Programa de Educação Tutorial dos Cursos de Letras da Universidade Federal de Santa Catarina
  • Minha experiência no Deaf’s Festival

    Por Andreza Vitória Bobsin Batista

    Letras Libras

    Estagiária de Acessibilidade – PET – Letras


  • Línguas indígenas no Brasil

    Por Laiara Serafim

    Letras Português

    Bolsista Pet – Letras

     

    A segunda temporada da série Cidade Invisível, chegou na Netflix no mês de março e, com ela, trouxe o cenário da floresta amazônica com novas lendas do norte do país. Além das figuras folclóricas, a série trouxe um foco para os personagens indígenas da trama. Um dos aspectos presentes é a língua Tukano utilizada pelos personagens, língua franca da região do Alto Rio Negro, que foi a primeira região a oficializar outra língua além do português.

    Para além das telas e, diferente do que pensa uma parcela da população, as línguas indígenas possuem uma vasta variedade no Brasil e não estão restritas a uma única região. O último censo, realizado em 2010 pelo IBGE, registrou a existência de 274 línguas indígenas no Brasil. Aqui em Santa Catarina atualmente a população indígena é composta por três povos distintos: Kaingang, Xokleng e Guarani. A língua Kaingang pertence à família jê do tronco macro-jê. A linguista Ursula Wiesemann classificou a língua dos Kaingang atuais em cinco dialetos, sendo um deles o de Santa Catarina. Os dialetos diferenciam-se em várias partes de sua estrutura, sendo as diferenças mais evidentes as fonológicas. Já no caso do povo Xokleng, na TI Ibirama (SC), fala-se o “xokleng”, um idioma próximo ao kaingang. Os Xokleng dizem entender alguma coisa de kaingang, mas não o falam. Já o povo Guarani forma o maior povo nativo em quantidade de população vivendo no Brasil. O idioma guarani pertence ao tronco linguístico tupi-guarani, de onde derivam 21 línguas. Essa é a língua indígena mais falada na América do Sul e chega a 60% do Paraguai.

    Entretanto, essa vasta pluralidade linguística vem reduzindo drasticamente devido a colisão de culturas e fixação da língua portuguesa nas comunidades há mais de 500 anos. Atualmente, uma pequena parte da população indígena fala somente a própria língua dentro da comunidade, muitos falam português e a língua indígena e, ainda, a grande maioria dos jovens fala somente o português.

    Isso se deve às inúmeras rupturas sociais, políticas, econômicas e culturais que têm lugar no Brasil, e à presença de escolas para indígenas com a mesma grade curricular das demais escolas públicas, que não estimulam e nem consideram as particularidades culturais e linguísticas, ainda que a Constituição Federal assegura às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. Muitos dos falantes também não conhecem a língua escrita, o que faz com que as línguas sejam pouco documentadas

    Devido a isso, universidades de todo o continente têm se unido para organizar pesquisas de documentação e ensino dessas línguas. Aqui na UFSC, no Núcleo de Estudos Gramaticais, acontece o projeto (In)definitude através das línguas/(In)definiteness across languages, coordenado pela professora Roberta Pires de Oliveira, professora titular na Universidade Federal de Santa Catarina, que estuda a sintaxe-semântica do sintagma nominal em 8 línguas (6 minoritárias em vitalização). Dentre elas está o Rikbaktsa, língua também pertencente ao tronco macro-jê. Alguns aspectos que diferem a gramática do Rikbaktsa da gramática do português são a marcação do gênero do falante na terminação das palavras, como a inexistência de artigos como “o/os, a/as”. Atualmente, a pesquisa do Rikbaktsa, coordenado por Léia de Jesus da SIlva, doutora em Linguística Teórica e Descritiva pela Universidade de Paris VII – Université Denis Diderot (2011), estuda a definitude na língua Rikbaktsa. Outra ação já realizada pelo projeto foi a formação de professores da própria comunidade Rikbaktsa para ensinar a língua nas escolas da comunidade. A professora Léia de Jesus tem dedicado grande parte de toda a sua pesquisa à língua Rikbaktsa. Sua dissertação de mestrado teve como tema Aspectos da fonologia e morfologia da língua Rikbáktsa e sua tese de doutorado Morphosyntaxe du rikbaktsa (Amazonie brésilienne).

    Conversamos com a professora sobre a sua pesquisa com a língua e a importância de pesquisas na área:

    Laiara: Léia, sua dissertação de mestrado (2005) e sua tese de doutorado (2011) são sobre a língua Rikbaktsa. Como surgiu o interesse por essa área de pesquisa?

    Léia de Jesus: Pesquisas sobre povos e línguas indígenas são de grande importância tanto para estes povos, quanto para a humanidade em geral e para a ciência não indígena. Pesquisas em linguística, por exemplo, já apontaram inúmeras características próprias das línguas indígenas brasileiras que contribuíram para o avanço da linguística geral. As pesquisas desenvolvidas na UFSC têm contribuído para o avanço dos conhecimentos que temos sobre estes povos, suas línguas e culturas e também para dar visibilidade a eles e ajudar na manutenção e fortalecimento de suas línguas e culturas. Em se tratando do impacto que estes estudos têm dentro das comunidades indígenas, é inegável que têm contribuído enormemente para melhorar a educação escolar indígena e oferecer melhores condições de vida a estes povos, na medida em que muitas pesquisas resultam em projetos voltados para as escolas ou para estratégias de sustentabilidade. Além disso, um dos efeitos do avanço da educação escolar indígena é que os indígenas chegaram à Universidade, agora como pesquisadores, desenvolvendo eles mesmos pesquisas sobre seus povos, línguas e culturas.

    Laiara: Sabemos que, aqui na UFSC, acontecem pesquisas sobre línguas indígenas do Brasil. Qual a importância das pesquisas na área? Qual papel a documentação e estudos sobre a língua desempenham dentro da própria comunidade?

     Léia de Jesus: Eu queria mudar o mundo. Entendia que estudar línguas indígenas era uma forma de contribuir para um mundo melhor, na medida em que as minhas pesquisas poderiam ajudar a melhorar a educação escolar indígena, consequentemente a vida destas pessoas. E eu, como não indígena, poderia auxiliá-los nesse universo intercultural em que vivem. Não sei se eu mudei o mundo, mas tenho certeza de que a vivência em campo e em sala de aula, como professora de cursos de Educação intercultural, mudaram completamente o meu mundo. À parte o lado mais romântico da história, meu primeiro contato com línguas indígenas foi nas aulas de morfologia, fazendo segmentação morfêmica. Achei incrível saber sobre uma língua sem necessariamente falá-la. Fui ser bolsista de IC voluntária em um projeto do professor Aryon Rodrigues e aqui estou, entre a morfologia, a descrição e a educação escolar indígena.

    Laiara: O Brasil é um país muito diverso e possui muita riqueza linguística. Qual foi o seu principal desafio ao começar estudar uma nova língua, mas principalmente, pouco documentada? Quais desafios você encontra até hoje?

    Léia de Jesus: Durante o mestrado, quando comecei a estudar Rikbaktsa, cujas últimas pesquisas datavam da década de 70, havia dois grandes desafios, o primeiro era a falta de financiamento para trabalho de campo. A universidade financiava apenas a passagem de ônibus, todo o custo do trabalho de campo, que é caro, era por nossa conta. Isso muitas vezes afetava a qualidade dos dados coletados, pois não tínhamos recursos para comprar equipamentos e nos virávamos com o que tínhamos, um gravador de fitas k7, à pilha. O segundo maior desafio era o tempo. A duração do mestrado e do doutorado para quem fazia campo dessa natureza era exatamente a mesma de estudantes que não tinham essa dinâmica. Não que o tempo destes deveria ou deva ser menor, mas deveria sim ser considerado um acréscimo, caso solicitado, para estudantes de que fazem campo. O trabalho de campo com línguas indígenas exige muito, deslocamento a lugares muitas vezes de difícil acesso, o que pode levar algumas semanas só pra se chegar em campo, a coleta, transcrição e confirmação dos dados com colaboradores, retorno de campo, e só então, análise dos dados. Sempre me pareceu que seria justo se os programas de Pós-Graduação levassem essa dinâmica em conta. Infelizmente, não me parece que as coisas tenham mudado ao longo dos anos. Mesmo com todos estes desafios, continuo vendo como um privilégio poder estudar línguas minoritárias e, principalmente, aprender tanto com estes povos.

    Assim, como bem mostra a Prof. e Dr. Léia de Jesus, é imprescindível o incentivo à pesquisa na área da línguas indígenas, e o conhecimento e manutenção dos estudos que já ocorrem, devido às diversas esferas que são impactadas pela documentação, estudo e ensino das línguas indígenas de nosso país.

    REFERÊNCIAS

    BEZERRA, Juliana. Índios Guarani. 2011. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/indios-guarani/. Acesso em: 09 abr. 2023.

    IBGE. Indígenas. 2013. Disponível em: https://indigenas.ibge.gov.br/. Acesso em: 09 abr. 2023.

    SANTA CATARINA. Poder Judiciário. Línguas e cultura indígena em foco. 2015. Disponível em: https://www.tjsc.jus.br/web/gestao-socioambiental/linguas-e-cultura-indigena-em-foco. Acesso em: 09 abr. 2023.

    TOMMASINO, Kimiye; FERNANDES, Ricardo Cid. Kaingang. 2014. Disponível em: https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Kaingang. Acesso em: 09 abr. 2023.

    WIIK, Flavio Braune. Xokleng. 2020. Disponível em: https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Xokleng. Acesso em: 09 abr. 2023.


  • Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais


  • Genshin Impact: da diversão ao conhecimento

    Por Izabel Bayerl Bonatto

    Letras-Português

    Bolsista PET – Letras

     

    Genshin Impact, lançado em setembro de 2020 pela empresa chinesa miHoYo, também conhecida por HoYoverse fora da China, é o mais novo jogo de RPG eletrônico de ação e aventura disponível para PlayStation 4, Windows, Android e IOS. O jogo em si é muito elogiado por causa de sua qualidade gráfica, das histórias de aventuras envolventes e da jogabilidade interativa.

    Quando iniciado, o jogador deve escolher entre os gêmeos Aether ou Lumine para ser seu personagem principal, denominado então ‘viajante’, e que tem como companheira de viagem a Paimon enquanto exploram o mundo aberto de Teyvat. Ao longo do jogo, o jogador explora as sete nações que dividem Teyvat, governadas cada uma por um arconte elementar, lutando contra inimigos diversos e mistérios do mundo, a fim de descobrir o paradeiro de seu familiar depois de serem separados por uma deusa desconhecida.

    Descrição da imagem: o fundo da imagem é o chão em detalhes de pedra; no canto superior esquerdo, está o nome do jogo “Genshin Impact”. No centro da imagem aparecem os dois irmãos gêmeos do jogo: do lado esquerdo está Aether, que possui cabelos dourados e veste uma roupa em tom de marrom e preto com adornos brancos e dourados; do lado direito está Lumine; ela também possui cabelos dourados, mas num tom mais claro, e veste um vestido branco com adornos em azul claro e dourado.

    Como dito por Bloomfield (2022, p.50-51):

    […] dentre as muitas atividades a serem realizadas no jogo, o uso da matemática é indispensável devido a diversos fatores: elaboração de builds para fortificar os personagens, requisitando análises dos dados do personagem, as porcentagens de  artefatos, gestão de recursos, puzzles que desafiam os conhecimentos da área matemática do jogador pois o uso (e o conhecimento) de cálculos é necessário se quiser receber as recompensas de forma rápida.

    O jogo ainda possui a possibilidade de controlar vários personagens, cada um com habilidades e elementos elementares únicos, que podem ser combinados em equipes para enfrentar os desafios que surgem no caminho. Além disso, o jogo apresenta um sistema de evolução de personagens, pelo qual o jogador pode melhorar as habilidades e equipamentos dos personagens para torná-los mais fortes e eficazes em batalha.

    Nesse mundo mágico, existem as “visões elementais”, ou seja, sete elementos: Anemo (ar), Geo (terra), Electro (eletricidade), Dendro (planta), Cryo (gelo), Pyro (fogo) e Hydro (água). Cada um possui um símbolo específico e uma nação que o representa. Apesar de não ter uma visão elementar, o viajante pode controlar os múltiplos elementos do jogo, podendo ser utilizado apenas um por vez. Além disso, no mundo de Teyvat existem outros personagens que possuem uma dessas visões.

    Outro aspecto importante são as combinações e reações físicas possíveis de serem feitas entre os elementos presentes no jogo: “Os elementos são utilizados para interagir com o cenário e também como poderes de ataque em lutas provocando reações físicas entre eles, as denominadas ‘reações elementais’, produzem diferentes efeitos nos inimigos e no ambiente do jogo. Essas reações ocorrem sempre entre dois elementos distintos e as nomeações delas são baseadas em conceitos físicos reais” (SILVA, 2022, p.20).

    Um exemplo seria a combinação de Pyro (fogo) e Electro (eletricidade) que, quando combinadas, formam a reação física de sobrecarga, ou ainda Hydro (água) e Cryo (gelo) que ativam juntos a reação de congelamento, entre diversos outros.

    Portanto, nota-se que em Genshin Impact, além da jogabilidade, ainda é possível notar-se a necessidade de conhecimentos básicos de matemática e física em diversos momentos ao longo do jogo. Vale ressaltar ainda que nem todas as nações estão disponíveis em Teyvat, apenas Mondstadt (anemo), Liyue (geo), Inazuma (electro) e Sumero (dendro) são jogáveis até o momento – as outras ainda estão em desenvolvimento e sem previsão de serem lançadas: Fontaine (hydro), Natlan (pyro) e Snezhnaya (cryo).

     .

    REFERÊNCIAS

    BLOOMFIELD, Fernanda Cristina Teixeira. Level up: estudo exploratório sobre jogos digitais não educativos como fonte de desenvolvimento da informação e do conhecimento. 2022. p. 67 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação) – Faculdade de Administração e Ciências Contábeis, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2022. Disponível em: https://pantheon.ufrj.br/handle/11422/16900.

    SILVA, Arianne Dechen. Jogos e o ensino de física: possibilidades do uso do role playing game (rpg) computatorizado como recurso didático. Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2022. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/handle/11449/238905.


  • Anonimato online: por que precisamos dele?

    Por Andrés Leonardo Salas Garces

    Letras – LIBRAS

    Bolsista PET Letras

     

    O anonimato é uma ferramenta que se utiliza diariamente na sociedade e que pode ter diversas motivações e implicações, tanto positivas como negativas. “Tradicionalmente, aqueles que se beneficiaram do anonimato eram dissidentes, ativistas de direitos humanos, jornalistas e membros de comunidades vulneráveis” (KRAHULCOVA, 2021). Segundo a psicologia e a sociologia, o anonimato outorga para o sujeito um tipo de “poder” sobre a exposição da sua identidade, protegendo-o de consequências que podem vir no caso de ser exposto, no cotidiano. Um exemplo seria uma declaração de amor ou uma denúncia de algum crime. Outro exemplo, dessa vez em que a sociedade se beneficia do anonimato, é nas eleições presidenciais, como no caso do Brasil e da maioria dos países do mundo. Por lei, o governo está obrigado a garantir a privacidade do eleitor com objetivo de que o voto não seja ordenado ou conhecido por ninguém mais; no caso contrário, votar por aclamação, expresso oralmente ou sem privacidade, é considerado coercitivo – quer dizer, um voto influenciado. É o anonimato uma ferramenta necessária para garantir a liberdade de expressão e decisão dos cidadãos.

    Em um artigo feito pelos pesquisadores Emily van der Nagel e Jordan Frith, de 2015, algumas pessoas argumentam que o anonimato é a causa do comportamento anti-social e que a eliminação do anonimato resolveria o problema. Por exemplo, Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, afirmou que “ter duas identidades para si mesmo é um exemplo de falta de integridade”; sua irmã, Randi, diretora de marketing do Facebook, argumentou que o anonimato na internet deveria ser eliminado e que o comportamento anti-social é um produto do anonimato. No entanto, a identidade não é uma coisa singular e que a autenticidade não significa completa abertura. A apresentação da identidade é influenciada pelo contexto e pelo público. Além disso, as identidades online não podem ser dissociadas da economia política da internet. O Facebook é a maior rede social do mundo e a identidade que os usuários criam na plataforma é utilizada em vários outros sites da internet. O artigo conclui que a compreensão da identidade na internet não é simples e requer uma análise mais aprofundada das complexidades envolvidas.

    A tentativa de identificação dos usuários pode se deparar em uma espécie de cruzada contra a “grande-internet-ruim”, promovendo medidas draconianas em nome da proteção dos vulneráveis. No entanto, as medidas muitas vezes acabam prejudicando aqueles que proclamam proteger. Um exemplo claro foram as políticas de privacidade do Facebook: elas obrigavam seus usuários a utilizar o seu nome real no perfil e com o tempo percebeu-se que isto pode ter consequências negativas, pois, afinal, quem se realmente se beneficia do anonimato neste contexto?

    Pois bem, em uma pesquisa publicada pela The Geek Feminism Wiki, quase a metade da população mundial se beneficia de pseudônimos. Muitos deles pertencentes a diferentes grupos sociais, mas da longa lista desses grupos, os exemplos mais citados são de vítimas-sobreviventes de violência doméstica que utilizavam pseudônimos por medo a ser encontradas pelo perpetrador (WIKI, 2011). Foi por esse motivo e por alguns outros, como o possível acesso à informação delicada por ataques de hackers, que no ano de 2018 o governo alemão determinou que as políticas de identificação do Facebook eram ilegais.

    Descrição da imagem: foto real de fundo cinza com 5 mulheres em ordem de estatura ascendente de direita para esquerda com roupas formais; elas estão segurando um papel tampando o rosto com um desenho de caras de diferentes expressões e formatos. A primeira mulher está vestida de terno aberto e saia cinza com camisa rosa; a segunda mulher de calças cinzas e camiseta branca; a terceira mulher está de terno fechado e calças vermelhas; a quarta mulher esta vestida de camisa branca com estradas finas pretas e calças pretas; a última mulher está de camisa azul claro com calças vermelhas.

    Em conclusão, uma boa política pública deve ser baseada em evidências e não em opiniões pessoais ou anedóticas. Os cidadãos merecem uma abordagem regulatória adequada para o mundo interconectado em que vivemos e isso deveria começar com uma atualização da Lei de Privacidade, e não com ideias mal pensadas sobre dar às plataformas digitais cópias de nossos documentos de identificação mais confidenciais.

     

    REFERÊNCIAS

    KRAHULCOVA, L. Australian Digital Rights Watch. 2021. Disponível em: https://digitalrightswatch.org.au/2021/04/30/explainer-anonymity-online-is-important

    WIKI, G. F. (2011). Harassment policy. Fandom. 2011. Disponível em: https://geekfeminism.fandom.com/wiki/Who_is_harmed_by_a_%22Real_Names%22_policy%3F


  • Inteligência Artificial: Até onde uma máquina é somente uma máquina?

    Por Manoela Beatriz dos Santos Raymundo

    Letras – Inglês

    Bolsista PET Letras

    Descrição da Imagem 1: Vemos uma cidade futurista ao fundo, com prédios altos, com luzes em tons de azul. Na frente, à direita, vemos metade do rosto de Connor, andróide e um dos protagonistas do jogo Detroit Become Human. Ele tem a pele branca, cabelos e olhos castanhos e uma marca circular pequena do lado do rosto, logo acima da sobrancelha. Do seu lado, tampando parte da cidade ao fundo, temos o nome do jogo escrito Detroit Become Human em fonte branca.

    É comum vermos máquinas fazendo o trabalho de pessoas e até nos auxiliando no dia a dia, como a Alexa, mas e se a tecnologia avançasse tanto que máquinas como essa começassem a agir como nós, viver como nós? Se você programa uma Inteligência Artificial para agir de maneira mais humana, capaz de sentimentos e tomadas de decisão como a nossa, o que a separaria de uma pessoa humana? Até onde essa máquina seria somente uma máquina?

    Existem inúmeras obras que retratam civilizações avançadas e tecnológicas, como Eu, Robô e O Homem Bicentenário, ambas do escritor russo Isaac Asimov e adaptadas para o cinema. Esta temática está cada vez mais recorrente, como no recente Megan (M3GAN), de Gerard Johnstone. Na época em que Asimov escreveu, essa realidade tecnológica parecia distante demais para se pensar, mas estamos cada vez mais próximos delas do que imaginamos.

    Descrição da Imagem 2: Um fundo verde com uma logo branca, semelhante a uma flor. Logo abaixo está escrito “Chat GPT” em fonte preta.

    Assim é que, em novembro de 2022, foi lançado o Chat GPT, uma inteligência artificial (IA) que simulava um bate papo e respondia a perguntas de forma similar a uma pessoa, fornecendo informações e opiniões sobre diversos assuntos. O diferencial do Chat GPT, em comparação a outras IAs como a Instruct GPT (seu antecessor), é a capacidade de distinguir falsas afirmações, ao invés de forjar uma resposta que simulasse uma explicação do que lhe foi dito. Chat GPT também foi programado para não operar com solicitações racistas, sexistas e afins, apesar de ainda ter certas limitações como respostas confusas.

    É de se esperar que esse tipo de avanço com inteligências artificiais seja assustador para alguns. Os próprios filmes nos mostram possibilidades de máquinas se virarem contra a humanidade. É por isso que existem conjuntos de “leis” para quando tratamos de inteligências artificiais: as três leis da robótica. Criadas por Isaac Asimov para seus livros, elas começaram a ser levadas em conta quando se abordava o assunto de IA:

    1ª Lei: um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.

    2ª Lei: um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei.

    3ª Lei: um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis.

    Descrição da Imagem 3: Capa do livro “Eu, Robô”. Um fundo branco. No topo, o nome do autor “Isaac Asimov” em fonte cinza, logo abaixo em fontes maiores, o nome do livro “Eu, Robô”. Cobrindo parte do nome temos uma máscara futurista, com vários cabos e partes metálicas; no lugar dos olhos, duas pequenas lâmpadas.

     

    As leis de Asimov cada dia passam a se tornar mais relevantes, tendo em vista o avanço que temos nas IAs. Porém, diferente de Asimov, existe um teste que é realizado em Inteligências Artificiais para verificar se a máquina poderia ser considerada “inteligente”: o Teste de Turing, proposto por Alan Mathison Turing (matemático e cientista da computação inglês). Trata-se de um jogo, chamado O Jogo da Imitação (que ganhou popularidade com o filme de mesmo nome estrelado por Benedict Cumberbatch). O jogo envolve três pessoas (A, B e C): A é uma máquina, enquanto B e C são seres humanos. O objetivo é que a máquina consiga convencer a pessoa C (o juiz) de que ele está conversando com um humano. Se o juiz não conseguir diferenciar a máquina e o humano, é considerado que a máquina passou no teste.

    Chat GPT foi a segunda IA a conseguir passar pelo Teste de Turing. O primeiro foi um computador russo que se passou por um rapaz ucraniano de 13 anos chamado Eugene Goostman. Diferente do Chat GPT, Eugene passou no teste mas com algumas ressalvas. A máquina conseguiu convencer ser um adolescente de 13 anos, mas não possuía respostas 100% corretas, o que foi desconsiderado em parte por se tratar de um rapaz de 13 anos – digamos que ele  foi “ajudado” pelo contexto.

    Descrição da Imagem 4: Na imagem temos Alan Turing, cientista da computação e matemático britânico. Ele tem pele branca, cabelos e olhos escuros e veste um terno. A imagem está em escala de cinza.

    No caso do Chat GPT, podemos realmente considerar uma máquina “inteligente”? Muitos podem achar  até mesmo assustadora a ideia de que máquinas ficam mais inteligentes a cada dia que passa. Muitos criadores de conteúdo, como desenvolvedores de jogos, já imaginam esse futuro, como por exemplo David Cage, diretor de Detroit Become Human

    Detroit Become Human é um jogo publicado em 2018 pela Sony Interactive para Playstation 4 e Microsoft Windows. O jogo se passa na Detroit futurista de 2038, onde andróides criados pela empresa CyberLife coexistem no dia a dia dos humanos, cumprindo funções antes destinadas a eles. Por conta disto, uma parcela da população vai contra a implementação dos andróides, alegando que não deveríamos utilizar máquinas para agir como pessoas. 

    No jogo, androides que mudam sua maneira de agir em relação a programação que lhes foi dada são chamados Deviantes. Eles começam a duvidar de sua programação, passam a agir conta as ordens e a expressar sentimentos com relação às pessoas. Então, o que separaria esses deviantes de nós, humanos? Uma máquina capaz de expressar emoção, saudade, culpa e vontades, poderia estar próxima a ser uma pessoa. Vemos isso com Chat GPT,por exemplo, que é capaz de expressar opinião acerca de certos assuntos. O quão parecida é essa máquina em comparação a uma pessoa? E o quão distante ela está de ser tratada como um “ser”?


  • NOVO EDITAL | Seleção de professores e professoras voluntários(as/es) para 2023.1 | Português para imigrantes e refugiados

     

    O PET-Letras torna pública a abertura da seleção de professores e professoras voluntários (as/es) para Português para imigrantes e refugiados.

    As inscrições se iniciam em 3 de abril de 2023.

    Confira AQUI o edital.

     

     

    INSCRIÇÕES HOMOLOGADAS E ENTREVISTAS

    O PET-Letras publica a lista homologações. As entrevistas acontecerão no dia 13/04, on-line (o link será enviado por email), nos horários a seguir:

     

    12h – Talita Moura de Almeida Ferreira
    12h15min – Luciéle Bernardi de Souza
    12h30min – Sergio Pereira Gomes
    12h45min – Maria Cecilia Pilati de Carvalho Fritsche
    13h – Heloísa Veber
    13h30min – Gerson Ribeiro Goulart
     13h45min – Magnus Ferreira de Melo Magnus Ferreira de Melo
    14h – Marcelo Ferreira Viegas
    14h15min – Rosangela Fernandes Eleutério
    14h30min – Carolina da Nova Cruz
    14h45min – Luiz Fernando de Carvalho

     

     

    Resultado e orientações

    O PET-Letras torna público o resultado da seleção para docentes voluntários/as (Português para imigrantes e refugiados). Foram classificados os/as seguintes candidatos/as:

     

    Talita Moura de Almeida Ferreira

    Luciéle Bernardi de Souza

    Maria Cecilia Pilati de Carvalho Fritsche

    Gerson Ribeiro Goulart

    Magnus Ferreira de Melo Magnus Ferreira de Melo

    Rosangela Fernandes Eleutério

    Carolina da Nova Cruz

     

    Todos/as os/as classificados/as devem participar da formação, que será realizada no dia 14 de abril de 2023, entre 18h e 22h, na sala 238A do Centro de Comunicação e Expressão.


  • Onde encontro assistência e acolhimento na UFSC?

    Por Franciane Ataide Rodrigues

    Letras Libras

    Bolsista PET-Letras

     

    O início de semestre traz consigo uma enxurrada de informações para os recém aprovados na universidade, nesse período muitos alunos estão em processo de adaptação em uma nova cidade e também à vida universitária. Nesse sentido, é muito importante que ao entrar na universidade, o indivíduo saiba como e onde procurar acolhimento dentro da instituição.

    Descrição de imagem: Pessoas andando em frente ao prédio da reitoria UFSC campus Trindade. O prédio tem a parede decorada com peças coloridas de diversas formas, na forma de um mosaico. No canto superior direito, ramos de uma árvore em frente ao prédio; no canto inferior esquerdo uma moça de roupas pretas caminha em frente ao prédio. No canto superior esquerdo vários homens também caminham pelo campus em frente a reitoria; canto inferior esquerdo, há grama verde em frente ao prédio.

    Dentre as opções de acolhimento disponibilizados para os estudantes estão os:

     

    Pró-Reitoria de Permanência e assuntos estudantis – PRAE

    Dentro da PRAE existe um departamento específico que exerce a função de acolhimento estudantil: o setor de Psicologia Educacional .

    O atendimento tem como foco proporcionar a permanência dos/as estudantes e é direcionado para acadêmicos da UFSC com cadastro na PRAE ou oriundos de escolas públicas

    Neste setor, os atendimentos realizados não são caracterizados como psicoterapias; a abordagem é focada em dificuldades ligadas ao contexto educacional, como ambientação na Universidade, sofrimento psíquico relacionado à vida universitária, relações com colegas, docentes e demais servidores/as da UFSC, construção de uma nova rede de apoio e como escuta para entender e direcionar o estudante.

    Também são realizadas ações coletivas abertas a todos/as estudantes, com prioridade para aqueles com Cadastro PRAE ou que vieram de escola pública, como por exemplo o grupo Longe de Casa: e agora?,  que é voltado a estudantes que vieram de outras cidades para estudar na UFSC e estão nas primeiras fases do curso.

     

    Serviço de atenção psicológica – SAPSI

    Todos os atendimentos oferecidos pelo setor são gratuitos. Os serviços são oferecidos à comunidade interna e externa à UFSC, desde que a pessoa possa comparecer presencialmente ao SAPSI, que fica no departamento de psicologia no centro de filosofias e ciências humanas (CFH) bloco D, 2° andar no Campus Trindade.

    O acolhimento Psicológico Geral acontece de modo presencial e em sessão única, podendo ser agendado retorno caso o profissional identifique essa necessidade. É realizado pelos estagiários e extensionistas supervisionados pela equipe de Psicologia do SAPSI. Na página,  também é possível encontrar indicações de clínicas sociais incluindo atendimento psicológico em Libras:

    É importante ressaltar que cada serviço possui seu prazo e forma de inscrição.  Veja abaixo as opções de atendimentos de acolhimento psicológico oferecidos pelo SAPSI:

    Acolhimento Psicológico Geral

    Acolhimento Psicológico ao Luto

    Acolhimento Psicológico Infantil

     

    Coordenadoria de Relações Étnicos Raciais – Coema

    Em 2022, a UFSC aprovou uma política de enfretamento e a erradicação do racismo institucional e quaisquer violações aos direitos humanos implantando o atendimento individual especializado por meio do Serviço de Acolhimento a Vítimas de Violências. Os agendamentos se sãopelo e-mail seavis@contato.ufsc.br.

    Coordenadoria de Diversidade Sexual e Enfrentamento da Violência de Género – CDGEN/PROAFE 

    A Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (PROAFE) criou a CDGEN para formalizar políticas de enfrentamento à fobia de gênero e às violências contra mulher no âmbito da UFSC; através deste setor é oferecido apoio institucional para a promoção dos direitos da população universitária de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, queer, intersexuais e demais (LGBTQIA+), além de mulheres vítimas de violências.

    O departamento recebe e encaminha denúncias de discriminação por orientação sexual e identidade de gênero aos setores responsáveis, bem como o acolhimento/atendimento psicológico. O endereço e o contato são os seguintes:

    • Endereço: Térreo da Reitoria 1 – Campus Reitor João David Ferreira Lima – Bairro Trindade
      Florianópolis – Santa Catarina – Brasil
    • Telefone: (48) 3721-594

     

    Em breve, a UFSC contará com o Serviço Especializado de Atendimento às Vítimas de Violências (SEAVIs), visando oferecer uma escuta e um trabalho qualificado aos sujeitos que têm seus corpos marcados pela violência, como a LGBTQIA+ fobia.

    É de extrema importância que os alunos tenham seus direitos de permanência assegurados e de fácil acesso. Portanto, não hesite em usufruir das instâncias existentes na UFSC.

     


  • Resultados e ensalamento | Selecionados, selecionadas e selecionades para os cursos de Idiomas do PET

    Finalmente, o PET-Letras tem as listas das pessoas selecionadas para os idiomas do primeiro semestre. Clique no idioma abaixo e confira:

     

    LIBRAS NÍVEL I

    LIBRAS NÍVEL II

    ESPANHOL NÍVEL I

    JAPONÊS NÍVEL I

     

    As aulas terão início no dia 27 de março. O ensalamento, o horário, o nome do professor ou da professora e o dia da semana seguem abaixo:

     

    Libras I: Andreza (13h-14h30min Quartas/ Nível 1) – Sala 142 | CCE | Bloco A

    Libras II: Gustavo Flores (18h-19h30min Terças/Nível 2) – Sala 211A |  CCE | Bloco A

    Espanhol: Susana (12h-13h30min Terças/ Nível 1) – Sala 235 | CCE | Bloco A

    Japonês: Thayse (10h-11h30min Quintas/ Nível 1) – Sala 235 |  CCE | Bloco A


  • Edital para bolsista do PET-Letras

    O PET-Letras torna público o processo seletivo para preenchimento de 1 (uma) vaga para estudante bolsista do Programa de Educação Tutorial. Podem se inscrever estudantes dos Cursos de Graduação em Letras da UFSC que tenham disponibilidade de 20 (vinte) horas semanais e que atendam aos requisitos apresentados no edital.

    O período de inscrição será das 12h do dia 27 de março às 12h do dia 3 de abril de 2023.

    Confira o edital AQUI.

    Retificação do edital: onde se lê “b) Segunda etapa (10 pontos): entrevista com os(as) candidatos(as), com horário a ser divulgado junto ao resultado da primeira etapa, ocorrerá no dia 6 de abril de 2023, sexta-feira, na sala do PET-LETRAS(com horários a serem informados na página).”

    Leia-se: “b) Segunda etapa (10 pontos): entrevista com os(as) candidatos(as), com horário a ser divulgado junto ao resultado da primeira etapa, ocorrerá no dia 6 de abril de 2023, sexta-feira, na sala do PET-LETRAS(com horários a serem informados na página)”.

     

    LISTA DE INSCRIÇÕES HOMOLOGADAS E HORÁRIOS DE ENTREVISTAS

    A lista de homologados/as e os horários de entrevista são os seguintes:

     

    Vitória Cristina Amâncio | 12h30min

    Maysa Monteiro | 12h45min

    Anna Carolina da Conceicao Lunelli | 13h

    Luísa Wierenicz | 13h15min

    Paula Scalvin da Costa | 13h30min

    Thaís Artigas | 13h45min

    As entrevistas acontecerão presencialmente, na sala do PET-Letras.

     

    NOVO! RESULTADO FINAL

    Candidata Classificação
    Luísa Wierenicz
    Paula Scalvin da Costa
    Maysa Monteiro
    Vitória Cristina Amâncio
    Anna Carolina da Conceicao Lunelli Não classificada
    Thaís Artigas Não compareceu

     

    As candidatas aprovadas devem enviar email para pet.letras@contato.ufsc.br, até o meio dia do dia 10 de abril, segunda-feira, a fim de confirmarem ou declinarem a participação no PET-Letras, seja como bolsista ou como voluntária.