlos Rodrigues como tutor do PET-Letras, iniciamos a reorganização de nossas ações a partir de cinco grandes projetos, a saber: o PET-IDIOMAS: cursos de línguas e cursos de formação; o PET-MÍDIAS: informação e comunicação; o PET-GRUPOS: interação e estudo; o PET-EVENTOS: planejamento e organização; e o PET-GESTÃO: tutoria e cooperação, o qual inclui o PET-Acessibilidade.
Estrutura Organizacional do PET-Letras*
Durante o ano de 2019, colocamos cada um dos projetos estruturantes em prática. E, no início de 2020, ao realizarmos uma avaliação do ano anterior, vimos que alcançamos os objetivos previamente estabelecidos e que esse novo modelo de gestão funcionou muito bem, já que todas as ações e atividades, propostas e realizadas por nós, puderam ser bem organizadas a partir de cada um deles. Portanto, esses projetos funcionam atualmente de modo estruturante e são como um guarda-chuva, possibilitando uma melhor organização e gestão do trabalho em equipe.
Como o PET-Letras organiza-se em torno de grupos de trabalho vinculados a cada um dos projetos, é possível seguir uma perspectiva de aprendizagem tutorial ativa, dinâmica, coletiva e interdisciplinar, a partir da gestão consciente e integrada do ensino, da pesquisa, da extensão e, também, da gestão. De modo geral, o PET-Gestão é o projeto por meio do qual os demais projetos dialogam e se integram. Com essa estruturação, assim como ocorreu em 2019, poderemos potencializar o alcance do PET-Letras e seus impactos acadêmicos e sociais, de forma sistematizada e exitosa, produzindo uma transformação significativa na formação dos/as petianos/as e positiva para os cursos de graduação em Letras, oferecidos pelo Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras (DLLE), pelo Departamento de Língua e Literatura Vernáculas (DLLV) e pelo Departamento de Libras (DLSB).
Nesse sentido, com o desenvolvimento das ações e atividades propostas para 2020 em cada um dos projetos estruturantes, esperamos efetivar de forma satisfatória os propósitos específicos do programa de educação tutorial — conforme previsto na Portaria 976/2010, atualizada pela Portaria 343/2013 — (i) contribuindo com a qualidade da formação acadêmica ofertada pelos cursos de Letras; (ii) favorecendo a introdução de novas práticas acadêmicas na graduação em Letras; (iii) estimulando uma formação consciente, crítica e altamente qualificada de profissionais de Letras; (iv) realizando práticas e ações afirmativas em prol da equidade e da inclusão social; e (v) difundindo a educação tutorial como uma prática de formação; entre outros.
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Acesse nosso relatório de atividades do ano de 2019, clique aqui!
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* descrição: Imagem com organograma da estrutura do PET-Letras. Na parte central superior está um retângulo, onde está escrito: PET-Letras. À esquerda há outro retângulo, ligado a esse, onde está escrito: MEC-UFSC, PROGRAD. À direita, há outro retângulo, ligado a esse, onde está escrito: CLAA. Abaixo temos, um retângulo à esquerda, onde está escrito: GESTÃO, e, em seguida, também à esquerda, outro retângulo onde está escrito, linha a linha: -Cooperação; – Espaço Físico; – Planejamento; -Financeiro; -Inscrições; -Certificação; -Avaliação. Na mesma linha, mas à direita, outro retângulo, em que está escrito ACESSIBILIDADE, e, em seguida, também a direita, outro retângulo onde está escrito, linha a linha: -Conscientização; -Legendagem; -Audiodescrição; -Tradução; -Interpretação; -Mobilização. Na linha de baixo, há em sequência quatro retângulos menores, cada um ligado a um retângulo maior posto abaixo deles. Nos retângulos menores está escrito, da esquerda para a direita: GRUPOS; MÍDIAS; EVENTOS; IDIOMAS. No retângulo ligado a GRUPOS está escrito, linha a linha: -G. de Estudos; -G. de Leitura; -G. de Interação; -Gestão de Grupos; -Apoio à Grupos; -Reuniões; -C. de Capacitação; no ligado a MÍDIAS está escrito, linha a linha: -Página Web; -YouTube; -Facebook; -Instagram; -E-mail; -Informativos; -Quadros/Painéis; -Material Gráfico; no ligado a EVENTOS está escrito, linha a linha: -InterPET; -SulPET; -EnaPET; -Semana de Letras; -Encontros; -Congressos; -Palestras; no ligado a IDIOMAS está escrito, linha a linha: -C. de Línguas; -C. de Formação; -Gestão de turmas; -Apoio aos alunos; -Material Didático. Os retângulos com o nome do PET e dos projetos estão em cinza escuro com bordas pretas e os com as descrições estão em cinza claro e sem bordas, assim como os que têm escrito CLAA e MEC-UFSC, PROGRAD. No canto inferior esquerdo está a logo do PET-Letras na cor preta.
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Resultado FINAL e da segunda etapa do Edital 02/2020/PET – Seleção de Bolsistas
O PET-Letras torna pública a o resultado FINAL e da segunda etapa do processo seletivo para preenchimento de 01 (uma) vaga para bolsista do Programa de Educação Tutorial, conforme os estabelecido no Edital 02/2020/PET.
Para acessar o resultado FINAL, clique aqui!
Para acessar o resultado da SEGUNDA ETAPA, clique aqui!
Resultado válido até 29 de novembro de 2020.
Equipe do PET-Letras.
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Tradução, legendagem e promoção da acessibilidade
Daniel Guilherme Gonçalves,
Bolsista PET-Letras
Letras – LibrasIremos abordar uma área do conhecimento bastante relevante: a tradução para legendagem. Existem alguns tipos de tradução, como, por exemplo, a tradução intralingual (reformulação, que é a interpretação dos signos verbais por meio de outros signos da mesma língua), a tradução interlingual (tradução propriamente dita, que é a interpretação dos signos verbais por meio de outra língua) e a tradução intersemiótica (transmutação, que é a interpretação dos signos verbais por meio de sistemas de signos não verbais). A tradução interlingual tem inúmeras manifestações e objetivos. Assim, apresentaremos um pouco sobre a legendagem realizada com base em traduções interlinguais, como por exemplo, a legendagem de filmes, de vídeos gravados em Libras, de documentários, entre outras.
A título de exemplo, podemos citar um vídeo gravado em Libras com sua legenda produzida em Inglês. Este vídeo irá permitir que os falantes de Inglês tenham acesso ao conteúdo, assim como os falantes de Libras. O acesso dos falantes de Inglês, que não sabem Libras, ocorre a partir da legenda em Inglês. O mesmo acontece com um vídeo em Libras com legenda em Português, ou um vídeo em ASL (American Sign Language) com legenda em Inglês. Todos esses exemplos são de traduções e legendagem interlinguais, pois as línguas usadas nos vídeos e em suas legendas são diferentes.
Ao falarmos de um filme que é produzido em Português com sua legenda nessa mesma língua, ou seja, também em Português, estamos nos referindo a um processo de legendagem intralingual. É importante entendermos então que existem dois tipos de legendas: a legendagem interlingual feita de uma língua para outra, como os exemplos citados anteriormente, e a legenda intralingual onde a língua do vídeo e a língua da legenda são as mesmas. Esse tipo de legendagem na mesma língua é muito usado para os surdos poderem acessar os conteúdos nacionais, assim como para estudantes de uma língua estrangeira poderem desenvolver suas habilidades, já que podem ouvir e, também, ler as legendas na língua que estão estudando.
Esses são dois processos típicos de legendagem, inter e intralingual, são processos distintos, pois, fazer um trabalho interlingual, onde um processo de tradução interlinguística ocorre é diferente de fazer uma tradução intralingual, onde há um processo de reformulação intralinguística, aquela tradução que ocorre na mesma língua. Além disso, o processo de legendagem é um processo que passa por diversas adaptações, de acordo com algumas normas técnicas, pois é preciso que a legenda se adeque aos elementos visuais que estão dispostos no vídeo, seja visível, respeite o tempo, possa ser lida pelo público etc.
Fonte: arquivo pessoal – Daniel em casa assistindo a um vídeo em ASL com legendas em inglês.*
Os filmes, documentários e vídeos diversos trazem, muitas vezes, informações auditivas que não são acessíveis ao público surdo ou com deficiência auditiva. No caso da legenda intralingual para surdos, o processo de legendagem tem uma série de questões culturais em que os tradutores devem fazer as adaptações necessárias para que o texto seja compreendido pelo público alvo por meio da legenda, a qual passa a indicar inclusive elementos sonoros importantes.
As janelas de Libras também são um tipo de legenda interlingual que não usa a escrita. Elas são mais comuns na TV que em filmes, por exemplo. Muitas vezes, vídeos que estão em uma língua de sinais estrangeira, como em ASL ou em Sinais Internacionais, ao circularem no Brasil recebem as janelas de Libras, que são resultado de traduções interlinguais, pois o vídeo está em uma língua de sinais estrangeira e sua “legenda”, a janela de Libras, está em uma língua de sinais nacional. Diante disso, é possível pensar que as janelas de Libras (ou de outra língua de sinais) tornam-se um tipo de legendagem interlingual, pois confere acesso ao que está sendo dito, seja em uma língua oral nacional ou estrangeira ou mesmo em outra língua de sinais desconhecida pelo público surdo.
* fotodescrição: Foto retirada de trás para a frente focando Daniel de perfil e a tela do notebook. Daniel está com uma jaqueta azul escuro com um capuz de interior em azul claro, o capuz esta na altura do pescoço. Ele está com seu notebook em uma mesa de vidro com cadeiras de metal e assentos floridos. Sobre a mesa observa-se um artefato indígena de decoração (uma canoa de madeira pequena, pintada e com alguns objetos dentro). No notebook, há uma cena do “Deafies in Drag” com dois surdos dialogando em ASL (Língua de Sinais Americana) e há a seguinte frase na legenda, em cor branca, “Because I love to draw”. Ao fundo, observa-se uma parede verde com a parte inferior de um quadro em tons verdes e vermelhos.
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As tecnologias, o ensino a distância e seus desafios
Felipe Mateus dos Santos,
Bolsista PET-Letras
Letras – PortuguêsAo longo dos últimos anos, pôde-se observar um avanço muito marcante no desenvolvimento de novas tecnologias. Computadores mais rápidos e potentes, notebooks, tablets, kindles, smartphones, entre outros aparelhos, se estabeleceram como itens indispensáveis na nossa sociedade e se fizeram presentes em quase todos os momentos de nossa vida, na intenção de torná-la mais prática e rápida.
No âmbito educacional não é diferente. Em muitos ambientes escolares é possível notar como a tecnologia ganha, cada vez mais, espaço com a função de motivar e oferecer mais ferramentas ao processo de ensino-aprendizagem. Esse, por exemplo, é o caso de alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental de sete escolas da rede municipal de Joinville (SC), que, em 2014, receberam 4.000 tablets através do Projeto Escola Digital, como instrumento de complemento do aprendizado. É possível encontrar iniciativas semelhantes nas prefeituras de São Paulo (SP), Petrolina (PE), entre outras.
Esses são apenas alguns exemplos, entre muitos lugares do Brasil e do mundo, que fizeram da tecnologia um importante recurso no processo educacional, na tentativa de fazer com que tanto o aluno quanto o professor tenham um acesso mais rápido à informação desejada e à novas formas de aprender. É certo que o uso dessas tecnologias é muito favorável quando suas ferramentas são devidamente exploradas pelas instituições de ensino e quando fazem com que o aluno desenvolva mais interesse pelo conhecimento, que aparece, muitas vezes, de uma forma mais interativa e instigante através de uma tela.
Os recursos tecnológicos são muito úteis quando cumprem o propósito de servir como facilitadores da aprendizagem, dentro e fora das salas de aula, porém, a realidade de muitos alunos restringe o uso dessas ferramentas para além do ambiente escolar. Não podemos deixar de considerar que a exclusão digital ainda é intensa em várias regiões brasileiras. Faz-se necessário que tenhamos em vista esse panorama, quando analisamos o período de distanciamento social em que vivemos hoje, decorrente do novo coronavírus (Sars-CoV-2), que conduziu à suspensão das atividades escolares presenciais, por tempo indeterminado.
Fonte: Charge produzida por Salomón (22 de abril de 2020)
em circulação nas redes sociais*Com isso, projetos de ensino remoto e de educação a distância surgiram como uma alternativa de fazer com que os conteúdos que não estão sendo trabalhados em sala de aula cheguem aos alunos. Vemos, assim, movimentos de implementação de uma educação à distância, os quais enfrentam diversos obstáculos, trazendo à tona um processo que destaca as desigualdades sociais e evidencia as condições de vulnerabilidade existentes no Brasil.
Limitações de acesso a computadores e a conexão de qualidade com a internet; falta de espaço apropriado para o estudo em casa; ausência do contexto escolar com recursos, tais como a merenda; falta de acessibilidade nos conteúdos; evasão escolar; mais exposição à violência (sexual, física ou psicológica); baixa escolaridade dos familiares responsáveis em acompanhar os estudantes; esgotamento físico e emocional dos docentes, que ficam disponíveis até 24h diárias para tentar ajudar; dificuldade de professores entrarem em contato com os pais dos alunos; professores que não foram preparados para ministrar aulas on-line; e dificuldade em adaptar conteúdos, são só alguns exemplos de problemas abordados por Luiza Tenente em uma reportagem do G1, a qual contou com entrevista de pais de alunos e professores da rede municipal de São Paulo, destacando a posição excludente e insuficiente de contar com esse método de educação.
“[…] não é uma situação estruturada”, destaca Mauricio Canuto, professor de didática no Instituto Singularidades (SP) e um dos entrevistados da reportagem.
É certo que vivemos tempos ímpares em que são necessárias soluções inovadoras para os novos problemas, as quais precisam ser avaliadas e estudadas em diversos âmbitos. Entretanto, podemos perceber o quão inacessível a educação pode se tornar para pessoas de determinadas classes sociais, que vivem em localidades rurais e/ou que possuam algum tipo de deficiência, e, ainda que a tecnologia já esteja bastante difundida, não são raros os casos em que a falta dela ou também a utilização dos seus recursos de forma precária se torna mais um fator impeditivo que uma solução abrangente.
*Fotodescrição: imagem de uma charge em que um menino com roupas sujas e rasgadas, cabelo bagunçado e usando uma máscara suja no rosto, está em cima de uma caixa de madeira e apoiado nas pontas dos pés. Com um semblante triste e agoniado, ele segura um caderno e uma caneta, tentando olhar através de uma janela de vidro, fechada de um quarto, outro menino de roupa limpa e cabelo penteado, sentado em uma cadeira e apoiado em uma mesa, escrevendo em um caderno e assistindo a uma aula em um notebook a sua frente, folhas a sua esquerda e um livro azul com folhas ao lado, à direita.
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Resultado da primeira etapa do Edital 02/2020/PET – Seleção de Bolsistas
O PET-Letras torna pública a o resultado da primeira etapa do processo seletivo para preenchimento de 01 (uma) vaga para bolsista do Programa de Educação Tutorial, conforme os estabelecido no Edital 02/2020/PET.
Para acessar o resultado da primeira etapa, clique aqui!
Esteja atendo a publicação das informações e resultados das demais etapas:
Segunda Etapa: 28 de maio de 2020 (entrevista virtual), CONFORME O HORÁRIO APRESENTADO JUNTO AO RESULTADO.
As entrevistas serão na sala: https://conferenciaweb.rnp.br/webconf/carlos-henrique-6
Para evitar problemas, acesse a sala, no mínimo, 5 minutos antes do horário marcado. Leia as orientações presentes no item 4 do Edital 02/2020/PET.ATENÇÃO: A segunda etapa será realizada na plataforma Conferência Web da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa. Será necessário acessar a plataforma no endereço que será disponibilizado. O candidato precisa dispor de computador conectado à internet com webcam, fones de ouvido e microfone, recomendamos não acessar a sala pelo celular).
Resultado Final: 29 de maio de 2020 após às 18h00min nesta página.
Equipe do PET-Letras.
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A História Secreta (1992) e O que te pertence (2016): leituras recomendadas
Ananda Henn,
Bolsista PET-Letras
Letras – PortuguêsAssim como muita gente que aproveitou o tempo livre da quarentena para atualizar as leituras, o que eu mais tenho feito nesse período é ler, ler e ler. Pensando nisso, vou apresentar e comentar dois romances contemporâneos que li recentemente e que gostei muito: A História Secreta (1992) e O que te pertence (2016). Os achei excelentes e, embora muito diferentes, os dois me envolveram completamente e me ajudaram a escapar, algumas horas por dia, da monotonia da quarentena.
Fonte: Arquivo pessoal – Ananda lendo O que te pertence*
A História Secreta, de Donna Tartt (1992)
Esse livro é o próprio meme “essa festa virou um enterro”. Romance de estreia da americana Donna Tartt, mais conhecida pelo seu lançamento de 2013, O Pintassilgo (cuja adaptação para o cinema ninguém assistiu ano passado [link]), foi publicada no Brasil pela editora Companhia das Letras com tradução de Celso Nogueira. A extensa narrativa acompanha um grupo de seis estudantes de uma universidade de elite americana que, sob a influência de um carismático professor de Clássicos, descobre uma maneira de pensar e viver que é distante da existência monótona de seus contemporâneos. Porém, depois de um evento que os leva além do limite da moralidade normal, acabam passando da obsessão à compulsão e traição, e, por fim, ao mal.
Por mais que o livro comece já revelando a terrível ação central da trama — uma das primeiras informações dada ao leitor é que Bunny Corcoran havia sido assassinado e os autores do crime foram o narrador e seus amigos —, eu me vi imersa de tal forma na dinâmica desse excêntrico grupo de personagens que o assassinato se tornou, em alguns momentos, quase que uma inevitabilidade irrelevante. Você quer saber como tudo aconteceu, é claro, e o porquê deles terem matado Bunny, mas, acima de tudo, espera uma justificativa, a exposição inevitável de um fato que justifique o ato, anule-o de sua perversidade; quase que cegamente você se pega esperando (melhor, desejando) nada menos que um final glorioso para os personagens, independente do horror de suas ações. A ruína — merecida ou não — parece impossível para aqueles jovens estudantes tão magnéticos e interessantes, pertencentes a um mundo de arte, de Clássicos, de intelectualidade e de riqueza. Você, assim como eles, quer acreditar na beleza da vida que vivem. Porém, como lhes é ensinado em uma aula de grego: “beleza é terror” e, diante de tudo o que chamamos de belo, estremecemos.
O que te pertence, de Garth Greenwell (2016)
Se no livro anterior o plano de fundo da narrativa era aquele de beleza, pureza e luz, nesse encontrei o contrário. Na narrativa, breve e também em primeira pessoa, são temas como vergonha, doença, violência e dor que predominam. Esse romance de autoficção — o primeiro do americano Garth Greenwell — chegou ao Brasil ano passado em uma edição belíssima da Todavia, com tradução de José Geraldo Couto. Seguindo uma ordem não linear, o enredo parte do relacionamento que um professor americano estabelece com o jovem Mitko, que encontra em um banheiro público do Palácio Nacional da Cultura na capital da Bulgária, e a quem paga para fazer sexo. Ele continua a voltar a Mitko repetidamente, atraído por desejo, solidão e risco, e se vê emaranhado em um relacionamento em que a luxúria leva à predação mútua e a ternura pode se transformar em violência. Enquanto luta para reconciliar seu desejo com a angústia que este cria, ele é forçado a lidar com sua própria história, o mundo de sua infância no sul dos EUA, sua sexualidade, e o relacionamento com seu pai.
Uma das maiores riquezas desse livro é, definitivamente, sua prosa. Eu poderia ficar falando extensamente sobre como fiquei maravilhada pelas escolhas formais tomadas pelo autor para melhor contar essa história, mas me atentarei apenas a comentar a narração introspectiva do personagem principal. Como leitores, além de fatos que compõem um enredo, temos acesso a um narrador extremamente sensível e consciente, que não somente rememora momentos de sua vida, mas os reflete, ou melhor, reflete a si mesmo. Com uma narrativa densa e de imensa intensidade lírica, o livro apresenta uma reflexão inigualável sobre a complexidade de nossos desejos.
Fonte: Reprodução (O que te pertence – Editora Todavia; autor Garth Greenwell; A História Secreta – Editora Companhia das Letras; autora Donna Tartt)**
Essas, então, são as minhas duas recomendações para quem está procurando por livros envolventes e interessantes para ler enquanto estamos todos presos em casa. Deixo aqui, também, a dica para explorarem os outros títulos desses autores: gosto muito d’O Pintassilgo (2013), da Tartt, e o recém-lançado Cleaness (2020), de Greenwell (infelizmente ainda sem previsão de publicação no Brasil), foi uma das minhas leituras favoritas desse ano.
*Descrição da imagem 01: Ananda está sentada em uma cadeira de vime marrom, com uma almofada azul nas costas, e lê o livro O que te pertence, que cobre a parte inferior do seu rosto. Veste calça e casaco de moletom preto, camiseta verde escura e touca de tricô listrada em tons de azul, e usa óculos de grau com armação quadrada, de cor vermelho escuro. Seus cabelos castanhos e cacheados estão soltos. Ao seu lado pode-se ver parte de um rack branco de sala de estar, coberto de vasos de plantas, e ao fundo uma cortina branca de tecido fino.
**Descrição da imagem 02: Imagens das capas e autores dos livros lado a lado. Da esquerda para direita, capa do livro O que te pertence, em que se vê, em preto e branco, a fotografia de um fragmento de uma cama com o lençol branco amarrotado, e ao fundo, em tons de cinza, parte de uma janela coberta por cortinas de pano liso bem fino; a imagem da capa é emoldurada por linhas de cor rosa claro, nas quatro extremidades do livro; no centro da capa lê-se “O QUE TE PERTENCE”, no mesmo tom de rosa; acima do título, centralizado no topo superior, o nome do autor “Garth Grenwell”, em branco, e abaixo, centralizado no topo inferior, a logomarca da editora Todavia, quatro figuras geométricas que representam as formas que a boca faz quando se pronuncia as sílabas to-da-vi-a, também em branco. Ao lado, fotografia do autor Garth Greenwell, em preto e branco, enquadrada até a altura do tórax; o autor está com o rosto levemente inclinado para a direita, apoiado na mão direita, cujo dedo polegar toca seu queixo e o indicador, sua mandíbula; Greenwell possui pele clara, cabelos lisos, curtos e claros, e veste uma camisa social escura, tendo o olhar direcionado para a câmera com as sobrancelhas levemente arqueadas, sem sorrir. Á direita, imagem da capa do livro A História Secreta, em que se vê a fotografia do rosto de uma escultura da Grécia Antiga, em mármore branco, com o olhar direcionado para baixo e a cabeça inclinada para a direita, em frente a um fundo cinza; a fotografia apresenta um corte em sentido diagonal que vai do canto direito da extremidade inferior até a metade da extremidade esquerda da foto, fragmentando a imagem da escultura e revelando, no espaço entre os dois fragmentos, um fundo vermelho que preenche também a parte inferior da capa, onde se lê, centralizado em branco, “A HISTÓRIA SECRETA”, e abaixo, “O primeiro best-seller da autora de O Pintassilgo”; centralizado no topo superior da capa, em cima do cabelo da escultura, se lê “Donna Tart”, em vermelho, e no pescoço da escultura, alinhado à esquerda, a logomarca da editora Companhia das Letras, em branco. Por fim, á direita, fotografia da autora Donna Tartt, em preto e branco, enquadrada até a altura da cintura; a autora encontra-se com um braço apoiado em cima do outro, e cada mão segura o cotovelo do braço oposto; possui a cabeça levemente inclinada para o lado direito e o olhar direcionado também para a direita, acima do nível da foto, com um sorriso discreto; Tartt veste um terno escuro com camisa social branca com listras pretas, tem o cabelo liso e escuro cortado na altura no queixo e pele clara.
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Homologação das inscrições Edital 02/2020/PET – Seleção de Bolsistas
O PET-Letras torna pública a homologação de inscrições para o processo seletivo para preenchimento de 01 (uma) vaga para bolsista do Programa de Educação Tutorial, conforme os estabelecido no Edital 02/2020/PET.
Para acessar a lista de inscrições homologadas e não homologadas, clique aqui.
Esteja atendo a publicação das informações e resultados das demais etapas:
Primeira etapa: 27 de maio de 2020 (sem a presença do candidato)
Resultado da primeira etapa: 27 de maio de 2020 após às 18h00min (divulgação do link para acesso a sala e horário da segunda etapa).
Segunda Etapa: 28 de maio de 2020 (entrevista virtual).
Resultado Final: 29 de maio de 2020 após às 18h00min nesta página.
Equipe do PET-Letras.
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As vantagens do Yoga para a vida cotidiana
Ana Gabriela Dutra Santos,
Bolsista de Acessibilidade
Letras – LibrasMuito se ouve falar sobre o Yoga atualmente. Há muitas aulas sendo ministradas, inclusive virtualmente, e diversos cursos sendo ofertados em todo o país. Entretanto, algumas perguntas ainda são bem comuns: o que é Yoga? Como surgiu? Qual o seu propósito? Como ele pode auxiliar, inclusive, em nossas leituras e estudos?
O Yoga é uma filosofia milenar que teve sua origem na civilização do vale do Indo, embora se acredite que o Yoga é muito mais antigo do que se pensa, os seus registros primeiros foram feitos há, aproximadamente, seis ou sete milênios. A palavra Yoga deriva do sânscrito Yog que, de tantos outros significados que possui, também pode significar “unir”. De forma bem simplificada, o Yoga pode ser definido como o caminho que leva ao autoconhecimento, à realização de quem verdadeiramente somos. Assim, o Yoga tem o propósito de nos conduzir ao autoconhecimento, à consciência — acredita-se que praticar o Yoga é um viver consciente.
Fonte: Arquivo pessoal – Ana Gabriela fazendo Yoga*
A prática de Yoga é um suporte ao crescimento pessoal, os asanas (posturas), os pranayamas (respirações) e as meditações são o meio para que possamos nos lapidar e buscar a plenitude. É através da prática que começamos a perceber nossos medos, inseguranças, inquietações, desequilíbrios, limites, entre outros. Assim, a prática nos permite conhecer e lidar com cada aspecto nosso, nos ajuda a vencer os medos, a aquietar a mente, a manter o equilíbrio, durante situações difíceis ou desafiadoras, e a superar limites.
O Yoga, como já mencionado anteriormente, consegue nos tranquilizar e acalmar. Entretanto, quando necessitamos estar mais dispostos e com mais energia, também podemos conseguir por meio das práticas. Por exemplo, em aulas realizadas pela manhã, onde teremos o dia todo pela frente com trabalho, estudos, encontros etc., podemos fazer práticas que nos deixarão melhor preparados e dispostos para as atividades do dia. Da mesma forma, podemos realizar práticas, inclusive à noite, para podermos acalmar e relaxar, preparando nosso corpo e mente para o sono.
Todos benefícios que o Yoga proporciona reverberam nas diversas áreas de nossas vidas, inclusive em nossos processos de aprendizagem. O Yoga na educação, desde o nível básico até o nível mais elevado, pode-se mostrar muito eficiente. Já existem alguns estudos que indicam que as práticas de Yoga proporcionam aos estudantes mais disposição, atenção e concentração para as atividades escolares. Assim, se você é estudante e deseja estar mais concentrado para fazer suas leituras, para escrever textos, para estudar aquele conteúdo desafiador para você, sugiro que busque melhor conhecer o Yoga e começar a praticá-lo, pois, certamente, isso vai te auxiliar física, emocional e mentalmente.
* Foto descrição: Foto tirada de perfil em uma praia. Ao fundo o mar, algumas pedras, o céu azul com poucas nuvens e montanhas bem distantes. Contrastando com o mar e com a areia da praia, no canto superior direito e esquerdo da foto há alguns galhos de árvore. Na areia a Ana Gabriela faz um asana (perna direita flexionada com o calcanhar abaixo da pélvis e a perna esquerda para trás. Com o tronco alinhado a mão direita elevada pela frente do corpo na altura dos ombros com os dedos polegar e indicador encostados e os dedos médio, anelar e mínimo estendidos. A perna de trás está flexionada para cima e a mão esquerda segura o meio do pé esquerdo. A cabeça está alinhada com o tronco e o olhar está direcionado para a frente). Ela está de olhos fechados usando uma legging preta e um top vermelho. Seus cabelos estão caídos em seus ombros e seu semblante está tranquilo.





