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Preguiça!
TÁ NO AR | A mais nova Revista Preguiça está lindona e pronta para melhorar seus momentos ociosos (ou nem tanto). 🐒

A revista desacadêmica dos acadêmicos de letras vem com muita poesia, contos, crônicas, resenhas e “quase artigos”, além de um texto em Libras. Nas palavras do editor-chefe, Atilio Butturi Junior, “a revista é um esforço de visibilidade de trabalhos off-Broadaway: aquilo que diz respeito a outras produções de quem circula na Universidade”.
Um abraço cheeeeeio de preguiça✨
Leia em: https://ojs.sites.ufsc.br/index.php/preguica/issue/view/346
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Slam Xodó e o amor em SC
Por Angelo Perusso
Letras-Português
Bolsista PET-Letras
Antes de tudo, o que é slam? O slam é um tipo de competição de poesia falada, que foi criado na década de 1980, em Chicago, por Marc Kelly Smith. No slam, os poetas declamam seus textos autorais e são avaliados por jurados (geralmente escolhidos na plateia) e assim classificados até termos um vencedor. No contexto brasileiro, o slam se tornou um gênero literário de resistência, muito inspirado pelo rap, em que se priorizam temas como a experiência das pessoas periféricas e marginalizadas, bem como o combate a opressões como o racismo, o machismo, a lgbtqia+fobia entre outras ideologias e estruturas que tornam o mundo desigual.
O slam tem como característica fundamental dar voz. Todos podem competir e assistir, o que colabora para que textos poéticos, discursos e pessoas que geralmente são invisibilizadas pela sociedade possam ser ouvidos, apreciados e elevados pelo público. Além disso, o slam colabora para a construção de um saber coletivo. Tal fator se dá por três motivos: o primeiro é que o debate público feito com profundidade sobre diversos temas latentes na sociedade faz com que muitas pessoas possam se informar e aprender sobre diversos temas. O segundo é que, ao ter contato com a arte e a literatura produzida pelo slam, muitos jovens e adultos se sentem impulsionados a consumir literatura. Terceiro, porque a poesia do slam, além de ocupar o espaços das ruas e bares, também ocupa o espaço escolar tanto na produção de oficinas e demonstrações por parte de coletivos de poetas (como foi e é feito em Porto Alegre pelo coletivo Poetas Vivos) quanto em projetos como a construção do Slam Interescolar, em São Paulo, que é uma grande competição de poesia entre as escolas paulistas, que leva muitos jovens ao caminho da arte e que dá voz às suas questões e pensamentos.
No contexto de Santa Catarina, o movimento do Slam esteve adormecido, muito graças ao período pandêmico, . O mais antigo que havia no estado, na cidade de Joinville, o Slam Guará, é referência no trabalho com o slam catarinense; ainda no norte do estado, atuou lindamente em 2022 o Slam Para Antonieta, que homenageia Antonieta de Barros e que tinha atuação itinerante entre Camboriú, Itajaí e Navegantes; já dentro da capital , surgiu o Slam Cruz e Sousa, homenageando o grande poeta Cruz e Sousa e que teve e tem atuação de referência na expansão do movimento do slam na cidade e no estado, e que teve grande papel na ressurreição do movimento aqui em Santa Catarina. Por fim, o Slam Estrela D’Alva, competição organizada por nós do PET-Letras e por mim, Angelo Perusso, que tem com diferencial e objetivo levar vozes periféricas e discursos excluídos do meio acadêmico para dentro do espaço universitário. Já em 2023, motivado pelo sucesso do slam no estado, surgiram diversos outros coletivos, como o Slam Carijó, Slam Dita, Slam Nosso Olhar, Slam Descoloniza Blu, Slam da Coline. O útimo deles, no qual componho a organização e que quero enfocar, é o Slam Xodó.

A foto mostra uma edição do slam xodó. Thuany está no centro do palco com o microfone na mão próximo à boca; ela é uma mulher negra, vestindo roupas brancas. Ao seu lado está Liza, olhando atentamente; ao redor vemos muitas pessoas, de costas, olhando a apresentação. No teto do espaço está um globo brilhante.
Como vimos, o slam tem muito espaço para textos mais sociais e combativos, entretanto, acaba acontecendo que alguns poetas prefiram falar sobre seus sentimentos, romances, amores e afetos – o que tem menos espaço nas competições de tema livre. O Slam Xodó foi criado com uma regra a mais: o poema tem de abordar o amor, em qualquer uma das suas formas. Pode ser sobre desamor, amor próprio, amor familiar, amor pelos pets, sobre afeto, sexo, aconchego, sobre todo o universo que compõe nossos xodós. Assim, as edições são noites de muito carinho; quem vai sai de lá abraçado, leve, em paz com o coração. De certa forma, a ideia do Slam Xodó se relaciona com o seguinte poema, de Sérgio Vaz:
Resistir ao lado das pessoas que a gente gosta,
deixa a luta mais suave, a gente não quebra, entorta.
As lágrimas ficam filtradas,
O suor mais doce e o sangue mais quente.
E sem que a gente perceba, percebendo,
as coisas começam a mudar à nossa volta.
E aquele sonho que parecia impossível,
acaba virando festa, enquanto a gente revolta.
O slam é um espaço de luta, disto não há dúvida. Porém, lutamos porque amamos. Lutamos porque amamos o povo e queremos que estes que amamos tenham uma vida justa, digna. Lutamos para que aqueles que amamos tenham comida, saúde, moradia, estudo, e a segurança de que podem viver em paz, sem ser alvos de políticas genocidas e sem ter seus direitos básicos negligenciados. Portanto, o amor é uma parte fundamental da luta, talvez de mãos dadas com a revolta, talvez um passo atrás, mas inegavelmente integrante da nossa busca por um mundo melhor. Logo, dentro deste movimento artístico e político, ele precisa ter também espaço, e essa é a ideia do Slam Xodó: espalhar o amor dos versos para os corações que amam a poesia.
Já aconteceram duas edições do Xodó: a primeira, no Espaço Multitudinal, no mês de fevereiro, e a segunda, na Casa Frisson , no último sábado, dia 18 de março, em que só competiram poetas mulheres e pessoas trans e não binárias. Ambos os eventos reuniram mais de 120 pessoas compondo o público e mais de 20 poetas em cada edição, o que evidencia: existe amor em SC.
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Seleção de professores e professoras voluntários(as/es) para 2023.1 | Português para imigrantes e refugiados
EDITAL CANCELADO
Dada a indisponibilidade de salas aos sábados, o edital foi cancelado. Outro edital será publicado oportunamente.
O PET-Letras torna pública a abertura da seleção de professores e professoras voluntários (as/es) para Português para imigrantes e refugiados.
As inscrições se iniciam em 17 de março.
O edital está disponível AQUI.
HOMOLOGAÇÃO DAS INSCRIÇÕES – 27 DE MARÇO DE 2023
Luciéle Bernardi de Souza
Talita Moura de Almeida Ferreira
Maria Cecilia Pilati de Carvalho Fritsche
Sérgio Pereira GomesDhara Devi Mary
HORÁRIOS DAS ENTREVISTAS
As entrevistas acontecerão on-line, no dia 30 de março de 2023. Os horários são os seguintes:
14h – Luciéle Bernardi de Souza
14h15min – Talita Moura de Almeida Ferreira
14h30min – Maria Cecilia Pilati de Carvalho Fritsche
14h45min – Sérgio Pereira Gomes
15h – Dhara Devi Mary
O link será enviado por email.
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Clube da escrita 2023 | Inscrições abertas

O Clube da Escrita é um conjunto de atividades criado pelo PET Letras, organizado por meio de encontros quinzenais que tem como foco a produção literária e a produção acadêmica. O funcionamento será o seguinte: realização de conversas com especialistas em gêneros literários, seguidas de produção de textos, compartilhamento, debate e publicação.
Todas as atividades acontecerão on-line, no youtube do PET-Letras: https://www.youtube.com/user/PetLetrasUFSC
SEGUNDA TEMPORADA | 2023.1
Clube da escrita literária
Poesia | Professor Doutor Guilherme Contijo Flores (Universidade Federal do Paraná) | 31 março 2023, 9h
Link para inscrição: http://inscricoes.ufsc.br/poesiacontijo
Clube da escrita acadêmica
– Lattes sem sofrimento | parte I – Professor Doutor Atilio Butturi Junior | 30 de março, 9h às 11h
– Resenha | Dra. Nathalia Muller Camozzato | 10 de abril, 9h às 11h
– Projeto de Pesquisa | Doutorandas Bianca Franchini da Silva, Kátia Linhaus e Dandara Monteiro |18 de maio, 18h30min às 20h30min
– Normas ABNT | mestranda Grazi Nack e Doutoranda Kátia Linhaus, 31 de maio, 14h30min às 16
– Artigo | doutoranda Bianca Franchini| 16 de junho, 10h às 11h30min
Inscrições abertas no link: http://inscricoes.ufsc.br/escritaacademica
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Irmão do Jorel: imaginação e história
Por Hanna Boassi
Letras – Português
Bolsista PET-Letras
Irmão do Jorel (2014) é uma série em animação brasileira criada por Juliano Enrico e produzida em parceria pela Cartoon Network e Copa Studio. A série mostra a vida do garoto conhecido apenas como Irmão do Jorel, filho caçula de uma família de acumuladores presa nos anos 80; junto com sua melhor amiga Lara, enfrenta os desafios da vida, tentando sair da sombra de seu irmão celebridade.
É importante ressaltar o fato de que o personagem não tem um nome, sempre sendo relacionado ao seu irmão Jorel; esse desprezo pela sua identidade nos dá a ideia do apagamento da autonomia da criança, de seus problemas e vontades. Outro ponto que chama atenção na produção é que a animação se assemelha a muitas outras produções da Cartoon Network, sempre criando situações de forma mais lúdica. O diferencial de Irmão do Jorel é que os elementos da imaginação do personagem principal, que é uma criança, se misturam com a realidade, nos dando a possibilidade de ver o mundo com uma perspectiva mais infantil e imaginativa.
Dessa perspectiva lúdica, leiamos Vigotski (1982, p. 8): “A imaginação, como base de toda atividade criadora, se manifesta por igual em todos os aspectos da vida cultural, possibilitando a criação artística, científica e técnica.” Segundo Almeida e Souza (2021), a atividade imaginativa se liga com a realidade de diversas formas, como através de elementos tomados da realidade e aqueles extraídos de experiências anteriores, já que a fantasia se constrói a partir de elementos do mundo real.
Sendo assim, as crianças têm maior facilidade de criar o seu mundo particular, mesmo sabendo da existência da realidade. Elas utilizam desse poder imaginativo para poder criar uma melhor forma de lidar com questionamentos e situações que possam ser expostas. No caso do Irmão do Jorel, podemos acompanhar a vida de uma criança excluída do ambiente em que vive, estando sempre à sombra de seus irmãos mais velhos, mas assistimos especialmente Jorel, que na trama é uma celebridade.
Descrição da imagem: o personagem Irmão do Jorel está centralizado na imagem; ele é branco, com cabelos cacheados pretos, e veste uma regata preta, bermuda vermelha e galochas amarelas. Sua expressão facial é de deslumbramento e ele se encontra em meio a árvores. Algo muito presente em Irmão do Jorel são suas referências históricas e como são retratadas para o público infantojuvenil. No segundo episódio da primeira temporada, por exemplo, chamado “Gangorra da Revolução”, o pai do Irmão do Jorel conta-lhe, já no início, como é importante lutar por sua liberdade e como ele fazia isso em sua época de “revolucionário”. O pai do Irmão do Jorel ressalta a importância de uma revolução e de ser um revolucionário para o filho e, de uma forma satírica, ele conta histórias dos seus dias de revolução.
Descrição de imagem: seis policiais representados como palhaços estão enfileirados como uma barreira; atrás dele se observa um tanque de guerra verde, e à frente deles, o pai de Irmão do Jorel, vestido com uma fantasia de urso panda.Mais adiante na narrativa, vemos o Irmão do Jorel lutando contra o autoritarismo de sua diretora junto de seus colegas, que desejam aproveitar mais tempo do recreio. Mas o que chama atenção no episódio são as diversas referências ao período da Ditadura Militar (1964-1985). Na animação, os policiais são retratados como palhaços: eles já haviam implantado uma ditadura repressiva onde os próprios palhaços eram proibidos de se divertir e fazer piadas.
Apesar de ser uma animação voltada para o público infantil, Irmão do Jorel pode ser utilizado para além do entretenimento e também como material de apoio didático, já que faz essa aproximação da história com um conteúdo de fácil entendimento para as crianças, o que faz com que o interesse em entender a história seja maior.
Referências
VIGOTSKY, L. S. A imaginação e arte em infância. Madrid: Akail, 1982.
ALMEIDA, Flávio Aparecido de; SOUSA, Luciano Dias de. O Ensino de História através da representação de identidade brasileira na animação Irmão do Jorel. In: ALMEIDA, Flávio Aparecido de. Ensino de História: histórias, memórias, perspectivas e interfaces – volume 2. São Paulo: Científica Digital, 2021. p. 144-155.
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Que que é? | segunda temporada
Que é que é? é uma série de palestras (on-line e presenciais ) que apresenta temas de interesse das áreas de Linguística e Literatura, num caráter introdutório e didático.
As palestras têm de 45 a 60 minutos e são ministradas por convidadas e convidados especialistas em cada tópico.
A segunda temporada vai de março a junho de 2023. São 4 encontros, sempre no canal do PET no Youtube (https://www.youtube.com/user/PetLetrasUFSC). A participação dá direito à certificado de 8 horas de extensão.
A programação de 2023.1:
– Que que é Educação Libertadora? – Professora Doutora Rosângela Pedralli | 30 março – 18h
– Que que é Pragmática? – Professor Doutor Daniel Nascimento e Silva | 20 abril – 18h
– Que que é Cartografia? – Professora Doutora Núbia Saraiva Ferreira |10 maio – 18h
– Que que é Queer| Cuir? – Professor Doutor Jair Zandoná | 23 maio – 9 h
– Que que é Letramento Racial? – Professor Doutor Kleber Aparecido da Silva | 30 junho – 18h
As inscrições estão abertas em: http://inscricoes.ufsc.br/quequee
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Cursos de Idioma | 2023.1
Estão abertas as inscrições para os cursos de idiomas do PET-Letras. São eles:
Japonês Nível 1
Ministrante: Thayse Reboledo Souza
Horário: 10h-11h30min, quintasInscrições: http://inscricoes.ufsc.br/japones
Espanhol Nível I
Ministrante: Susana Echeverria
Horário: 12h-13h30min, terçasInscrições: http://inscricoes.ufsc.br/espanhol1
Libras Nível I
Ministrante: Andreza Vitória Batista
Horário: 13h-14h30min, quartasInscrições: http://inscricoes.ufsc.br/libras2023
Libras Nível II
Ministrante: Gustavo Flores
Horário: 18h-19h30min, terçasInscrições: http://inscricoes.ufsc.br/libras2
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Grupos de Estudo | 2023.1
Estão abertas as inscrições para os Grupos de Estudo de 2023.1 do PET-Letras da UFSC. São eles:
Nome do Grupo: Pensamento de Paulo Freire e implicações para a Educação Linguística
Proponente: Profa. Dra. Rosângela Pedralli
Descrição do grupo e de seus objetivos: O intuito do grupo é discutir textos e pensamentos de Paulo Freire e quais são suas implicações para a educação linguística, visando o campo pedagógico e educacional.
Data de início: 23 de março de 2023
Data de término: 13 de julho de 2023
Horário: 17h às 19h30min
Encontros: 23/03, 06/04, 04/05,01/06, 13/07
Local: sala do NELA (quarto andar do CCE) e transmissão por web conf
Link para inscrição: http://inscricoes.ufsc.br/paulofreire2023
Nome do Grupo: Poesia e Psicanálise: uma caminhada pelos litorais da palavra
Proponentes: Waléria Nunes (UFSC/ Mestranda no PPGLit) e Mariana Vogt Michaelsen (UFSC/ Doutoranda no PPGLit)
Descrição do grupo e de seus objetivos: a proposta do grupo é pensar a relação entre a psicanálise e a literatura a partir de leituras de poetas contemporâneas, buscando compreender até que ponto o campo psicanalítico poderá iluminar nossas análises conjuntas.
Data de início: 20 de março de 2023
Data de término: 03 de julho de 2023
Encontros: segundas, das 18h40min às 20h40min
Local: sala do Núcleo Literatura e Memória (http://nulime.weebly.com/) – 5º andar CCE, sala 507
Link para inscrições: http://inscricoes.ufsc.br/poesiaepsicanalise
Nome do Grupo: Slam: políticas do espaço e do corpo periféricos
Proponentes: Prof. Dr. Atilio Butturi Junior e Dra. Nathalia Muller Camozzato
Descrição do grupo e de seus objetivos: Discutir textos teóricos que tenham o slam como uma prática de corpo-escrita-voz que se dá na intersecção de estratégias de resistência gendradas e que tem no corpo e na voz a materialidade fundamental e no acontecimento da “roda do slam”.
Data de início: 28 de março de 2023
Data de término: 27 de junho de 2023
Encontros: às terças, entre 16h e 17h30min, quinzenalmente e on-line
Link para inscrição: http://inscricoes.ufsc.br/pesquisaslam
Nome do Grupo: Felipa dos Santos: Grupo de Estudos Lesbocentrados
Proponente: Débora Klug
Descrição do grupo e de seus objetivos: O Grupo Felipa de Souza foi idealizado em 2021 através do PET – Letras (UFSC) na intenção de criar um espaço de apoio e acolhimento das mulheres lésbicas estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina e da comunidade externa. O projeto é lesbocentrado por entender o apagamento histórico e a constante perseguição de mulheres lésbicas na sociedade patriarcal, assim enfatiza em seu cronograma obras literárias e audiovisuais que tematizem a experiência e interseccionalidades lésbicas. O grupo é aberto para todas as mulheres que estejam interessadas em socializar e compartilhar sua vivência como parte dessa minoria social.
Felipa de Souza, a mulher que homenageamos com o nome do grupo, é um símbolo de resistência e autoafirmação lésbica, foi processada e condenada em 1591 pelo Tribunal do Santo Ofício Português por conta de práticas “nefandas” associadas a sua orientação sexual, sem nunca ter negado a lesbianidade.
Data de início: 24 de março de 2023
Data de término: 07 de julho de 2023
Encontros: sextas-feiras às 19h30min (encontros quinzenais)
Local: sala do CCE a definir
Link para inscrição: http://inscricoes.ufsc.br/felipa2023
Nome do grupo: Grupo de conversação em inglês
Proponentes: Caio Vinícius Silva
Data de início: 21 de março de 2023
Data de término: 16 de maio de 2023
Descrição do grupo e de seus objetivos: A ideia é reunir pessoas que preferencialmente já tenham estudado inglês para praticar conversação. Trarei um tema para guiar cada encontro (sem necessidade de permanecer no mesma tema durante a hora inteira). Os temas serão escolhidos sempre em um encontro antes (no primeiro encontro escolheremos o tema do segundo e assim sucessivamente). Assim, pretendo ajudar os participantes (e eu mesmo) a naturalizarem o inglês como segunda língua e ficarem preparados para situações em que o inglês é indispensável, como entrevistas e provas de proficiência.
Encontros: às terças-feiras, das 14h20min às 16h
Local: sala do CCE a definir
Inscrições: http://inscricoes.ufsc.br/conversacao
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Conhecendo os princípios e categorias da Ecopedagogia
Por Daniely Karolaine de la Vega e Emmanuele Amaral dos Santos
Bolsistas PET Letras
Letras Português
De acordo com Gadotti (2001, p. 81, grifo do autor), “[…] vivemos uma era de exterminismo”. Devido à produção industrial descontrolada, podemos destruir toda a vida do planeta Terra. Diante disso, as futuras gerações terão de realizar a árdua tarefa de obter soluções para esse problema. Esperamos que as providências sejam executadas antes que essa situação se torne irredutível. Por isso, precisamos ecologizar a economia, a pedagogia, a educação, a cultura, a ciência etc.
O desenvolvimento capitalista gera um grande potencial destrutivo que o coloca em uma posição negativa à natureza. O capitalismo ampliou a capacidade de destruição da humanidade e reduziu o bem-estar e a prosperidade desta. Entretanto, vivemos também na era da informação em tempo real, da globalização da economia, da realidade virtual, da quebra de fronteiras entre nações, da robótica e dos sistemas de produção automatizados.

Imagem 1:
Descrição da imagem: Em um fundo bege claro, aparece um planeta terra, em tons de verde, acima de uma mão rodada e com as unhas pintadas de verde. Estes são acompanhados de várias ilustrações em tons terrosos que fazem alusão à sustentabilidade, incluindo talheres de bambu, uma lâmpada e um ícone de material reciclável. Também é possível identificar duas nuvens no canto superior esquerdo e dois ramos de folhas que contornam o planeta Terra lateralmente.
O cenário está dado: globalização provocada pelo avanço da revolução tecnológica, caracterizada pela internacionalização da produção e pela expansão dos fluxos financeiros; regionalização caracterizada pela formação de blocos econômicos; fragmentação que divide globalizadores e globalizados, centro e periferia, os que morrem de fome e os que morrem pelo consumo excessivo de alimentos, rivalidades regionais, confrontos políticos, étnicos e confessionais, terrorismo (GADOTTI, 2001, p. 82, grifo do autor).
O contexto explicitado por Gadotti ainda se faz intrisicamente presente nas vivências contemporâneas, assim como a importância de refletir sobre a chamada educação do futuro. Podemos começar esse processo discutindo sobre algumas categorias que propõe a compreendê-la, como:
- Planetaridade: segundo Padilha et al. (2011, p. 239), esta categoria consiste em “tratar o planeta como um ser vivo e inteligente”. Está relacionada a optar por uma relação saudável e equilibrada com o contexto, consigo mesmo, com as outras pessoas e com os ambientes.
- Sustentabilidade: o tema da sustentabilidade surgiu na economia e na ecologia para se inserir definitivamente no campo da educação. Ele se fundamenta no lema “Uma educação sustentável para a sobrevivência do planeta”, difundido pelo Movimento pela Carta da Terra na Perspectiva da Educação e pela Ecopedagogia.
- Virtualidade: esta categoria consiste na discussão atual sobre a educação à distância e o uso de internet nas escolas. A informação deixou de ser compreendida como uma área ou especialidade para se transformar em uma dimensão de tudo, alterando a forma como a sociedade se organiza, inclusive o modo de produção.
- Globalização: o processo de globalização está realizando mudanças na política, economia, cultura, história… Portanto, também na educação. É uma categoria que deve ser observada sob vários prismas. O global e o local se fundem em uma nova realidade: o “glocal”. Para pensar a educação do futuro, precisamos refletir sobre o processo de globalização da economia, da cultura e das comunicações.
- Transdisciplinaridade: embora com significados distintos, algumas categorias, muito próximas da transdisciplinaridade, como transculturalidade, transversalidade, multiculturalidade e outras, também indicam uma nova tendência na educação, que é necessário analisar.
Essas categorias são essenciais para a compreensão das perspectivas atuais da educação, mas não bastam para entender a ecopedagogia como uma teoria da educação que impulsiona a aprendizagem do sentido das coisas a partir da vida cotidiana. Para isso, precisamos desenvolver outras categorias relacionadas ao âmbito da subjetividade, da cotidianidade e do mundo vivido; categorias que estruturam a vida cotidiana, levando em conta as práticas individuais e coletivas e as experiências pessoais.
Para compreender o que é ecopedagogia, devemos começar por determinar o que é pedagogia e o que é sustentabilidade. Nos livros de Francisco Gutiérrez e Daniel Prieto sobre a “mediação pedagógica”, eles definem pedagogia como um trabalho de incentivo da aprendizagem por meio de recursos necessários para o processo educativo no cotidiano das pessoas. Para os autores, a vida cotidiana é o espaço do sentido da pedagogia, pois a condição humana caminha irremediavelmente por ela. A mídia eletrônica não anula esse espaço, uma vez que “a revolução eletrônica cria um espaço acústico capaz de globalizar os acontecimentos cotidianos” (GUTIÉRREZ, 1996, p.12 apud GADOTTI, 2001, p. 85), tornando o local global, e o global, local. Isso é o que denominamos, nas Organizações Não Governamentais (ONGs), de “glocal”. O cotidiano e a história se fundem em um só. A cidadania ambiental local se torna também cidadania planetária.
Contudo, “não podemos falar em cidadania planetária excluindo a dimensão social do desenvolvimento sustentável” (GUTIÉRREZ, 1996, p. 13 apud GADOTTI, 2001, p. 85). Essa advertência de Francisco Gutiérrez é elucidativa, pois é necessário diferenciar um ecologismo elitista e idealista de um ecologismo crítico que coloca o ser humano no centro do bem-estar do planeta. Porém, “o bem-estar não pode ser só social, tem de ser também sócio-cósmico” (BOFF, 1996, p. 3 apud GADOTTI, 2001, p. 85). O planeta é minha casa, e a Terra, meu endereço. Como posso viver bem em uma casa mal arrumada, mal cheirosa, poluída e doente?
Para Francisco Gutiérrez, parece impossível construir um desenvolvimento sustentável sem uma educação para o desenvolvimento sustentável. Para ele, o desenvolvimento sustentável carece de quatro condições fundamentais:
- economicamente factível
- ecologicamente apropriado
- socialmente justo
- culturalmente eqüitativo, respeitoso e sem discriminação de gênero.
A ecopedagogia como prática educacional também é articulada e incentivada por diversas instituições internacionais, como é o caso da UNESCO. No documento “Educação para os objetivos de Desenvolvimento Sustentável – Objetivos de Aprendizagem” publicado em 2017, por exemplo, a UNESCO descreve a organização da EDS (Educação para o desenvolvimento sustável)[inserir link], indicando objetivos, atividades e métodos a serem implementados por educadores, escolas e políticas públicas educacionais. Em consonância a agenda global para a educação até 2030, esse documento da UNESCO pensa a prática educacional ecopedagógica como um pilar essencial no processo de garantia dos diversos objetivos que compõem o desenvolvimento sustentável:
[…] que todos os alunos adquiram conhecimentos e habilidades necessárias para promover o desenvolvimento sustentável, inclusive, entre outros, por meio da educação para o desenvolvimento sustentável e estilos de vida sustentáveis, direitos humanos, igualdade de gênero, promoção de uma cultura de paz e da não violência, cidadania global e valorização da diversidade cultural[…] (UNESCO, 2017, p.8)
Em âmbito nacional, podemos destacar o projeto (PECP) Programa educação para a cidadania planetária, desenvolvido entre os anos 2007 a 2011 em Osasco (SP) com intermédio do Instituto Paulo Freire. Esse programa concebe “[…] uma educação com visão de totalidade do conhecimento e dos saberes, superando a histórica fragmentação do conhecimento e considerando a sua complexidade.” (PADILHA, 2001, p.19), ou seja, o PECP evoca diversos conceitos essenciais para a ecopedagogia como a transdisciplinaridade e a planetaridade.
Outros conceitos relevantes para entender o programa são a cidadania planetária e a pedagogia da Terra. Ambos propõe a ideia de que a Terra é um organismo vivo ao qual somos interdependentemente ligados e que isso torna necessária a inserção de outros conceitos como ecologia, ética, estética e sociedade no contexto escolar. Além disso, essa proposta de civilização planetária compreende o ser humano dentro da esfera de complexidade e diversidade da natureza, assim como a importância da manutenção dos direitos sociais, políticos, culturais e econômicos para a fundamentação dessa proposta tal qual descrevem os princípios da ecopedagogia.
REFERÊNCIAS
GADOTTI, Moacir. Pedagogia da terra: ecopedagogia e educação sustentável. In: TORRES, Carlos Alberto (comp.). Paulo Freire y la agenda de la educación latinoamericana en el siglo XXI. Buenos Aires: CLACSO, 2001. p. 81-132.
PADILHA, Paulo Roberto et al. (org.). Educação para a cidadania planetária: currículo intertransdisciplinar em Osasco. São Paulo: Editora e Livraria Instituto Paulo Freire, 2011.
UNESCO. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a CulturA. Education for Sustainable Development Goals: learning objectives. Paris, 2017.
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EDITAL DE SELEÇÃO | BOLSISTA PARA INTERPRETAÇÃO DE LIBRAS
Estão abertas as inscrições para bolsistas de acessibilidade do PET-Letras. São 3 vagas, voltadas para a interpretação e tradução de Libras.

As inscrições estão abertas! O edital pode ser conferido AQUI.
Inscrições homologadas e horário das entrevistas – PRIMEIRA ETAPA (dia 8 de março, na sala do PET):
Elis Michels – 12h
Taynara Muller – 12h15min
Franciane Rodrigues – 12h30min
Andres Salas – 12h45min
Samanta Pacheco – 13h
DIA 13 de março
Bruno dos Santos Camargo – 12h
RESULTADO FINAL
1º Taynara Muller – aprovada e classificada
2º Bruno dos Santos Camargo – aprovado e classificado
3º Samanta Pacheco – aprovada e classificada
4º Andres Salas – aprovado e não classificado
5º Elis Micheks – aprovada e não classificada
6º Franciane Rodrigues – aprovada e não classificada
Taynara Muller, Bruno Camargo e Samanta Pacheco foram selecionados como intérpretes de devem enviar email para atilio.butturi@ufsc.br para ter informações dos trâmites de contratação.