Programa de Educação Tutorial dos Cursos de Letras da Universidade Federal de Santa Catarina
  • ¿Sabe por qué es probable que Instagram y Facebook dejen de funcionar en Europa?

    Andres Salas Garcés,
    Bolsista PET-Letras
    Letras Libras

    En el año 2020, la UE sorprendió a las empresas de tecnología con un fallo a la protección de datos para fiscalizar de la mejor manera cómo estas empresas estaban haciendo uso de estos datos. Desde dicho fallo, hasta la fecha, ni Facebook ni la Unión Europea (UE) han podido llegar a un acuerdo, pues la UE alega que los datos de los usuarios no están siendo usados de forma adecuada según el actual estándar de transferencia de datos de la UE, además de la inconformidad por parte del estado por la transmisión de dichos datos a las sedes de los Estados Unidos. Algo que no fue de agrado para los dueños de Meta, pues el principal negocio de Facebook es vender los datos y el comportamiento digital de sus usuarios.

     

    Imagen de internet*

    Pero bueno ¿Cuándo fue realmente que se comenzó con los comentarios de que Facebook e Instagram iban a salir de la UE?

    En uno de sus últimos informes trimestrales que Facebook presenta, hizo un comentario que la UE tomó como amenaza y fue la siguiente:

    Si no podemos transferir datos entre países y regiones en los que operamos, o si tenemos restricciones para compartir datos entre nuestros productos y servicios, esto podría afectar a nuestra capacidad para brindar nuestros servicios, la forma en que brindamos nuestros servicios o nuestra capacidad para orientar los anuncios

    Luego Meta comenta que realmente le gustaría llegar a nuevos acuerdos en los cuales sean a fines para las dos partes, para después cerrar con la siguiente advertencia:

    Si no se adopta un nuevo marco de transferencia de datos transatlánticos y no podemos seguir confiando en las SCC [Cláusulas contractuales estándar] o confiar en otros medios alternativos de transferencia de datos de Europa a los Estados Unidos, probablemente no podamos ofrecer un número de nuestros productos y servicios más importantes, incluidos Facebook e Instagram, en Europa

    A este informe, la UE responde: “Podremos vivir sin Facebook, viviríamos realmente bien la verdad ¿Por qué pequeñas empresas tienen que pagar impuestos y no ellos? ¿Simplemente porque no están físicamente presentes?”

    A ello Facebook realiza este comunicado:

    Imagen de Internet**

     

    Que estas dos redes sociales dejen de funcionar en dicho territorio, implicaría un golpe fuerte para muchas personas y pequeñas empresas que trabajan a través de ellos, de igual forma para la misma empresa Meta, pues Europa cuenta con más de 309 millones de cuentas activas, representando el tercer mercado más grande de Facebook, añadiendo que este año ha sido uno de los peores para Meta hasta ahora, pues en el mes de febrero del presente año sus acciones cayeron un 26% en un solo día.

    Pues como dicen por ahí, la información es poder y Facebook lo sabe. La plataforma ha sido protagonista de varios escándalos como en el Brexit y elecciones de Trump. Lo que estos dos escándalos tienen en común, es la manipulación de usuarios que aún no están convencidos o indecisos, guiándolos al mejor postor de Facebook.

    ¿Qué podemos exigirle a una empresa a la cual le damos tanto poder? ¿Es mejor dejar de darle más poder a esta plataforma? ¿Cómo podemos asegurar que nuestros datos estén siendo usados de la mejor manera?

     

    Descripción de la imagen*: Fondo azul claro con siluetas de muchas personas con pancartas y celulares, en el medio está la silueta de una persona dando un discurso, con un celular en la mano. Cada celular esta conectado con una linea entrecortada con los logos de Instagram, Pinterest, Youtube, Twitter, Facebook, Linkedin, cuadro blanco con un punto azul y otro rosa, y google.

    Descripción de la imagen**: Imagen de titular de un comunicado de la empresa Meta con letra azul y fondo fondo blanco que dice: “Meta” de letra pequeña con una linea zul clara abajo de la palabra, con letra más grande y título principal“Meta Is Absolutely Not Threatening to Leave Europe”. Abajo de letra pequeña y de color gris “February 8, 2022”. Después de letra azul y también pequeña “By Markus Reinisch, Vice President, Public Policy Europe”.


  • Uma reflexão sobre língua, lusofonia e pós-colonialismo

    Ananda Gomes Henn,
    Bolsista PET-Letras
    Letras – Português

    Muito se discute em salas de aulas, redes sociais e mesas de bar sobre as particularidades do português falado no Brasil e na África, especialmente em relação àquele falado em Portugal. Opiniões diversas sobre o valor dessas diferenças e o que elas representam para seus falantes são expressas frequentemente e sem muita reflexão, como, por exemplo, a de que “estar em Portugal é ouvir o português correto”. Essa é uma afirmação bastante ousada para se fazer a respeito da língua oficial de nove países, localizados em quatro continentes diferentes. É importante, principalmente para nós, estudantes de Letras, refletirmos um pouco sobre a língua portuguesa e o papel que ela exerce para suas diferentes comunidades de falantes, a partir de uma perspectiva pós-colonial da lusofonia.

    Como comenta Carmem Lucia Tindó Secco no podcast Língua Livre (2010), desde a colonização, a língua portuguesa convive com línguas originárias da África ou com línguas criadas a partir desse contato (línguas crioulas). É notável que, através desse contato com as línguas africanas, o português foi modificado para sempre: a influência que as línguas dos quatro milhões de africanos trazidos forçadamente ao Brasil se fez sentir em todos os níveis — seja lexical, semântico, prosódico ou sintático — e, de maneira rápida e profunda, na língua falada, o que deu ao português do Brasil um caráter próprio, diferenciado do de Portugal (CASTRO, 2011). Da mesma forma, o português falado na África já não é exatamente o mesmo que chegou com os colonizadores.

    No documentário Língua – Vidas em Português (2001), filmado em cinco países (Brasil, Portugal, Moçambique, Índia e Japão), os indivíduos entrevistados falam a partir de um movimento pós-colonial, após a independência e uma ampliação da convivência colonial, dentro do quadro nacional da Nação (Angolana, Moçambicana etc.). Nas nações africanas, apesar disso, há uma continuidade da mentalide pré-independência — no sentido de “a língua portuguesa é a nossa língua” — o que estimula com que as línguas originárias sejam deixadas para trás. O nacionalismo, independência nacional, não produziu a autonomia e valorização dessas línguas nacionais/originárias. O português continua sendo a língua oficial, a língua utilizada nos lugares institucionalizados, onde o poder está centralizado.


    Fonte: Cartaz do documentário Língua – Vidas em Português*

    Nesse sentido, Carmem Tindó Secco (2019) problematiza a ideia de “lusofonia” — que, segundo ela, tem uma tentação imperialista de colocar Portugal no centro — e, em seu lugar, apresenta uma “lusografia”, conceito que faz referência ao português como a “língua de escrita”. O status oficial da língua portuguesa não necessariamente implica que ela é a língua mais falada. As políticas linguísticas governamentais a favorecem, afirmando-a como a língua dos negócios, da escolarização, ainda que prevaleça a oralidade e as línguas originárias, com um grande número de falantes que não é fluente em português.

    Se interessou pelo assunto? Fica aqui a recomendação de dois podcasts muito interessantes que tratam do assunto e que inspiraram a escrita desse texto: o décimo primeiro episódio do Língua Livre Podcast, entrevistando a professora Carmem Tindó Secco, especialista em literaturas africanas em língua portuguesa; e o episódio do Fumaça Podcast em que o autor moçambicano Mia Couto discorre sobre literatura, língua portuguesa e colonialismo. Além disso, o documentário “Língua – Vidas em Português” está disponível na íntegra no YouTube.

    Referências

    CASTRO, Yeda Pessoa. Marcas de africania no português brasileiro. Africanias, 2011. Disponível em: < http://www.africaniasc.uneb.br/pdfs/n_1_2011/ac_01_castro.pdf>. Acesso em: 20 maio 2021.

    SECCO, C. L. T. Literaturas Africanas de Língua Portuguesa.  In: PAIXÃO, V.; MACHADO, L.; SECCO, C. L. T. Língua Livre Podcast #1. 2019. 118 min. Disponível em: <https://www.lingualivre.com/post/ll_11>. Acesso em: 20 maio 2021.

    LÍNGUA – Vidas em Português. Direção de Victor Lopes. 2001. (105 min.), son., color. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=JBmLzbjmhhg>. Acesso em: 20 maio 2021.

    MIA Couto sobre literatura, língua portuguesa e colonialismo. Fumaça Podcast, jul. 2019. 64 min. Disponível em: < https://omny.fm/shows/eapenasfumaca/mia-couto-sobre-literatura-l-ngua-portuguesa-e-col>. Acesso em: 20 maio 2021.

    *Descrição da imagem: Cartaz do documentário “Língua – Vidas em Português”. Na parte superior do cartaz há a fotografia de uma pessoa em pé na areia da praia, de perfil, olhando para o mar em sua frente. Acima, no céu da imagem, lê-se o texto “Algumas delas estão nesse filme”, e abaixo dos pés da pessoa, “Um documentário de Victor Lopes”. Embaixo da fotografia há o título do documentário em caixa alta, ocupando toda a largura do cartaz: “Língua”; linha abaixo: “Vidas em Português”. Abaixo do título lê-se “Uma produção Tvzero e Sambascope”, e embaixo há a imagem de alguns dos entrevistados: José Saramago, Martinho da Vila, João Ubaldo Ribeiro, Madredeus, Mia Couto. Abaixo disso, informação dos produtores do documentário.


  • Aulas Públicas – PET Idiomas

    Italiano

    Prof. Jô Porciùncula

    Data: QUA 09/03/2022   Hora: 12h-14h

    “Introdução às estruturas da língua italiana: gênero e número”
    Inscrições: http://inscricoes.ufsc.br/italiano-petidiomas

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  • ‘The Lost Daughter’ (2021): a review on a son’s vision

    Vítor Pluceno Behnck
    Bolsista PET-Letras
    Letras Inglês 

    The sun carefully shines over the rocks and the blue sea. In the sand, Leda sits on a sun lounger while she takes notes. She is a middle-aged comparative literature professor taking a holiday in a coastal town in Greece, aiming to enjoy the serenity of her own company. While she enjoys an ice cream by the sea, a noisy and large Italian family arrives on the beach, disturbing her peace and tranquility. This is the main plot of The Lost Daughter (2021), a Netflix original production directed by Maggie Gyllenhaal, and based on the homonymous novel written by Elena Ferrante. Starring Olivia Colman as Leda, the movie had received three nominations for the Oscar 2022.

    Source: Netflix.

    The Lost Daughter aims to depicture a different view on maternity — and how conflictual and harmful it can be. Leda first overlaps her personal history with the Italians when Nina, a young mother, loses her daughter out of sight: at this moment, Leda has a flashback when she also lost one of her daughters — Bianca — on a beach as well. This is one of the many moments in the movie where Gyllenhaal used a narrative element called “psychological time” to travel through Leda’s thoughts and memories. This way, we are presented to the twenty-something almost divorced Leda, dealing with the weight of being (such as Nina is) a young mother, and at the same time, trying to build her academic trajectory.

    The distance when traveling to international congresses, the articles written while taking care of her children, and the conflicts with her children’s father are some of the elements that represent how non-glorious maternity can be. This representation contrasts with how media uses to represent mothers — which are always cheerful and ready to abdicate their personalities and lives on behalf of their children and spouse. Thus, the movie narrates another side of being a mother, which can be seen as mean or perverse. Going on a holiday and having to deal with your own wounded self from the past was certainly not a piece of cake for Leda.

    The Lost Daughter is, indeed, a captivating and not-obvious narrative. As daughters and sons, it is inevitable to watch the movie and do not think about how many times our mothers put themselves on a second place on behalf of us and the home “duties”. To acknowledge this sacrifices is not about feeling guilty for being born. In fact, it more has to do with reconsidering how do we see women, specifically mothers, in our society. Some of the questions that need to be addressed are: would things be different for Leda if her husband took care of the kids, as women usually do? How would it be if they had the same social expectations for raising their children — that is: how would it be if Leda was not seen as selfish? As Ferrante (2008, p. 1) wrote, “the hardest things to talk about are the ones we ourselves can’t understand”. That is why maybe society can not talk about the taboos behind being a mother: we still can not understand it.

    References
    FERRANTE, Elena. The Lost Daughter. New York, NY: Europa Editions. 1 ed. 2008.

    Verbal description: Leda is a white woman with short and brown hair. She wears a white beach outfit and sits in a white sun lounger at the beach. She holds an ice cream with her right hand while her left hand is in behind her head. She looks to her right side with a disapproving face. Behind her we can see the sand, the sidewalk and some trees.


  • L’approccio politico di Tabucchi in Sostiene Pereira (spoiler alert)

    Camila Vicentini Camargo
    Bolsista PET-Letras
    Letras Italiano

    Sostiene Pereira è un romanzo scritto da Antonio Tabucchi, scrittore, critico letterario, traduttore e accademico italiano. Tabucchi era docente di lingua e letteratura portoghese all’Università di Siena e ha scritto moltissimi libri. Sostiene Pereira è stato pubblicato dalla casa editrice Feltrinelli nel 1994 e ha vinto nello stesso anno il Premio Campiello e il Premio Viareggio.

    Immagine presa da Internet.*

    È un romanzo davvero forte anche se segue una linea più leggera di scrittura. Le sentenze non hanno una difficoltà particolare e in realtà tutto viene raccontato in maniera ben lineare, però i dialoghi non vengono separati o marcati con segni grafici, il che ci chiede una lettura molto più attenta, affinché nessuna informazione si perda.

    In questo testo si presenteranno e si confronteranno oltre a un tutto generale, alcuni aspetti più specifici scelti riguardo all’opera.

    La storia viene raccontata in terza persona, è ambientata a Lisbona, nel 1938, durante il regime dittatoriale salazarista e accompagna il giornalista Pereira, un uomo di vita molto comune, che scriveva della cronaca nera in un gran giornale e che poi ha cambiato lavoro diventando dirigente della pagina culturale del Lisboa, un giornale locale.

    Pereira vive sempre la stessa routine; parla dello stesso, mangia lo stesso, lavora, torna a casa, chiacchiera col ritratto di sua moglie e tutto si ripete. Tale ripetizione viene dimostrata dalla forma in cui Tabucchi scrive e costruisce le situazioni. Ci sono degli elementi sempre presenti: il ritratto; la limonata; il sudore; il ventilatore; il cardiologo ecc. e, inoltre, i paragrafi sono veramente lunghi, il che può farci sentire quasi un’angoscia per una vita che non va avanti oppure che è troppo ordinata, noiosa. Pereira dimostra di essere in dubbi in vari momenti. A volte sostiene la storia con sicurezza, a volte non tanto. Un altro elemento importante – forse il più importante – giacché si parla di ciò, è la ripetizione della frase «sostiene Pereira», non sempre in quest’ordine. La frase viene usata al presente, e tutto il resto al passato, quindi, mentre la lettura avanza, abbiamo la sensazione di stare ad accompagnare il giornalista in qualche testimonianza – non solo una testimonianza di chi racconta la propria vita, ma una testimonianza di chi deve sostenere qualche avvenimento. Infatti, a causa degli avvenimenti che ci porta la fine del libro, si percepisce il perché dell’argomentazione e giustificazione dei fatti.

    Immagine presa da Internet.*

    Il romanzo affronta punti interessantissimi per quanto riguarda la politica. Il paese vive una dittatura e l’opinione pubblica non viene così considerata. Pereira ha paura, odia la polizia, però non si manifesta tanto quanto vorrebbe. Sempre che si trova di fronte ad una situazione delicata in cui qualcuno gli chiede un posizionamento, lui si fa capire vagamente che è contro il regime attuale ma non dice mai il sufficiente. Quello si vede dai rapporti che stabilisce con gli altri personaggi – padre Antonio; Monteiro Rossi, nuovo collega di lavoro; Marta, la ragazza di Rossi; Bruno, il cugino di Rossi; Signora Delgado, chi conosce in treno per Coimbra; ecc.

    Questi personaggi appariscono come se per aiutare Pereira a guardare la vita e la situazione politica attuale con più attenzione, ad usare la sua voce giornalistica per parlare del che veramente importa. Potremmo trovare questi fattori in alcuni brani, come con la signora Delgado che gli dice di esprimere il suo libero pensiero e di fare qualcosa per l’Europa; come Rossi, che sempre porta al giornale dei testi pieni di politica; o come Marta, che suggerisce delle personalità politiche che se ne potrebbero andare.

    Sembra anche che il clima, lo spazio e le vie definiscono l’atmosfera in cui ci si deve immergere, forse non sempre ma in vari momenti. Per esempio: Pereira sente una frequente nostalgia e abita vicino a Rua da Saudade. La festa salazarista accade in Praça da Alegria. E proprio perché accade la festa, l’Avenida da Liberdade è tranquilla. E così via. Non è che i luoghi abbiano sempre un rapporto positivo o coerente con la storia, cioè, che rappresentino una parte o l’altra; anzi, può darsi che siano abbastanza contrastanti, pure ironici.

    Pare che il lettore insieme a Pereira è sempre spinto a non dimenticare quello che succede nel paese. Il giornalista che allora usciva pian piano da una vita isolata dalla realtà, denuncia il regime sul Lisboa dopo aver perso il suo collega alla dittatura.

    Tabucchi presenta in maniera intelligente e molto ben cucita quello che succedeva in Portogallo all’epoca, anzi nell’Europa. Autori molto conosciuti e anche polemici vengono citati nei capitoli, il che ci porta una conoscenza ancora più approfondita e contestualizzata. Tutti gli avvenimenti portano le più svariate sensazioni e la memoria di Pereira mentre racconta il passato ci fa vedere che ogni dettaglio è importante – dal più breve dialogo alla più grande tragedia. Infatti, molti sentimenti diversi sono provati dal lettore (così come dai personaggi). Angoscia, paura, nostalgia, tristezza, speranza e la voglia di cambiamenti. Quello Tabucchi è sicuramente riuscito a dimostrare. È come se volessimo, mentre lettori, cambiare la situazione; è come se fossimo in grado di fare qualcosa.

    Infine, nonostante la storia affronti avvenimenti passati, quegli avvenimenti vanno ancora discussi proprio perché le persone li hanno vissuti – e li hanno sofferti – e quindi non ci si vuole vivere più le stesse realtà. È un libro abbastanza importante perché si mantenga la memoria dei fatti e la speranza per giorni migliori.

    Recensione basata sul libro:
    TABUCCHI, Antonio. Sostiene Pereira. Italia: Feltrinelli, 1994.

    *descrizioni delle immagini: La prima immagine ci mostra Antonio Tabucchi, un uomo di mezza età, occhi castani e capelli grigi. Tabucchi ha la faccia seria e indossa abiti neri e occhiali da vista. C’è sfocato sullo sfondo un giardino e muri di una casa. La seconda immagine mostra sopra una superficie nera un’edizione del libro Sostiene Pereira appoggiato di lato. Si legge nel dorso in maiuscolo e in nero “Antonio Tabucchi” e poi “Sostiene Pereira”. La copertina è bianca e nella parte superiore si legge il nome dell’autore in rosso e il titolo del libro in verde. Sotto il titolo c’è un’immagine sfocata.


  • Epidemia no Brasil: reflexos de uma má gestão em período pandêmico?

    Mariane Pordeus,
    Bolsista Acessibilidade – PET-Letras
    Letras Libras

    O surpreendente aumento de casos de infecções pelo vírus Influenza, fora de época no Brasil, ocupou os noticiários no último trimestre, deste ano, apontando para uma epidemia vivida em meio a pandemia no Brasil.

    Ano após ano, os vírus sofrem mutação genética e ficamos expostos às suas variantes. Prontamente, o PNI (Programa Nacional de Imunizações) entra em cena disponibilizando em postos de saúde e clínicas privadas uma vacina atualizada para combater a nova ameaça da Influenza à saúde pública. Entretanto, no início da pandemia do novo coronavírus as medidas restritivas barraram esse processo, inibindo, quase que por completo, os casos de gripe pelo vírus influenza. A prevenção à COVID-19 — vírus respiratório com alto índice de transmissão — possuí um impacto muito maior ao vírus da gripe.

    Fonte: Folha de S.Paulo.*

    Em consequência disso, a população se esqueceu dos surtos de gripe anuais e o sistema imunológico não desenvolveu defesa diante das novas variações, o que resultou positivamente na diminuição de casos e de ocupações de UTI durante esse momento de sobrecarga nos hospitais em decorrência da COVID-19. Entretanto, a ausência de exposição natural ao vírus influenza nos deixou mais vulneráveis à sua nova forma.

    Com a flexibilização das medidas de prevenção ao coronavírus, uma velha conhecida retorna: o vírus influenza A Subtipo H3N2 pertencente à uma nova cepa chamada de Darwin, por ter sido descoberta em uma cidade da Austrália com o mesmo nome. A cepa Darwin foi inicialmente identificada no Rio de Janeiro e vem contribuindo com um surto de casos em diversas regiões do Brasil em período atípico, sendo categorizada por especialistas como epidemia.

    É importante destacarmos que o número de vacinados contra a gripe, neste ano, foi inferior aos anos anteriores e, também, a conciliação com o intervalo para a vacinação contra a COVID-19 pode ter agravado este baixo índice de adesão à vacina. Além disso, uma estranha ideologia negacionista presente no atual governo, e incentivada por ele, toma forma em confronto à cultura da vacina.

    O discurso antivacina do presidente Jair Bolsonaro, contrapõe inclusive a postura que ele próprio defende: o exército na ditadura militar — tendo em vista que foi neste período que o PNI foi criado, com o objetivo de controlar o surto de doenças infecciosas da época. Infelizmente, pela primeira vez desde a sua criação, o PNI sofre ameaças. Em meio à epidemia, à pandemia e aos conflitos políticos, o que resta à população é permanecer fundamentada na cultura da vacinação, consciente de que programas de política pública como o PNI são reconhecidos mundialmente por seu caráter eficaz de controle de doenças infecciosas.

    Sendo assim, que não sejamos infectados por essa onda negacionista, mas que estejamos atentos ao rumo dessa batalha biológica entre a humanidade e os vírus que a assolam.  É preciso atenção nacional para que a epidemia brasileira não coincida com a variante Ômicron do novo coronavírus. Esse cenário delicado e incerto resultaria em uma nova pressão aos hospitais e seria praticamente imprevisível e impossível prever o seu real impacto no Brasil.

    Por fim, que possamos refletir acerca de nossa conduta individual pelo bem coletivo, afinal a vacinação tem o poder de erradicar enfermidades, mas uma população consciente tem o poder de mudar seu destino!

    *descrição: O texto possui duas imagens reunidas. Na parte superior, um gráfico de mapa que indica os estados brasileiros que registraram aumento de casos de gripe. São eles: Amazonas, Acre, Rondônia, Amapá, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Enquanto Ceará, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul não registaram aumento de casos. E Roraima, Pará e Piauí não informaram se houve ou não. Na parte inferior, a imagem organiza por estado o número de casos confirmados e mortes por causa da gripe. Respectivamente: Amazonas com 772 casos e nenhuma morte; Bahia com 185 casos e 2 mortes; Espírito Santo com 74 casos e nenhuma morte; Minas Gerais com 67 casos e nenhuma morte; Rio de Janeiro com 47 casos e 7 mortes; Pernambuco com 43 casos e nenhuma morte; Amapá com 37 casos e nenhuma morte; Goiás com 32 casos e nenhuma morte; Paraná com 20 casos e uma morte; Paraíba com 13 casos e nenhuma morte; Rio Grande do Sul com 13 casos e nenhuma morte; Santa Catarina com 7 casos e nenhuma morte; Ceará com um caso e nenhuma morte e Maranhão com um caso e nenhuma morte.

     

     

     


  • Você conhece uma “Maria Carmem”?

    Daniely Karolaine de Lavega,
    Bolsista PET-Letras
    Letras – Português

    Uma história narrada por uma criança, mas escrita para adultos.

    O livro Se Deus me chamar não vou, escrito por Mariana Salomão Carrara, foi publicado recentemente, em 2019, pela Editora Nós. Em pouquíssimos capítulos, Maria Carmem, a narradora protagonista da obra, é capaz de nos conquistar facilmente com seu olhar fresco e ingênuo — mas surpreendentemente maduro — de criança. Apesar da guerra que ocorre em sua mente acompanhada da negligência parental, ela possui uma comicidade que nos cativa sem demora: “Uma vez numa viagem eu vi uma aranha comendo um vaga-lume que não parava de piscar. […] Será que o vaga-lume pisca de dor? Se eu pudesse brilhar de dor eu seria um escândalo.” (CARRARA, 2019, p. 7).

    Maria Carmem é uma pequena aspirante à escritora que auxilia seus pais — mais jovens que a maioria dos pais que ela conhece — no estabelecimento comercial da família, que trabalha com a venda de produtos para o público da terceira idade. É interessante pensar que, segundo Carrara (2019), a menina nasceu no fim. Nós acompanhamos seu cotidiano nos ambientes familiar e escolar, conhecendo seus sentimentos e pensamentos mais complexos. Maria Carmem é uma criança angustiantemente real e luta contra problemas reais; como sua preocupação em relação à falta de prosperidade da loja de seus pais, o bullying diário que a acomete na escola e o medo imensurável de morrer. Envolvida por uma solidão devastadora — que parece ser invisível junto a todo o restante para seus pais —, a menina constantemente desconstrói e reconstrói o mundo em torno de si, estimulando-nos a refletir de verdade acerca de algumas sutilezas da vida: “Acho que existem crianças mais solitárias que os velhos.” (CARRARA, 2019, p. 26).

    O livro se assemelha a um diário; gira em torno de Maria Carmem tentando escrever, com o auxílio de sua professora, um livro sobre sua própria história — ela acredita que poderá escrever sobre a história de outra pessoa somente quando se tornar escritora de verdade, depois de praticar bastante. Maria Carmem tem apenas 11 anos de idade, está no 6º ano do ensino fundamental, mas definitivamente não podemos subestimá-la. Entre o sentimento de solidão absoluta, a sensação de não se encaixar em algum lugar e questionamentos acerca da religião e da pressão estética sobre o corpo feminino, a menina pinta com perfeição o período da pré-adolescência.

    Fonte: Amazon*

    A leitura é emocionante, divertida e, apesar de leve, atinge-nos como um furacão; temos a sensação de estar descobrindo a vida ao lado da personagem, como se tivéssemos retornado à infância. Se Deus me chamar não vou naturalmente constrói uma moradia permanente no interior de nós, por isso Mariana Salomão Carrara parece ser uma promessa da literatura nacional. É impossível acompanhar a transição de Maria Carmem para a adolescência e não se identificar com suas dúvidas, seus medos e suas dores. Crescer é doloroso e deixa cicatrizes para trás. É assombroso o quanto nós nos encontramos na personagem e sofremos com ela. Existem incontáveis “marias carmens” perdidas por este mundo.

    Se você não se lembra de ter conhecido uma “maria carmem”, você possivelmente foi uma.

    REFERÊNCIA

    CARRARA, Mariana Salomão. Se Deus me chamar não vou. 1. ed. São Paulo: Editora Nós, 2019. 160 p.

    *Descrição: Uma imagem da capa do livro. Esta possui um fundo rosa com linhas laranjas em diagonal. Acima e centralizado, o título da obra se apresenta em letras minúsculas na cor azul cortado por linhas diagonais em rosa. Abaixo e centralizado, o nome da autora se mostra em letras maiúsculas na cor branca. No canto inferior direito da capa, sobre uma pequena faixa azul, o nome da editora aparece em letras maiúsculas na cor branca.


  • Revista Preguiça do PET-Letras – 4ª edição

    A revista (des)acadêmica do PET Letras, a Preguiça, foi pensada, inicialmente, para proporcionar a interação social e criativa dos alunos de diferentes fases dos cursos de Letras.
    Surge, então, como um meio de divulgação local das produções literárias dos estudantes, oferecendo um estímulo à produção criativa, por disponibilizar um veículo institucionalizado para a divulgação de ideias dos alunos; e que gerasse reconhecimento e identificação dos seus autores.
    Logo em sua primeira edição, a Revista Preguiça passou a receber textos escritos por alunos de todos os cursos de graduação da UFSC, possibilitando, então, a integração das mais diversas áreas, que se voltam para um mesmo objetivo, a produção literária.

    A quarta edição da Preguiça está maior e conta com textos de estudantes de graduação da UFSC, de petianos e petianas e, também, de autores externos à Universidade.

    Boa leitura!

    Revista Preguiça em PDF

    *Ilustração por Lara Norões Albuquerque

    Confira as edições anteriores:
    Revista Preguiça 1
    Revista Preguiça 2
    Revista Preguiça 3

    #fotodescrição: Logotipo da Revista Preguiça, que consiste em três rostos iguais de um bicho-preguiça, em escala de cinza, do mais escuro, à esquerda, para o mais claro, à direita.


  • O apagamento histórico das mulheres na ciência

    Isabella Flud,
    Bolsista PET-Letras
    Letras – Português

    Se o assunto for “os maiores cientistas do mundo”, já sabemos que nomes como Albert Einstein e Charles Darwin com certeza serão citados durante a discussão. Entre ícones mais contemporâneos, ainda temos figuras como Carl Sagan e Stephen Hawking, todos eles são ícones extremamente relevantes para a ciência da humanidade. Mas você já parou para pensar quantas mulheres foram apagadas durante a história da ciência? Seja em qualquer nacionalidade ou área de estudo, como exatas, humanas ou biológicas.

    Ícones mundiais como Elizabeth Blackwell e Marie Curie possuem um pouco mais de visibilidade, apesar de não conhecerem, especificamente, o legado de cada uma. Elizabeth Blackwell (1821-1910) foi uma médica britânica, considerada a primeira mulher que se formou em medicina nos Estados Unidos e a primeira mulher a ter registro médico no Conselho Médico Geral. Junto de sua irmã, abriram a New York Infirmary for Indigent Women, uma clínica que atendia mulheres indigentes e com vulnerabilidade socioeconômica, além de também terem fundado duas escolas de Medicina destinadas às mulheres, a Woman’s Medical College e a London School of Medicine for Women.

    Já Marie Curie foi uma física e química polonesa, com naturalização francesa, foi a primeira mulher a estudar as partículas radioativas. Descobriu os elementos químicos urânio, polônio e o rádio. Além de entender como os efeitos radioativos podem ser prejudiciais para o corpo humano, também difundiu o uso de rádio durante o tratamento de câncer, a conhecida radioterapia. Foi a primeira mulher que ganhou dois prêmios Nobel, um na área de Física e outro na área da Química.

    Já sabemos que o número de pesquisadores vêm aumentando no país, mesmo em meio às dificuldades, como a falta de investimento e a frequente interrupção ou corte de bolsas. O Brasil não é favorável para o pesquisador brasileiro, ainda mais se o seu gênero é feminino. Nos dados abaixo, exponho as áreas da ciência em que as mulheres do Brasil são maioria, de acordo com o relatório “A jornada do pesquisador através de lentes de gênero (2020 p.158), elaborado pela empresa Elsevier, uma das maiores dominantes mundiais das publicações científicas, investigou a participação ativa de pesquisadores em 15 países, incluindo o Brasil.

    Tabela 1: As áreas da ciência em que as mulheres do Brasil são maioria

    Área Gênero Percentual
    Bioquímica Feminino 52.7%
    Masculino 47.2%
    Enfermagem Feminino 73.0%
    Masculino 26.9%
    Farmacologia Feminino 57.6%
    Masculino 42.3%
    Imunologia e Microbiologia Feminino 57.7%
    Masculino 42.3%
    Medicina Feminino 52.7%
    Masculino 47.2%
    Neurociência Feminino 54.3%
    Masculino 45.6%
    Odontologia Feminino 52.4%
    Masculino 47.5%

    Fonte:  Elsevier Gender Report (2020 p. 158)

    Para mudar este cenário a Assembleia Geral da ONU definiu o dia 11 de fevereiro como o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, com o intuito de reconhecer e incentivar a participação feminina na ciência. A partir desta temática tão importante, te convido a conhecer uma história em quadrinhos que exalta o protagonismo negro e feminino na ciência brasileira, “Meninas e Mulheres na Ciência”, que conta a história de uma menina negra que sonha em ser cientista e traz diversos aspectos do cotidiano brasileiro.

    Fonte: Divulgação*

    Seguimos pesquisando, seguimos resistindo!

    Referência:

    ELSEVIER. The Researcher Journey Through a Gender Lens, Amsterdam, 2021, p. 158. Disponível em <https://www.elsevier.com/__data/assets/pdf_file/0011/1083971/Elsevier-gender-report-2020.pdf> Acesso em dez 2021.

     

    *Descrição: Uma imagem na vertical, fundo mesclado em rosa, azul e roxo com três pessoas. O título “meninas e mulheres na ciência” aparece no topo da imagem, na cor branca, com destaque para a palavra “ciência” que está na cor preta e amarela. A primeira é uma menina branca com cabelo liso e castanho, de franja, camiseta rosa e short verde, com uma mão em cada bochecha, demonstrando alegria. A segunda pessoa é uma mulher negra com cabelo crespo bem escuros, usando um jaleco, camiseta verde e calça jeans, está segurando um tubo de ensaio com um líquido verde por dentro enquanto sai fumaça. A terceira pessoa é um menino branco, cabelo curto e escuro, usando uma camisa polo vermelha, está segurando uma parte de uma parede e não aparece por inteiro.

     


  • O Humano e a Terra: uma relação abusiva

    Débora Klug,
    Bolsista PET-Letras
    Letras Português

    Recentemente ganharam espaço, nas ruas, alguns movimentos de jovens e de estudantes que se preocupam com seu futuro: se terão uma Terra habitável para viver. Movimentos inspirados na liderança de Greta Thunberg — que organizou e fundou o Fridays For The Future, conhecido no Brasil como Greve pelo Clima — foram às ruas protestar contra as mudanças climáticas, e exigir alguma posição decisiva dos governantes em relação à contenção do aquecimento global.

    Foto de um protesto pelo clima.
    Fonte: OutrasPalavras*

    Sobre as formas de ver e de interpretar o contato conturbado que se mantém com a Natureza, Ailton Krenak, indígena brasileiro, faz, em “Ideias para adiar o fim do mundo” (2020), críticas ao senso comum de que as culturas indígenas não teriam nada para contribuir ao pensamento e à filosofia contemporâneos. Essa forma de ver a cultura é uma herança direta dos séculos de colonização e extermínio dos povos nativos de Pindorama — nome em Tupi que se dava ao Brasil —, ações que foram motivadas pela noção de uma humanidade esclarecida que teria o dever de ir ao encontro de e civilizar outra sub-humanidade, mostrando-a o caminho para o jeito certo de estar na Terra. Hoje, com pesquisas e estudos sobre a cultura no século XX e XXI, percebemos como essas ideias são perigosas e como motivaram ações maléficas para com seres humanos de culturas apenas distintas do seio europeu, e não inferiores ou erradas.

    Entretanto, a ideia de uma humanidade ainda é consenso na atualidade, e é aqui que reside uma das principais críticas de Krenak: à noção de humanidade como um grupo seleto e unitário, que se distingue essencialmente do que não faz parte dele. Tudo o que não é humanidade é coisa, e se colocarmos a Natureza na equação, além de coisa, ela é ainda recurso, que abertamente se explora para fins do progresso desse grupo distinto chamado humanidade. E bem sabemos que essa exploração desenfreada tem afetado, de maneira bruta e irreversível, diversos âmbitos do ecossistema terrestre.

    Krenak atenta, em seu livro, para essa relação alienada do homem com a Terra, que acarreta uma série de abusos praticados contra a Natureza. Para o autor, é absurda a ideia de um homem descolado da Terra, sem relação direta com o ambiente que o envolve, e que é o que, única e exclusivamente, permite a existência do ser humano; essa noção de separação, e de desrespeito com a Natureza, é absurda para diversas culturas indígenas: como para os Krenak, povo da região do Vale do Rio Doce, que sempre viram o Humano e a Natureza integrados, com relações familiares. O rio é seu avô, as montanhas e pedras são suas irmãs. Essa forma de pensar subverte a lógica da coisificação do não humano e, por consequência, não permite a relação abusiva do homem com a Terra. Sendo assim, a extração desenfreada dos recursos naturais seria uma afronta grave. Percebe o quanto isso bate de frente com as lógicas de produção e desenvolvimento capitalistas? E esse é só mais um motivo para alimentar o desprezo pelas culturas indígenas. A humanidade, a personalização que essas culturas dão à natureza não é interessante para manter um status quo de desenvolvimento. E, por isso, o que se mantém é o extermínio: de culturas, de pessoas e da Terra.

    “Quando despersonalizamos o rio, a montanha, quando tiramos deles os seus sentidos, considerando que isso é atributo exclusivo dos humanos, nós liberamos esses lugares para que se tornem resíduos da atividade industrial e extrativista. Do nosso divórcio das integrações e interações com a nossa mãe, a Terra, resulta que ela está nos deixando órfãos, não só aos que em diferente graduação são chamados de índios, indígenas ou povos indígenas, mas a todos.” (Ideias para adiar o fim do mundo, 2020, p. 49-50)

    Krenak apresenta como as culturas indígenas contribuem para as novas formas de pensar a relação com a Natureza e diz o quanto isso é urgente. A preocupação de jovens, como a Greta, não é coisa pouca, mas, na verdade, uma preocupação de sobrevivência. Quanto tempo a Terra vai aguentar os nossos abusos? E o que será de nós quando essa relação chegar ao fim?

    Foto de Ailton Krenak
    Fonte: Valkirias**

    Referência
    KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.

    *Descrição da Imagem: Em um espaço aberto, na rua, um grupo muito grande de pessoas reunidas segurando cartazes com diversas escritas. Em primeiro plano, cerca de dez pessoas, seguram, em frente ao corpo, um grande banner na horizontal escrito em letras pretas e verdes: #capitalismo não é verde. Nos outros planos é possível ver mais cartazes coloridos e feitos à mão com escritas em português e em inglês como: faz pelo clima; save the earth; go vegan; there´s no planet B.

    **Descrição da Imagem: A foto, em preto e branco, de um homem indígena (Ailton Krenak) com o rosto voltado para a esquerda. Ele tem na cabeça um cocar que possui ao redor da testa uma tira fina de desenhos em linhas geométricas e, acima disso, retângulos brancos  e pequenos enfileirados um do lado do outro. Ao redor da orelha e na nuca vê-se cabelos curtos e escuros. O rosto não possui barba. O fundo é laranja, na direita tem um semicírculo de cor laranja mais escura, e na esquerda um semicírculo menor com o contorno pontilhado em branco. Saindo de trás do ombro esquerdo do homem tem uma flor e folhagem em rosa e branco. No ombro esquerdo tem uma folhagem, também em rosa e branco.